domingo, 8 de março de 2015

Poema em prol de uma vulgaridade mais justa

Imoral é esse sentimento errado
que me ofende do modo mais certo
Me faz vomitar e ainda me engasga,
obrigando-me a abafar
gritos de raiva
no travesseiro
Asfixia e dói
Dói como se eu nunca
tivesse sentido esse desespero antes
Desespero com mãos no meu pescoço
Eu sou adepta à qualquer paixonite
que me faça agonizar - à toa
A minha decadência é tão vulgar
que eu preferiria ter vontade
de abrir minhas pernas para todos os homens
mais engraçados da cidade
Porque até hoje
não conheci nenhuma puta infeliz
Você deixou de ser engraçado
quando passou a rir de mim
E mesmo assim,
eu não consigo deixar você
Tudo está se diluindo
como se uma gota de sangue
caísse num balde d'água
Se dispersando
e desaparecendo
Eu desapareço dentro
dessa história
Nossa Senhora das Putas,
me escreva um roteiro,
por favor.

9 comentários:

  1. e eu, Hellen, desconheço as putas que são felizes.
    felicidade é ter dentro de si a poesia que você guarda nesse peito aí. eu sei que isso que tu nos permite ler não chega nem perto do que tu esconde por trás desses olhos pintados.
    felicidade conhece esse João que sempre rende títulos maravilhosos e que não sabe a eternidade que o espera nesses teus versos.

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  2. Esse desespero é lindo, Hellen. Tua dor é linda.

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  3. Um poema carregado de sentimentos, não apenas bons, mas também uma revolta, uma busca pela justiça mesmo nas coisas mais banais. Gosto da forma como você se expressa e da tua poesia parece ser extraída da carne. Muito bom, parabéns Hellen!

    Meus blogs literários:
    O Poeta e a Madrugada (Contos e Poesia)
    Dark Dreams Project (Contos de suspense e terror)

    Abraços!

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  4. Boa noite! Sua poesia tem uma certa carga de amargor... Mas, não me foi possível deixar de recordar um quadro do humorista Jô Soares... Dizia em dado momento do diálogo "... Não te deprecies mulherrrrr". E da poesia, ainda, sem crítica, Apenas refletindo no seu clamor, Esta Nossa Senhora era uma Santa pecadora, ou àquela que dava Amor a quem pedia Amor...

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  5. Desespero em versos, teu poema é desconstrutivo, despudorado e, obviamente, brilhante!

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  6. Paréceme que é a primeira vez que non me namoro de algo que escribes. Desta vez non me sentín estremecer con esa maxia. Aínda que hai algúns versos que me pareceron bos: "Tudo está se diluindo/ como se uma gota de sangue/ caísse num balde d'água"; "Nossa Senhora das Putas,/ me escreva um roteiro,/ por favor."

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  7. Decadente ou ascendente, tua poesia é a mesma obra do que nasce e cresce em tua mente, espalha como espelho a luz do teu trabalho poético que é excelente. Os fetiches existem, alguns precisam gozar, com o que presumem ser as transigências de outrem.
    Comemoro tua existência e teus poemas, saudações!

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