Seus olhos me buscavam feito caçador
E há muito tempo eu queria ser a sua caça
Você escorado naquele bar,
somente alguns passos longe de mim
Me olhando devorando consumindo dizimando toda
Como se já tivesse me visto nua
Eu gostei da brincadeira
E depois você comprovou
que eu adoro um bom jogo
Joguei suas roupas no chão,
elas cintilavam com as luzes da televisão
Suas mãos quentes
até agora não deixaram minha febre esfriar
Você é mesmo tudo aquilo que eu imaginava
Seu sorriso vai da perversão à graciosidade
em menos de um minuto
Eu gozei só de olhar pra você
e ver você sorrindo enquanto olhava pra mim
Se você não for tudo isso,
agradeça por este endeusamento,
me procurando para sermos um do outro mais vezes
Ah, eu quero pôr estes seus olhos de gato
dentro de um vidro em conserva
Só para ter essas pupilas dilatadas dia e noite só para mim
Desculpe soar obsessiva,
mas quero de novo percorrer sua pele macia
e beijar este arcanjo tatuado em suas costas
Prevejo mais uma alucinação poética,
essa chamarei de Dionísio
Deus grego, representante da insânia.
segunda-feira, 17 de agosto de 2015
quinta-feira, 6 de agosto de 2015
Ode ao sepultamento
Eu vou sepultar aquela vontade
que sempre tive de escrever
poesias em suas costas
Eu vou sepultar sua implicância
com as minhas meias
brancas, cinzas e pretas
Tão neutras como não foi o nosso amor
Eu vou sepultar a sensação
dos arrepios, dos orgasmos e das mágoas
Vou lhe enterrar, pois,
não aguento mais esse luto
Que insiste em aparecer
nos outdoors da cidade
para lembrar-me que no final
só eu lutei por nós
Não, não é injustiça, nem cena
Só o conheci quando fui desconhecendo
E doeu mais do que o fim.
Morra logo em mim...
que sempre tive de escrever
poesias em suas costas
Eu vou sepultar sua implicância
com as minhas meias
brancas, cinzas e pretas
Tão neutras como não foi o nosso amor
Eu vou sepultar a sensação
dos arrepios, dos orgasmos e das mágoas
Vou lhe enterrar, pois,
não aguento mais esse luto
Que insiste em aparecer
nos outdoors da cidade
para lembrar-me que no final
só eu lutei por nós
Não, não é injustiça, nem cena
Só o conheci quando fui desconhecendo
E doeu mais do que o fim.
Morra logo em mim...
quinta-feira, 30 de julho de 2015
Ria enquanto pode, logo você estará beijando o chão
Você nunca se despedaça
Já eu, me despetalo
todos os dias só para confimar
que mal-me-quer
Jogo coisas no meu corpo
para antecipar a degradação
O meu pior se teletransporta para o papel
e até comove quem não acredita no amor
Pois, minhas feridas letradas
tendem a tocar os que têm medo
de burlar as regras
Para não se verem jogados ao chão,
chorando por ter enlouquecido
Eu enlouqueci
Mas amanhã já esqueço
e choro e rio e escrevo e te penso
Como se fosse possível lembrá-lo
sem lhe odiar
Mas o amo
E por quê?
O que é a loucura
quando ela se esconde nas cenas passadas
e difusas
do nosso sexo?
De nossa ternura?
Da sua boca queimando minha pele?
Me defina a loucura que era explodir-se dentro de mim
e ainda assim continuar inteiro
e me fazer viva?
Eu enlouqueci porque na realidade
não posso ser mais sua
Mesmo louca, chorando no chão
Sinto que você ainda é meu.
