segunda-feira, 11 de maio de 2015

Essa obsessão histórica está tatuada no peito do Tempo

Seus olhos negros
condecoram o seu rosto
de feições plastificadas
Você ainda é
o homem permanecido
O mesmo das praças
e fotografias
Não sei mais o que inventar
sobre você
Você me inventou
para sobreviver
em alguma poesia
E conseguiu
Conseguiu
mexer na minha vida
Lhe batizaria como João,
se este não fosse seu nome
Mas não é esta a vida
Só é este o tempo,
para cansar regando
essa paixão infrutífera
Eu lambi o chão
debaixo dos seus pés
para nunca falar de Amor
Eu errei
para não terminar te vendo
como o errado.

sexta-feira, 8 de maio de 2015

Hediondo seria não estar apaixonada

Gosto dessa paixão
que escarra na minha cara
e logo depois me lambe o rosto todo
Paixão que não pretende machucar,
mas machuca
me morde inteira
arranca meus cabelos
e me atira contra a parede
Depois me beija os hematomas
me cuida os arranhões
dedilha minha pele com delicadeza
Paixão que me canta músicas bonitas
e estraga músicas perfeitas
E me fala de sensações ímpares
e pinta uma conexão icônica
Paixão compatível com tudo que não pode durar
A mesma que dedetiza a normalidade
e nos blinda da conformidade
Paixão que não quero escrever sobre
mas escrevo escuto falo e choro
Paixão que ninguém assiste mas todos aplaudem
Paixão explanada, julgada senil
Paixão invejada, por ser mais quente
do que a água da ducha de todos os banheiros
A mesma que me esquece
só para me lembrar com mais força
e me querer com mais fome
Paixão que decora a mesa
e estende lençóis só para bagunçá-los melhor
Paixão que não acredito
mas digo que é a única que gostei de sentir
Paixão que senta comigo
e me olha por dentro enquanto escrevo isso.


11/02/2015

sexta-feira, 1 de maio de 2015

Você graciosamente defecando em minha poesia

Sem hesitar
você me quebra 
em milhões de pedacinhos 
e recusa-se a limpar a bagunça
Por julgar ser bom demais pra fazer isso
Seu senso de importância não me abrange,
então me fazer sentir especial
é árduo para o seu domínio 
Tento segurar sua mão,
mas você é tão escorregadio
Desliza sempre para mais longe,
como se fosse nutrido
pela ingenua certeza que lhe esperarei
até o fim deste dia
Já eu, me confundo ser inteira,
vivendo à margem desse seu amor pela metade
Fala coisas bonitas quando passa da hora,
agora passou a hora do meu café e pão com doce
Receio ter sentido essa vontade de escrever 
sobre isso
Porque o fim é apenas isso
Este amor por nós foi banalizado
Tornou-se algo tão prosaico quanto transitório
Você só sabe dizer sobre o que virá
Eu preciso saber o que somos
enquanto não viro esta página
Mas bem, isso não lhe importa.




sexta-feira, 24 de abril de 2015

Poema azul

























fev/2015

domingo, 19 de abril de 2015

João nunca voltará para casa

Leio suas antigas cartas
e parece que nunca nos perdemos
Sinto o peso de suas firmes mãos
em cada letra tremida 
desse papel agora carcomido pelas traças 
Faz alto inverno no meu corpo 
ao recordar do seu olhar quente
Você leitor, perceba bem a controvérsia
que ele me fez ser
Eu lhe escrevi durante toda a guerra
Nos lemos 
na fome
no frio
na dor
no medo
na esperança 
de vida, após mais um novo bombardeio

A última carta,
eu não sabia que era a última
Numa passagem, disse-me: A vida tem sempre uma desculpa.

Meu João, dize-me então 
em um outro tempo,
noutro espaço de vida... 
a desculpa para nos perder assim?

Hoje, ingenuamente o espero
com chuva e suco de maçã.

domingo, 12 de abril de 2015

Falhando até nos cansar

Eu não escrevo para afagar
Escrevo para fuçar a ferida,
higienizar o que a podridão 
não deixa cicatrizar
Escrevo pelo sangue
que fica mais bonito coagulado
Escrevo porque 
não me deram outra alternativa
Escrevo pra ler mais tarde
e achar alguma mudança em mim
Escrevo porque a dor 
é mais atraente no papel
Escrevo porque cansei de falar,
agora eu só falho.

17/02/2015

quinta-feira, 2 de abril de 2015

Soneto para te querer sempre

Se eu não te ver mais,
vou lembrar de tudo o que não inventei
Porque você gostar de mim,
vai além da minha imaginação

Essa paixão pendurada
nas linhas da minha poesia triste
me faz mais realidade

E se não nos encontrarmos
em nenhum outro lugar,
você pode aparecer aqui
para lembrar de como eu sou

Sou só um borrão na minha própria vida
Sou também este retrato das nossas pernas amontoadas
Repousando nosso medo de não sermos mais ''nós''.