Você pode sentar nas pracinhas das fotografias e pensar nas madrugadas em que lia minhas poesias, e me dizia querer saber escrever coisas como eu. Você e toda a sua psicologia, querendo me colocar contra a parede até eu admitir ter escrito uma bela ilusão. Você sentia-se incapaz de inspirar um coração... Você pode continuar a esconder seu rosto nas mesmas fotografias, mas eu lhe vejo como ninguém. Diabólico, mas sem pretensão. Você não quer mudar o mundo, você só quer ser o João. O cara mais louco e sem rumo, que eu coloquei dentro do meu coração. Você me deu tanta segurança, se eu tivesse aceitado me daria seu corpo, papel para toda e qualquer poesia... Mais do que poesia e corpo, eu quis sua alma. Você adentrou aquele dois mil e doze, mas eu só lhe quis em dois mil e treze. Ah, seus olhos marginalizados, por você eu cometi um crime: escrever demais. Eu lhe escrevi na palma da minha mão, na parede do meu quarto e nos banheiros públicos mais fétidos da cidade...
Você na minha cabeça, vestindo uma camiseta branca e descansando um cigarro na boca. Você no outro lado da linha reclamando daquele frio de maio, rindo, bocejando, sendo tão menino. Você era tão meu, não sendo. Você é mau, isso sim.
Você pode não lembrar mais de mim, nas pracinhas ou em novas fotografias, tanto faz.... Essa paixão maldosa nunca vai ser esquecida.
sexta-feira, 27 de fevereiro de 2015
quarta-feira, 25 de fevereiro de 2015
Cada um com o seu João
Os dias me pediram
para escrever sobre João
[Peço licença
para a minha nova paixão]
João não morrerá aqui
Ele não beijava meus pés,
nem pisava nos mesmos
João admirava meus calos
e até fazia graça da aflição
Não massageava pés
e nem ego
''João'',
eu gosto tanto de escrever esse nome
Como se de cada letra,
eu absorvesse a poesia necessária
para perfumar as flores da cidade
João, mantém sua presença
nas nuvens mais carregadas
e na ausência mais indolor
João me esqueceu
só para eu lembrá-lo
em cada nova dor.
para escrever sobre João
[Peço licença
para a minha nova paixão]
João não morrerá aqui
Ele não beijava meus pés,
nem pisava nos mesmos
João admirava meus calos
e até fazia graça da aflição
Não massageava pés
e nem ego
''João'',
eu gosto tanto de escrever esse nome
Como se de cada letra,
eu absorvesse a poesia necessária
para perfumar as flores da cidade
João, mantém sua presença
nas nuvens mais carregadas
e na ausência mais indolor
João me esqueceu
só para eu lembrá-lo
em cada nova dor.
domingo, 22 de fevereiro de 2015
Poema diabético
Ao mesmo tempo
que eu queria
que ninguém soubesse
de nós
Eu quis também
publicar nossa paixão no jornal
Queria que se tornasse viral
esse sentimento bonito
Colar panfletos em todos os postes da cidade
com os nossos nomes dentro de um coração
Podíamos virar tema de palavra-cruzada
dentro dessa vida emaranhada
Pichar os bancos das praças e telefones públicos
Seríamos os mais bregas banais e pueris apaixonados
A vergonha e a inveja alheia
Nos definiríamos um para o outro como metade da laranja
e juntos nos conheceriam como Glicose
Também quis que ninguém nos soubesse,
pelo mistério de gostar assim
sem plateia
sem comparações com outros casais
sem frescuras matinais
Quis que ninguém soubesse
que por você eu deixei a solidão pra lá
mas até quem me vê passar
sabe que estou indo te encontrar
Agora quero que você saiba,
(com os outros sabendo ou não)
deitar na cama escutando sua respiração,
é respirar melhor.
30.01.2015
quinta-feira, 19 de fevereiro de 2015
Versos para desafogar
Isso é tanto...
Feito sopro de vida
Mas ainda insisto em me afogar
num copo d'água
Vagalume a percorrer a escuridão no campo
O pequeno ponto de luz logo se apaga
Isso pode acabar daqui a pouco
Como quando acaba o feijão no jantar
Me explica do que é feito o seu amor
Enquanto eu fecho os olhos para não chorar.
