sexta-feira, 9 de setembro de 2016

Para o homem das mãos firmes e palavras voláteis

Ele foi embora
Numa linda tarde de quarta-feira
Levou suas coisas, sua gata
E seu diploma
Sem a mais ínfima vontade, 
levou uma parte de mim também
Ele me magoou, 
eu o desmascarei
Ambos sentimos raiva
Também fui capaz de sentir paixão
Meu homem de dois andares 
e olhos verdes
Verdes famintos
Pode ser que daqui há 10 anos 
eu esqueça seu nome
Mas hoje eu deixaria 
ele me fazer um filho 
Hoje eu digo que deitaria ao lado dele 
todas as noites
do resto da minha vida
Mas nunca mais nos veremos
Seu sotaque vai me atormentar
Quando eu escutar outra pessoa 
falando "porta" daquele jeito 
Ninguém mais me tocará 
como ele
Ninguém mais me machucará 
assim
Escondendo verdades,
me queimando no colchão
Fizemos amor como quem sabe 
que o amanhã pode não chegar
O nosso não chegou
Ele deve estar percorrendo 
alguma estrada agora
Como percorreu vários corpos 
nessa cidade
Com zelo e fugacidade
Sempre com o intuito de dizer adeus

Sentirei falta dos olhos
e do sexo 
Da mágoa não 
Mágoa que não nos deixou
criar uma despedida
Nós dois queríamos ter a razão
E não conseguimos ter um ao outro.

13/07

2 comentários:

  1. Um poema lindo, de verdades e sentimentos infindos, desses que não morrem na memória e que para a glória dos que te elegem e leem, se mostre como uma obra que prima, pela qualidade do teu sentir que é a única verdade do teu ser.
    Saudações!
    Um bom fim de semana e beijo em tuas mãos minha alegria.

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  2. Manequim. Ah, Manequim... gosto muito dos nomes dos personagens seus. Esse por exemplo, é intrigante. Você escreveu menos de cinco posts sobre ele, mas eu consegui sentir o dano e a atração e o tesão e a mentira.

    Você é universal.

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