Será João, mais do que um personagem
que vive nas frestas de mim
e brota feito erva daninha em meio ao nada?
Somente para me provar que pode sim, ser tudo?
Eu queria que ele fizesse parte dos outros
Que como os outros, mentisse que vai ficar
e sumisse do mapa depois
Mas suas expressões miraculosas estampam minha mente cansada
Pra onde ele vai quando não se mistura na multidão?
Alguém me diz aonde fica ele
quando o expulso da minha vida primordial
e prometo nunca mais trazê-lo para este papel
Depois de tanto travar guerra entre sossego
e anseio pela morte
Me vejo bem, e me vejo insípida
para acompanhá-lo
Talvez eu não vá além da mulher fatídica
e perfurada em frente ao espelho
Será que ele está pronto para isso?
Pronto para mim?
Pensando bem, talvez eu seja João
Um verme que habita frestas
porque não consegue aceitar
morar no peito de outrem
Se João não combina comigo
Eu o encaixo junto de qualquer confusão.
segunda-feira, 7 de setembro de 2015
quarta-feira, 2 de setembro de 2015
O exagero me comeu
Olho suas fotografias e me dá vontade de lambe-las
Você é uma vertiginosa tentação contida num poema de Drummond
Quero mesmo lhe assustar com todas as minhas palavras incontidas
Posso lhe enviar poemas aos domingos?
Juro que meu problema maior é ser eu mesma,
fora isso, só a irracionalidade me abrange
Eu estou encantada, Dionísio
Qual das mulheres da cidade não estaria?
Você é moço bonito e sabe disso
Mas suponho que não são todas que podem lhe despir
(só com os olhos)
Eu tive o deleite de percorrer o seu corpo,
como quem corre uma maratona e não se cansa
Mas agora sinto fome do seu cheiro da sua pele dos seus olhos de gato
E lhe quero mais uma vez, só para essa atração acabar
Antes que acabe comigo.
Título: Mônica Montone
Você é uma vertiginosa tentação contida num poema de Drummond
Quero mesmo lhe assustar com todas as minhas palavras incontidas
Posso lhe enviar poemas aos domingos?
Juro que meu problema maior é ser eu mesma,
fora isso, só a irracionalidade me abrange
Eu estou encantada, Dionísio
Qual das mulheres da cidade não estaria?
Você é moço bonito e sabe disso
Mas suponho que não são todas que podem lhe despir
(só com os olhos)
Eu tive o deleite de percorrer o seu corpo,
como quem corre uma maratona e não se cansa
Mas agora sinto fome do seu cheiro da sua pele dos seus olhos de gato
E lhe quero mais uma vez, só para essa atração acabar
Antes que acabe comigo.
Título: Mônica Montone
domingo, 30 de agosto de 2015
segunda-feira, 24 de agosto de 2015
Santificada seja a loucura
Eu preciso escrever um poema
Que valha esta confusão
A efemeridade nos deixa enfermos
E gostamos de nos reduzir por coisas pequenas
Como se o mundo se curvasse para tal fragilidade
Ter alguém por algumas horas meses e anos,
não faz diferença
Quando o que temos em troca são apenas ossos amontoados
em charme e desprendimento
Eu gosto de escrever
sobre quem não existe
Farei isso até aparecer alguém
que eu não precise inventar
Queria inventar mais tempo
Pra dar tempo de alguém também me amar
Olhos verdes têm sido a minha sina
Um par mais traiçoeiro que o outro
Já eu, estou amontoada em ossos
e desespero
E igual Adélia, só tenho dois caminhos
Ou viro doida, ou santa.
Que valha esta confusão
A efemeridade nos deixa enfermos
E gostamos de nos reduzir por coisas pequenas
Como se o mundo se curvasse para tal fragilidade
Ter alguém por algumas horas meses e anos,
não faz diferença
Quando o que temos em troca são apenas ossos amontoados
em charme e desprendimento
Eu gosto de escrever
sobre quem não existe
Farei isso até aparecer alguém
que eu não precise inventar
Queria inventar mais tempo
Pra dar tempo de alguém também me amar
Olhos verdes têm sido a minha sina
Um par mais traiçoeiro que o outro
Já eu, estou amontoada em ossos
e desespero
E igual Adélia, só tenho dois caminhos
Ou viro doida, ou santa.
quinta-feira, 20 de agosto de 2015
Dionísio não quer me deixar dormir, e nem sabe
Estou tentando
não transformar isso
em uma nova ilusão
Eu mudei todo o meu trajeto na cidade
para não passar por você
Assim, propositalmente,
como quem provou e gostou mais do que devia
Mas eu não sou assim, e preciso tanto
que você saiba
Distraída atalhando esquinas,
você se materializa no meu caminho
num susto tão bom
Então me abraçou
provando que aquela madrugada
não fora invenção da minha mente pecaminosa
Não sei o que está acontecendo,
mas eu não deveria estar escrevendo sobre você
Não que você não mereça, não é isto
Você já é uma biblioteca ambulante
Há em você ação romance fantasia drama
e até terror
O meu terror
de ter tido você e ainda não acreditar
Já está me dando vontade
de agir feito a louca que sou
Mas não sei como você aceitaria isso
Eu podia furar a rua do seu trabalho
Eu podia jogar bilhetes em seu quintal
Ou podia simplesmente fazer de conta
que pra mim foi só aquela noite e nada mais
Assim seguimos nossas vidas,
nos encontrando em ruas alheias
e dividindo olhares ternos ou educados
Mas eu quero ser a louca de sempre,
quero que a luz da sua televisão
seja a única a iluminar
nossas peles grudadas novamente.