Já eu, me despetalo
todos os dias só para confimar
que mal-me-quer
Jogo coisas no meu corpo
para antecipar a degradação
O meu pior se teletransporta para o papel
e até comove quem não acredita no amor
Pois, minhas feridas letradas
tendem a tocar os que têm medo
de burlar as regras
Para não se verem jogados ao chão,
chorando por ter enlouquecido
Eu enlouqueci
Mas amanhã já esqueço
e choro e rio e escrevo e te penso
Como se fosse possível lembrá-lo
sem lhe odiar
Mas o amo
E por quê?
O que é a loucura
quando ela se esconde nas cenas passadas
e difusas
do nosso sexo?
De nossa ternura?
Da sua boca queimando minha pele?
Me defina a loucura que era explodir-se dentro de mim
e ainda assim continuar inteiro
e me fazer viva?
Eu enlouqueci porque na realidade
não posso ser mais sua
Mesmo louca, chorando no chão
Sinto que você ainda é meu.
quarta-feira, 22 de julho de 2015
Como dissera Manuel Bandeira, foi um buraco na minha vida
Continuo a pensar em ti, como quem lustra o maior dos desesperos, o segurando com uma única mão. Tu me esqueceu com a capacidade de quem sabe desamar em nanossegundos. Sempre um esquece primeiro, quem dera fosse eu... Sem querer, querendo, eu saio me desintegrando em mãos desconhecidas só pra tentar me reconhecer. Chorei um rio inteiro depois do primeiro homem que beijei quando tudo entre nós findou-se. Quando beijei o segundo homem, gostei.
E senti medo. Porque vislumbrei tal esquecimento, como se fosse possível te arrastar para as profundezas da insignificância, somente para não acabar comigo. Tu não regressarás, nem por mim, nem por nada... Mesmo se o fizesses, não seríamos mais nós, pois, todo esse tempo sem tua presença fez-me ausentar-me de mim. Se tu voltasses, não terias mais eu pra ti.
Sendo assim, farei o que terceiros dizem-me. Guardarei o que foi bom, tentando lembrar menos até tudo se curar aqui dentro. Tu és meu amor mais dolorido-mentiroso-e-desleal. Não vou guardar muitas coisas boas não. Que pena, tu foste só olhos bonitos.
E senti medo. Porque vislumbrei tal esquecimento, como se fosse possível te arrastar para as profundezas da insignificância, somente para não acabar comigo. Tu não regressarás, nem por mim, nem por nada... Mesmo se o fizesses, não seríamos mais nós, pois, todo esse tempo sem tua presença fez-me ausentar-me de mim. Se tu voltasses, não terias mais eu pra ti.
Sendo assim, farei o que terceiros dizem-me. Guardarei o que foi bom, tentando lembrar menos até tudo se curar aqui dentro. Tu és meu amor mais dolorido-mentiroso-e-desleal. Não vou guardar muitas coisas boas não. Que pena, tu foste só olhos bonitos.
segunda-feira, 13 de julho de 2015
Diluvio nenhum nos explicaria
Era quase dia
Quando se trata dele
não sei ser exata
Então as horas
pouco importam
Caminhávamos - à toa
por aquelas ruas
de casas coloridas
Carregando nossos espíritos
em preto e branco
Eu falava sem cessar
e João ria tanto
Duas crianças eufóricas
percorrendo as avenidas
mais bonitas da cidade
Quando ele segurou a minha mão,
entendi o porquê
de eu ter vivido tantos dias ruins
Mesmo se não houvesse
predestinação,
meu caminho se esbarra
sempre no dele
Em três meses ou um semestre,
um ano ou dois
Nosso silêncio
sempre fora estardalhaço
e a saudade sangrenta
Cuja ausência
nunca seria suprida
por qualquer paixãozinha primaveril
que viéssemos a sentir
enquanto tentávamos nos perder
em lençóis alheios
Nosso amor é antediluviano
Noé enxergou em nós
o futuro e a salvação
Entramos naquela arca
sabendo que seríamos um do outro,
em todas as vidas.