Feito sopro de vida
Mas ainda insisto em me afogar
num copo d'água
Vagalume a percorrer a escuridão no campo
O pequeno ponto de luz logo se apaga
Isso pode acabar daqui a pouco
Como quando acaba o feijão no jantar
Me explica do que é feito o seu amor
Enquanto eu fecho os olhos para não chorar.
terça-feira, 17 de fevereiro de 2015
Aprendi depressa a me sujar na sua paixão limpa
Somos os pontos que nunca se ligam,
porque não queremos revelar
imagem alguma
O contorno dos nossos corpos
enroscados na cama
vai virar uma imagem desfigurada
Porque a ressonância dos dias que passam
desfragmenta tudo
Eu sinto fome de exatidão,
a mesma exatidão que não nos alcança
Você pode povoar meu inferno,
eu posso descansar nas suas trevas
Mas nada nos é suficiente
Também pode escarrar na minha cara
e eu lamber o seu rosto
Ainda assim seremos cúmplices
Eu lhe odiando com força,
você rindo de mim com leveza
A impressão que revelamos - sem querer
é o desajuste
o absurdo
é essa paixão
que não se contenta só com isso
Você me contenta
mas não é o suficiente.
porque não queremos revelar
imagem alguma
O contorno dos nossos corpos
enroscados na cama
vai virar uma imagem desfigurada
Porque a ressonância dos dias que passam
desfragmenta tudo
Eu sinto fome de exatidão,
a mesma exatidão que não nos alcança
Você pode povoar meu inferno,
eu posso descansar nas suas trevas
Mas nada nos é suficiente
Também pode escarrar na minha cara
e eu lamber o seu rosto
Ainda assim seremos cúmplices
Eu lhe odiando com força,
você rindo de mim com leveza
A impressão que revelamos - sem querer
é o desajuste
o absurdo
é essa paixão
que não se contenta só com isso
Você me contenta
mas não é o suficiente.
sábado, 14 de fevereiro de 2015
Pelo amor ao Masoquismo
Salgo a comida por amor
Bebo chá fervendo por amor
Me mutilo
Me autossaboto
Me odeio
Me esqueço no frio
Me derreto no calor
Gosto de quem não gosta de mim
Gosto de quem vai embora
Gosto de quem não me lê
Gosto de quem lê e não me entende
Eu mesma não entendo porra nenhuma
E gosto do desgosto
de não saber como é gostar de mim
Assim,
sem doenças
neuras
histórias
e acasos
Gosto de não saber como é ser saudável
Gosto do erro,
e de ser errada
Sou a ovelha mais colorida da família
e mesmo assim em mim só enxergam
as escurezas.
26/01/2015
Bebo chá fervendo por amor
Me mutilo
Me autossaboto
Me odeio
Me esqueço no frio
Me derreto no calor
Gosto de quem não gosta de mim
Gosto de quem vai embora
Gosto de quem não me lê
Gosto de quem lê e não me entende
Eu mesma não entendo porra nenhuma
E gosto do desgosto
de não saber como é gostar de mim
Assim,
sem doenças
neuras
histórias
e acasos
Gosto de não saber como é ser saudável
Gosto do erro,
e de ser errada
Sou a ovelha mais colorida da família
e mesmo assim em mim só enxergam
as escurezas.
26/01/2015
quinta-feira, 12 de fevereiro de 2015
Descarna essa minha vontade de ser sempre só
Lá fora
sirenes buzinas
gritos latidos
Tudo anuncia continuidade,
apesar de tudo
A incerteza
sempre tão segura de si,
ao contrário de mim
Desculpe, meu bem...
Eu até gosto de ter nascido assim
Assim, medíocre
e condizente
com a minha desgraça particular
Você é tudo o que quis encontrar
e me encontrou primeiro
De alguma maneira, deixou-me
primeiro, também
Os outros homens,
tão comuns e enlatados
Você, tão alegremente enlutado...
Me desespera tanto
Por isso se parece comigo
O que eu não gosto em mim
aprecio em você.
sirenes buzinas
gritos latidos
Tudo anuncia continuidade,
apesar de tudo
A incerteza
sempre tão segura de si,
ao contrário de mim
Desculpe, meu bem...
Eu até gosto de ter nascido assim
Assim, medíocre
e condizente
com a minha desgraça particular
Você é tudo o que quis encontrar
e me encontrou primeiro
De alguma maneira, deixou-me
primeiro, também
Os outros homens,
tão comuns e enlatados
Você, tão alegremente enlutado...
Me desespera tanto
Por isso se parece comigo
O que eu não gosto em mim
aprecio em você.
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