não transformar isso
em uma nova ilusão
Eu mudei todo o meu trajeto na cidade
para não passar por você
Assim, propositalmente,
como quem provou e gostou mais do que devia
Mas eu não sou assim, e preciso tanto
que você saiba
Distraída atalhando esquinas,
você se materializa no meu caminho
num susto tão bom
Então me abraçou
provando que aquela madrugada
não fora invenção da minha mente pecaminosa
Não sei o que está acontecendo,
mas eu não deveria estar escrevendo sobre você
Não que você não mereça, não é isto
Você já é uma biblioteca ambulante
Há em você ação romance fantasia drama
e até terror
O meu terror
de ter tido você e ainda não acreditar
Já está me dando vontade
de agir feito a louca que sou
Mas não sei como você aceitaria isso
Eu podia furar a rua do seu trabalho
Eu podia jogar bilhetes em seu quintal
Ou podia simplesmente fazer de conta
que pra mim foi só aquela noite e nada mais
Assim seguimos nossas vidas,
nos encontrando em ruas alheias
e dividindo olhares ternos ou educados
Mas eu quero ser a louca de sempre,
quero que a luz da sua televisão
seja a única a iluminar
nossas peles grudadas novamente.
segunda-feira, 17 de agosto de 2015
Sem flechas e arpões, você foi meu. Porque sussurrou no meu ouvido que eu seria sua e fui.
Seus olhos me buscavam feito caçador
E há muito tempo eu queria ser a sua caça
Você escorado naquele bar,
somente alguns passos longe de mim
Me olhando devorando consumindo dizimando toda
Como se já tivesse me visto nua
Eu gostei da brincadeira
E depois você comprovou
que eu adoro um bom jogo
Joguei suas roupas no chão,
elas cintilavam com as luzes da televisão
Suas mãos quentes
até agora não deixaram minha febre esfriar
Você é mesmo tudo aquilo que eu imaginava
Seu sorriso vai da perversão à graciosidade
em menos de um minuto
Eu gozei só de olhar pra você
e ver você sorrindo enquanto olhava pra mim
Se você não for tudo isso,
agradeça por este endeusamento,
me procurando para sermos um do outro mais vezes
Ah, eu quero pôr estes seus olhos de gato
dentro de um vidro em conserva
Só para ter essas pupilas dilatadas dia e noite só para mim
Desculpe soar obsessiva,
mas quero de novo percorrer sua pele macia
e beijar este arcanjo tatuado em suas costas
Prevejo mais uma alucinação poética,
essa chamarei de Dionísio
Deus grego, representante da insânia.
E há muito tempo eu queria ser a sua caça
Você escorado naquele bar,
somente alguns passos longe de mim
Me olhando devorando consumindo dizimando toda
Como se já tivesse me visto nua
Eu gostei da brincadeira
E depois você comprovou
que eu adoro um bom jogo
Joguei suas roupas no chão,
elas cintilavam com as luzes da televisão
Suas mãos quentes
até agora não deixaram minha febre esfriar
Você é mesmo tudo aquilo que eu imaginava
Seu sorriso vai da perversão à graciosidade
em menos de um minuto
Eu gozei só de olhar pra você
e ver você sorrindo enquanto olhava pra mim
Se você não for tudo isso,
agradeça por este endeusamento,
me procurando para sermos um do outro mais vezes
Ah, eu quero pôr estes seus olhos de gato
dentro de um vidro em conserva
Só para ter essas pupilas dilatadas dia e noite só para mim
Desculpe soar obsessiva,
mas quero de novo percorrer sua pele macia
e beijar este arcanjo tatuado em suas costas
Prevejo mais uma alucinação poética,
essa chamarei de Dionísio
Deus grego, representante da insânia.
quinta-feira, 6 de agosto de 2015
Ode ao sepultamento
Eu vou sepultar aquela vontade
que sempre tive de escrever
poesias em suas costas
Eu vou sepultar sua implicância
com as minhas meias
brancas, cinzas e pretas
Tão neutras como não foi o nosso amor
Eu vou sepultar a sensação
dos arrepios, dos orgasmos e das mágoas
Vou lhe enterrar, pois,
não aguento mais esse luto
Que insiste em aparecer
nos outdoors da cidade
para lembrar-me que no final
só eu lutei por nós
Não, não é injustiça, nem cena
Só o conheci quando fui desconhecendo
E doeu mais do que o fim.
Morra logo em mim...
que sempre tive de escrever
poesias em suas costas
Eu vou sepultar sua implicância
com as minhas meias
brancas, cinzas e pretas
Tão neutras como não foi o nosso amor
Eu vou sepultar a sensação
dos arrepios, dos orgasmos e das mágoas
Vou lhe enterrar, pois,
não aguento mais esse luto
Que insiste em aparecer
nos outdoors da cidade
para lembrar-me que no final
só eu lutei por nós
Não, não é injustiça, nem cena
Só o conheci quando fui desconhecendo
E doeu mais do que o fim.
Morra logo em mim...
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