sexta-feira, 21 de março de 2014

Coragem adéliopradiana

Foi na controvérsia
que eu te sonhei
[sem dormir.

Há coisas que quis sentir
só para escrever.
Das outras, escrevi
só por sentir tanto.

Adélia diz que,
o orgulho fede como um bom cadáver.
E disse mais,

Só vai doer agora
e não muito.
Então, depois faço o que
com esse pranto perdido?

terça-feira, 18 de março de 2014

Da loucura ocasionada

Sobre hoje: 

Ele, eu queria revestido de plástico bolha.
Caso não inspirasse mais poesia,
não me causaria tédio.


Sobre ontem:


sábado, 15 de fevereiro de 2014

Fervendo nessa chaleira

A absorção é lenta
tal como uma injeção subcutânea
Eu saboto a cura
pra viver nesses espasmos de 
de dor ocasional
Nina Simone faz o ambiente
E a gente dança
Mas se cansa também
Encontrei alguém
Que me inspira revolução
Além do fado e da urbanidade
Ele pode ser minha ilusão arcaica
Pode ser tudo, inclusive outro nada
Me questiona coisas triviais
E eu suspiro pela pressa 
desse mais novo encanto
Analisando que
podem me ganhar quando quiser
usufruindo de boas trivialidades

quarta-feira, 12 de fevereiro de 2014

Hilst que me perdoe

Tu fumando
encostado na parede
Teus olhos em mim 
substituindo 
gargalhadas profanas
Eu sentada na calçada suja
Tão sem medida
Densa e clandestina
Talvez eu seja tu mesmo
Tua soberba e afronta
E o retrato
De muitas inalcançáveis 
Coisas mortas
Nós enternecidos
Nesse susto

E Hilst ressuscitando 
pra perguntar 
o que fiz com o poema dela

sexta-feira, 7 de fevereiro de 2014

A permanência só dura o dia

''Mal sabe do que eu sou feito''
proferiu ele. 

Mas ela não lhe contou,
o mundo que inventa ser real
pra não perceber a verdade.
Logo acha que não existe.
Sua loucura gravada 
em vísceras expostas...
Poesia in[contida 
nas entranhas desconhecidas,
dos personagens fatídicos
escritos pela mulher mais
estranha.

Endeusa o globo terrestre
Engloba o que não conhece

Ela não inspira
            só pira

(e não amanhece)


terça-feira, 4 de fevereiro de 2014

Muitas horas nessa calma

Que coisas bonitas você escreve...
Disse ele, 
antes de pedir que lhe escrevesse também.

Que tolice!
Escrevê-lo é só alcança-lo no papel.
Como todas as outras pessoas que escrevi, 
na minha vida elas não passaram do papel.

E ele, ele, eu quero na mesa do bar,
me olhando como uma das suas ficções de amor,
pra quem tiraria a roupa.



















(Imagens de Le fabuleux destin d'Amélie Poulain)

quarta-feira, 22 de janeiro de 2014

Caminhando pra nunca chegar

Diz que chove aí
Quarta-feira, 3 da manhã
Enquanto aqui penso em escrever
Sobre outros homens com o mesmo nome

Meus quereres
são interessantes anomalias
E a sabedoria
me prostra   

Achei que perdi 
porque achava que tinha
Será a poesia
um prêmio de consolação?

Quando quiser 
me d[escreva seu dia
e aquele et cetera todo

Depois lembra do bilhete
que te dei, advertindo:

''Não tenho mais tempo
para ficar planejando desfechos
para um único personagem

Há tantas pessoas lá fora
que renderiam bons sonetos
Mas você,
você inspira um livro todo

E eu passo a ter medo
de mim''

Hoje ainda tenho medo de mim
e ninguém me inspira mais nada