Pra lá do existencialismo quero os anseios invejáveis de outrora De quando eu te escrevia sem você saber Palavras só causam impressões Creio que preciso saber qual é a minha imagem apesar de tudo As vezes Nossa formalidade nada convidativa me fode os instintos
Por todas as pessoas que se destroem por escrever pensei na negação freudiana como defesa contra realidades externas que ameaçam o ego
Será esse meu fado? Esse eterno pisar em ovos, comer pelas beiradas e passar fome?
Enquanto eu andar distraída hei sempre de ser encontrada por pessoas como você Nos corredores cheios, eu te assisto e não me canso Tu me olhas tão invasivo e ressuscita as pobres borboletas jogadas no meu estômago E me ponho a pensar que nada valeu antes disso Porque dessa vez tudo pode ser [real. Vem me acordar pra essa vida.
Tu vais ficar sabendo por aqui Que a tua voz é a calma que não acalma E o que não é absurdo É quase feroz Talvez convidativo Qualquer aurora não explicaria esse desejo vertiginoso porventura medieval
Por mais esquisita ou desvendável que seja eu De longe quero te atar em tudo o que escrevo Nas conversas que não temos eu te digo tudo o que é preciso dizer Nas conversas que temos eu me escondo de Deus
Eu me esquivei de todos os homens que me aceitavam assim Para querer tanto alguém que detesta minha loucura Aperfeiçoando esse afeto dissimulado somente para não me desfazer da poesia Tudo machuca e cansa As sensações são tão rasas A vida é assim mesmo? Cancerígena Garçom, cancela aí essa dose de desespero Por favor.
Tudo começou em uma terça-feira Não importava mais a beleza triste Nem a atração intoxicada Os dias sem se falar foram os que mais rendeu disparates E tu conseguiste ser a única luz no céu abandonado Alguém que não eu escrevera essa história para acabar sem final Outra vez a impotência abrange tudo E quando é a segunda vez a gente sempre acha que vai saber o que fazer Até os erros tornaram-se mais atraentes mais leves que o ar
Nada posso fazer Se teu nome combina com tudo Até mesmo com essa solidão
Não retiro nada do que gostei de ti se escrevo isso confessando pecados ou pedindo perdão De qualquer forma Tudo terminou em uma terça-feira [também]