segunda-feira, 5 de maio de 2014

Te querer é regredir

Me abstenho de afetos maiores
Pois te espero, sem esperar
E quero espiá-lo por dentro
Para eu me decorar por fora
Apreciando as rupturas
o pudor diluído na ternura
intocada]
Teu nome passeando
na minha cabeça
no fluxo das horas]
A tolerância sem freio
se curvando para a 
mágoa com pressa 
Tua ausência nunca suprida
E a poesia submissa 
a esse meu gostar
que não gruda no teu peito




terça-feira, 29 de abril de 2014

O mundo detrás

Abro a janela
ele já passou
Corro até a esquina
Nem rastro dele
Paro na padaria
Ninguém o viu
Compro pães
mais indigestos
que a sua indiferença
E essa abstinência
me treina
para ver a Tristeza
Digo, Tereza
Minha psicóloga

E finalizo
com M. Rezende,
ele morre em mim
debaixo de um dia simples
e nada mais resta
do meu coração partido.

segunda-feira, 21 de abril de 2014

Quem vai cair primeiro?

Nutro certa comoção
pelas expressões perigosas
Então, não se importe

Se eu ir do sempre
ao nunca mais
no mesmo instante

Quero mesmo
é impregnar meu desgosto
em ti

Se escrevo tanto
é por tentar
te tocar
mas também lhe agredir

Não confunda minha astúcia
com charme
Me apetece muito
ser a mulher que não presta

quinta-feira, 10 de abril de 2014

Em treva me sumo

Eu demorando os olhos 
na extensão do seu receptáculo
repousando sob a cama
Eu rastejando pra dentro de ti
sendo estrangeira no meu próprio 
                                      delírio]
Conduzindo esse espetáculo
temendo a regressão
Calando minha boca 
em tuas costas quentes
pra exibir minha devoção
Será audácia minha
querer escrever com caneta Bic
toda a minha poesia no teu corpo?
Se achar que louca estou
me indique a terapia certa
pra me salvar dessa utópica
                       dissimulação]

*Titulo: C. Meireles

quarta-feira, 2 de abril de 2014

Soneto a meu homem libertino

Eu não me enquadro
nesse teu quadro.
Não me contenho
nessas cores primárias.

Você poderia
me fazer bonita só de olhar.
Sem pintar, sem assinar.

Deixa que eu te assassino
dentro das palavras
[que jamais serão.

Que rezar, meu bem 
não basta
Se a fé não conhece
nossos nomes.

sexta-feira, 21 de março de 2014

Coragem adéliopradiana

Foi na controvérsia
que eu te sonhei
[sem dormir.

Há coisas que quis sentir
só para escrever.
Das outras, escrevi
só por sentir tanto.

Adélia diz que,
o orgulho fede como um bom cadáver.
E disse mais,

Só vai doer agora
e não muito.
Então, depois faço o que
com esse pranto perdido?

terça-feira, 18 de março de 2014

Da loucura ocasionada

Sobre hoje: 

Ele, eu queria revestido de plástico bolha.
Caso não inspirasse mais poesia,
não me causaria tédio.


Sobre ontem: