quarta-feira, 22 de julho de 2015

Como dissera Manuel Bandeira, foi um buraco na minha vida

   Continuo a pensar em ti, como quem lustra o maior dos desesperos, o segurando com uma única mão. Tu me esqueceu com a capacidade de quem sabe desamar em nanossegundos. Sempre um esquece primeiro, quem dera fosse eu... Sem querer, querendo, eu saio me desintegrando em mãos desconhecidas só pra tentar me reconhecer. Chorei um rio inteiro depois do primeiro homem que beijei quando tudo entre nós findou-se. Quando beijei o segundo homem, gostei. 
   E senti medo. Porque vislumbrei tal esquecimento, como se fosse possível te arrastar para as profundezas da insignificância, somente para não acabar comigo. Tu não regressarás, nem por mim, nem por nada... Mesmo se o fizesses, não seríamos mais nós, pois, todo esse tempo sem tua presença fez-me ausentar-me de mim. Se tu voltasses, não terias mais eu pra ti. 
   Sendo assim, farei o que terceiros dizem-me. Guardarei o que foi bom, tentando lembrar menos até tudo se curar aqui dentro. Tu és meu amor mais dolorido-mentiroso-e-desleal. Não vou guardar muitas coisas boas não. Que pena, tu foste só olhos bonitos.


segunda-feira, 13 de julho de 2015

Diluvio nenhum nos explicaria

Era quase dia
Quando se trata dele
não sei ser exata
Então as horas 
pouco importam
Caminhávamos - à toa 
por aquelas ruas 
de casas coloridas
Carregando nossos espíritos 
em preto e branco
Eu falava sem cessar
e João ria tanto
Duas crianças eufóricas 
percorrendo as avenidas
mais bonitas da cidade
Quando ele segurou a minha mão,
entendi o porquê 
de eu ter vivido tantos dias ruins
Mesmo se não houvesse 
predestinação,
meu caminho se esbarra
sempre no dele
Em três meses ou um semestre,
um ano ou dois
Nosso silêncio 
sempre fora estardalhaço
e a saudade sangrenta
Cuja ausência
nunca seria suprida 
por qualquer paixãozinha primaveril
que viéssemos a sentir 
enquanto tentávamos nos perder
em lençóis alheios
Nosso amor é antediluviano
Noé enxergou em nós
o futuro e a salvação
Entramos naquela arca
sabendo que seríamos um do outro,
em todas as vidas.

quinta-feira, 9 de julho de 2015

E você nem legume é, porque até as alcachofras têm coração

Era uma cópia barata
de tudo o que eu sempre quis
Capaz de sentir um amor
mais barato ainda]
Desses que arremessa sentimentalidades ao vento
e diz eu te amo até para uma porta
Brincando de sentir,
enquanto se convence ser alguém de verdade
Mas quando se encara no espelho,
não vê nada além de um par de olhos traiçoeiros,
sustentados numa cabeça vazia
Em algum tempo atrás, escrevi que
ele era dono dos olhos mais bonitos
que já me olharam de volta
Hoje conserto minha errônea constatação
Ele é a mentira que a minha sinceridade abraçou.

Título: O Fabuloso Destino de Amélie Poulain
 


terça-feira, 7 de julho de 2015

Do pouco ao pó - pra quem me prometeu o mundo

Desconfio que tudo foi uma piada e a graça está em ter achado que isso não conheceria o fim tão cedo. Ele foi a pessoa mais perecível que a vida colocou nos meus dias. Me estraguei para acompanhá-lo, ninguém faria isso. Não por ele. Desdenhou do meu apreço do primeiro ao último dia, tornou tudo tão fatídico quanto irracional. O mesmo homem que vi sendo pedaço de mim, matou-me sem morrer, centenas de vezes no mês passado.
Deteriorando o significado da palavra Destino. O mesmo Destino que ressuscita calos antigos, mas também descalça os nossos sapatos, após um dia cansativo. Eu lhe emprestei o poder de remexer nos meus rascunhos para escrever uma nova história, cujos finais são sempre desesperados e massacrantes.
Fui tão imatura em perder meu fôlego com alguém que me afundava pra sentir-se bem. Nosso erro foi querer ser marinheiros dentro de uma pequena canoa, tentando remar de encontro a tempestade.

terça-feira, 30 de junho de 2015

É pra você que eu corro - sempre

Você desanuviou o céu pesado para que pudéssemos olhar para o alto sem receios. Eu viveria para sempre na sua brisa de homem lírico, se eu não me obrigasse a escrever sobre...
Sobre meu encanto latente por seus olhos de azeviche e suas mãos esculpidas por Deuses. O destino equalizou seu timbre para tocar no meu despertador. Dor, a mais bonita senti por você, João. Porque você nunca teve a intenção de me machucar. Eu que grudei o dedinho do pé numa quina qualquer e nunca mais sarou. Mas como você bem sabe, dizer isso hoje não estragará nada, que já não esteja podre há muito tempo. Creio que todos que passam e se vão da minha vida, sempre me direcionam até você. Até você que algemei em meus melhores poemas, que não conhecem a modéstia, pois, levam seu divino nome.
Você nunca me deixa, e como já escrevi outrora, você ressurge quando mais preciso de paixão. Paixão de verdade, que arde mas fica. Obrigada, por merecer o meu corpo e meu desassossego, dormir no teu peito apaga o tempo que não foi bom.

terça-feira, 23 de junho de 2015

O amor sempre me estapeia a cara por culpa de quem sentiu pouco

Seguirei escrevendo
sobre todo e qualquer amor
que revigora e devora a alma com gosto
Porém, os raios de Sol acariciam minha pele,
fazendo-me desejar outro amor
Outro amor que possa ser escrito
atrás da porta de algum banheiro público
Não escrito no papel higiênico,
enquanto você cagava planos de um futuro perfeito
Até o nosso amor virar merda...
E entupir o vaso, o nariz e as artérias.

segunda-feira, 15 de junho de 2015

Não, eu não sou o seu amor

Se eu fosse o seu amor
você se importaria
Se eu fosse o seu amor
não me enganaria
Se eu fosse o seu amor
sua mãe não se meteria
Se eu fosse o seu amor
você não me esqueceria
Se eu fosse a porra do seu amor
eu sentiria
Se eu fosse o seu amor
você me ligaria agora
Se você soubesse amar
alguém além de você
eu acreditaria
Se eu fosse o seu amor
amor me daria
Se eu fosse o seu amor
um homem de verdade você seria.