domingo, 1 de março de 2015

Me ame (até me danificar)

Depois que lhe conheci
passei a rir até do que
não tem graça
Criamos uma bolha
para nos proteger 
de tudo que fosse findável
No meu corpo anêmico,
eu quis prever essa alegria
Porque as linhas desse papel
nos encaminha para algum lugar
cujo as linhas do trem 
não consegue nos levar
Feito lava
eu queimei,
até você arder
Você ardeu,
até eu preferir ficar
Ficamos um no outro
como se escolhas não existissem,
acho que começamos a viver agora
Você está na minha pele
feito sarna
que eu adoro coçar
Deixa que a vida exponha
minha carne viva
enquanto eu vislumbro
a extensão desse dano.

9 comentários:

  1. Amores intensos demais, quase sempre, deixam profundas cicatrizes.
    Você parece uma flor desabrochando, Hellen!

    ResponderExcluir
  2. Leve e intenso. Um belíssimo poema!
    Parabéns, Hellen, a poesia está enraizada em você.
    Voltarei outras vezes para apreciar seus textos.

    Meus blogs literários:
    O Poeta e a Madrugada (Contos e Poesia)
    Dark Dreams Project (Contos de suspense e terror)

    Abraços!

    ResponderExcluir
  3. Esse desespero é tão latente, que até o sinto contigo.

    ResponderExcluir
  4. Tem gente que prefere o amor que machuca, feito sarna, como tu disse, que coça e a gente gosta, atiça.
    Eu, egoistamente, prefiro esse doído que se concentra nas tuas linhas, até mesmo quando tu não fala da dor de forma explícita. Tu é cheia de entrelinhas, como é difícil de te ler sem olhar pro peito e tentar arrancar algo daqui de dentro.

    ResponderExcluir
  5. "Você está na minha pele
    feito sarna
    que eu adoro coçar
    Deixa que a vida exponha
    minha carne viva
    enquanto eu vislumbro
    a extensão desse dano."

    Lindos versos, aversos! Danou-se.

    ResponderExcluir
  6. "Deixa que a vida exponha
    minha carne viva
    enquanto eu vislumbro
    a extensão desse dano."

    Irreversivelmente intenso, suas palavras nos marcam sem pudor Hellen.

    ResponderExcluir
  7. Todo o amor dói e tu sabe disso, mas aproveita bem a parte que te toca.
    Entender a parte doída da vida, é consentir a ideia de felicidade fragmentada.
    Adorei.

    ResponderExcluir
  8. Há aqueles que sentem prazer na dor, e o sentido é, nem tudo que machuca maltrata. E pior, este tipo de dor (de Amor) e amar, esse desamar, vicia. E para saciar esta sede o que buscamos é alguém que saiba com carinho nos machucar.

    ResponderExcluir