terça-feira, 17 de fevereiro de 2015

Aprendi depressa a me sujar na sua paixão limpa

Somos os pontos que nunca se ligam,
porque não queremos revelar
imagem alguma
O contorno dos nossos corpos 
enroscados na cama 
vai virar uma imagem desfigurada
Porque a ressonância dos dias que passam
desfragmenta tudo
Eu sinto fome de exatidão,
a mesma exatidão que não nos alcança
Você pode povoar meu inferno,
eu posso descansar nas suas trevas
Mas nada nos é suficiente
Também pode escarrar na minha cara
e eu lamber o seu rosto
Ainda assim seremos cúmplices 
Eu lhe odiando com força,
você rindo de mim com leveza
A impressão que revelamos - sem querer
é o desajuste 
o absurdo 
é essa paixão 
que não se contenta só com isso

Você me contenta
mas não é o suficiente.







8 comentários:

  1. teu poema sempre casa comigo, e eu fico aqui, me perguntando como pode alguém escrever tão bem sobre algo que só existe na minha cabeça.
    "você me contenta, mas não é o suficiente" é isso, exatamente isso. não me satisfaz, mas mesmo assim eu não consigo viver sem.

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  2. Todo esse descontentamento gera a melhor poesia. É lindo.

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  3. Essa coisa da paixão né, é tão amor e ódio, é aquela droga viciante que sabemos seus malefícios, mas mesmo assim usufruímos.
    Adorei o blog, ótimos textos!
    Beijos

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  4. "Não queremos revelar imagem alguma"
    Genial, Hellen! Suas figuras sempre tão ricas!

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  5. "Você pode povoar meu inferno,
    eu posso descansar nas suas trevas
    Mas nada nos é suficiente"

    Acho incrível o quanto o sentimento, o íntimo, o profundo da tua poesia consegue me alcançar!
    Sobre a imagem: já foi fundo de tela no meu cel. Fiquei surpresa!

    Bjo'o

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  6. Este comentário foi removido pelo autor.

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  7. Você consegue ser a mesma sendo varia ao mesmo tempo. Seu tormento se abre em flor de um lilás fosforescente. Tu é D+, Guria!

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