Quando se trata dele
não sei ser exata
Então as horas
pouco importam
Caminhávamos - à toa
por aquelas ruas
de casas coloridas
Carregando nossos espíritos
em preto e branco
Eu falava sem cessar
e João ria tanto
Duas crianças eufóricas
percorrendo as avenidas
mais bonitas da cidade
Quando ele segurou a minha mão,
entendi o porquê
de eu ter vivido tantos dias ruins
Mesmo se não houvesse
predestinação,
meu caminho se esbarra
sempre no dele
Em três meses ou um semestre,
um ano ou dois
Nosso silêncio
sempre fora estardalhaço
e a saudade sangrenta
Cuja ausência
nunca seria suprida
por qualquer paixãozinha primaveril
que viéssemos a sentir
enquanto tentávamos nos perder
em lençóis alheios
Nosso amor é antediluviano
Noé enxergou em nós
o futuro e a salvação
Entramos naquela arca
sabendo que seríamos um do outro,
em todas as vidas.
quinta-feira, 9 de julho de 2015
E você nem legume é, porque até as alcachofras têm coração
Era uma cópia barata
de tudo o que eu sempre quis
Capaz de sentir um amor
mais barato ainda]
Desses que arremessa sentimentalidades ao vento
e diz eu te amo até para uma porta
Brincando de sentir,
enquanto se convence ser alguém de verdade
Mas quando se encara no espelho,
não vê nada além de um par de olhos traiçoeiros,
sustentados numa cabeça vazia
Em algum tempo atrás, escrevi que
ele era dono dos olhos mais bonitos
que já me olharam de volta
Hoje conserto minha errônea constatação
Ele é a mentira que a minha sinceridade abraçou.
Título: O Fabuloso Destino de Amélie Poulain
de tudo o que eu sempre quis
Capaz de sentir um amor
mais barato ainda]
Desses que arremessa sentimentalidades ao vento
e diz eu te amo até para uma porta
Brincando de sentir,
enquanto se convence ser alguém de verdade
Mas quando se encara no espelho,
não vê nada além de um par de olhos traiçoeiros,
sustentados numa cabeça vazia
Em algum tempo atrás, escrevi que
ele era dono dos olhos mais bonitos
que já me olharam de volta
Hoje conserto minha errônea constatação
Ele é a mentira que a minha sinceridade abraçou.
Título: O Fabuloso Destino de Amélie Poulain
terça-feira, 7 de julho de 2015
Do pouco ao pó - pra quem me prometeu o mundo
Desconfio que tudo foi uma piada e a graça está em ter achado que isso não conheceria o fim tão cedo. Ele foi a pessoa mais perecível que a vida colocou nos meus dias. Me estraguei para acompanhá-lo, ninguém faria isso. Não por ele. Desdenhou do meu apreço do primeiro ao último dia, tornou tudo tão fatídico quanto irracional. O mesmo homem que vi sendo pedaço de mim, matou-me sem morrer, centenas de vezes no mês passado.
Deteriorando o significado da palavra Destino. O mesmo Destino que ressuscita calos antigos, mas também descalça os nossos sapatos, após um dia cansativo. Eu lhe emprestei o poder de remexer nos meus rascunhos para escrever uma nova história, cujos finais são sempre desesperados e massacrantes.
Fui tão imatura em perder meu fôlego com alguém que me afundava pra sentir-se bem. Nosso erro foi querer ser marinheiros dentro de uma pequena canoa, tentando remar de encontro a tempestade.
Deteriorando o significado da palavra Destino. O mesmo Destino que ressuscita calos antigos, mas também descalça os nossos sapatos, após um dia cansativo. Eu lhe emprestei o poder de remexer nos meus rascunhos para escrever uma nova história, cujos finais são sempre desesperados e massacrantes.
Fui tão imatura em perder meu fôlego com alguém que me afundava pra sentir-se bem. Nosso erro foi querer ser marinheiros dentro de uma pequena canoa, tentando remar de encontro a tempestade.
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