sábado, 14 de junho de 2014

Para ler ao som de Morning Theft, do Buckley

As músicas que eu lhe mostrei, 
desgostou de todas. 
Os livros que lhe indiquei,
iria ler depois, 
quem sabe algum dia.
Os filmes que 
minuciosamente escolhi 
de acordo com seu gosto, 
nem os títulos lhe apeteciam. 
Ele era majestosamente singular
em tudo] 
Nunca vi gostar de tão poucas coisas 
e não gostar de mim. 
Acho que do pouco, 
fui quase nada. 
Sobre o nada, 
ele não tinha profundidades. 
Manoel de Barros que o desculpe... 
Pois dele ainda gosto, 
como quem inventa 
um belo desprezo.

segunda-feira, 9 de junho de 2014

Era bom não saber

Elefantes marchavam 
no meu estômago
Mas até hoje não soube 
se aquilo era paixão





















Ilustração: Diego Sanchez Más Saint Martin

domingo, 1 de junho de 2014

Ai de mim! Ai, ai de mim!

   Queria que o mundo fosse menor hoje. Ontem eu bebi até chorar, porque não o alcanço mais nem no papel.  E eles me chantagearam, "engole o choro se quiser engolir mais vinho". Então bebi, mas terminei de chorar por dentro. Destilada em lágrimas e vinho e paixão barata, a poesia é que me saiu cara. 
   Feliz aniversário, meu anjo das asas quebradas. O céu continua escurecendo, a vida nos contempla de longe. Tu permaneces assim: parado, calado, quieto, sozinho. Na janela, olhando para fora. E eu, eu sonhei que você sonhava comigo. Tal como num conto abismal de Caio F.
   Porém, a verdade é que eu me importo demais pra lhe enviar isso, e prefiro pensar que você vai ficar pensando que eu não penso mais em você. E nesse pensamento, eu penso que, pensar afasta. 



sexta-feira, 23 de maio de 2014

Por quem ardo e não vejo

''Se essa atração ficar antiga
me teletransporto para o passado
só para te querer de novo''

Escrevi eu no último fevereiro
Escrevo eu todos os dias
só para te manter por perto

Faço tudo pra ficarmos bem
Me explico te aprendo 
E ainda não nos entendo
Tão míseros e mutáveis

Em dois quartetos
e dois tercetos
Você escapa de mim
e eu nunca digo nada


* Titulo Leminski



sexta-feira, 16 de maio de 2014

Ouse, depois me use

As verdades que dizemos
já não existem no outro dia
E somos covardes
por nos desfazermos assim,
da vontade de nos conhecer,
reconhecendo-nos sem avisos
Disse que faria muito mais por mim,
se pudesse
Mas penso: se ousasse
Julga ser idealizado
em prol da poesia
Deveria se sentir lisonjeado
Por eu querer te fazer 
mais do que uma companhia
Ah, que beleza de homem
incisivo remoto quiçá reto
Sem desespero, 
vê se sai do ponto de partida 
e me completa]

domingo, 11 de maio de 2014

Destruição em conta-gotas

Ele me diz coisas
dessas coisas que
elaboram um terrorismo
aqui dentro
Esse sentimento de pertencimento
sufoca
até matar tudo o que é viável sentir
Com a vaidade vencida
o poder de encantamento dele
me destrói corrompe consome definha
Deixando-me à mercê de vermes ávidos
Até Caio, entende
que ele não teve mãos para mim
Só aquela ternura distraída

Mas ele é a minha vontade
de dizer que quero viver isso
Como Leminski, sei que,
Sofrer vai ser a minha última obra

segunda-feira, 5 de maio de 2014

Te querer é regredir

Me abstenho de afetos maiores
Pois te espero, sem esperar
E quero espiá-lo por dentro
Para eu me decorar por fora
Apreciando as rupturas
o pudor diluído na ternura
intocada]
Teu nome passeando
na minha cabeça
no fluxo das horas]
A tolerância sem freio
se curvando para a 
mágoa com pressa 
Tua ausência nunca suprida
E a poesia submissa 
a esse meu gostar
que não gruda no teu peito