segunda-feira, 28 de setembro de 2015

Ele desdenhou daquele poema, e já estou aqui lhe oferecendo este soneto

Dionísio me põe em combustão
Porém, ele é corrosivo demais,
até dentro dos meus devaneios

Ele não merece este soneto
E eu não mereço este café requentado
que bebo enquanto escrevo isto

Mas eu gostaria que ele soubesse que
eu tiro as meias enquanto durmo
e que gosto de cinco colheres de açúcar no mesmo café requentado
Principalmente soubesse que minha cor favorita é azul

Ele personifica todas as conjunturas
E sobrevive na destilação de poesia e pouca fé
Não sei o que será de mim
Só sei que ele não quer saber nada disso

segunda-feira, 7 de setembro de 2015

Eu só quero querer João

Será João, mais do que um personagem
que vive nas frestas de mim
e brota feito erva daninha em meio ao nada?
Somente para me provar que pode sim, ser tudo?
Eu queria que ele fizesse parte dos outros
Que como os outros, mentisse que vai ficar
e sumisse do mapa depois
Mas suas expressões miraculosas estampam minha mente cansada
Pra onde ele vai quando não se mistura na multidão?
Alguém me diz aonde fica ele
quando o expulso da minha vida primordial
e prometo nunca mais trazê-lo para este papel
Depois de tanto travar guerra entre sossego 
e anseio pela morte
Me vejo bem, e me vejo insípida
para acompanhá-lo

Talvez eu não vá além da mulher fatídica 
e perfurada em frente ao espelho
Será que ele está pronto para isso?
Pronto para mim?
Pensando bem, talvez eu seja João
Um verme que habita frestas 
porque não consegue aceitar 
morar no peito de outrem
Se João não combina comigo 
Eu o encaixo junto de qualquer confusão.




quarta-feira, 2 de setembro de 2015

O exagero me comeu

Olho suas fotografias e me dá vontade de lambe-las
Você é uma vertiginosa tentação contida num poema de Drummond
Quero mesmo lhe assustar com todas as minhas palavras incontidas
Posso lhe enviar poemas aos domingos?
Juro que meu problema maior é ser eu mesma, 
fora isso, só a irracionalidade me abrange
Eu estou encantada, Dionísio 
Qual das mulheres da cidade não estaria?
Você é moço bonito e sabe disso
Mas suponho que não são todas que podem lhe despir 
(só com os olhos)
Eu tive o deleite de percorrer o seu corpo, 
como quem corre uma maratona e não se cansa
Mas agora sinto fome do seu cheiro da sua pele dos seus olhos de gato
E lhe quero mais uma vez, só para essa atração acabar
Antes que acabe comigo.


Título: Mônica Montone

domingo, 30 de agosto de 2015

segunda-feira, 24 de agosto de 2015

Santificada seja a loucura

Eu preciso escrever um poema
Que valha esta confusão
A efemeridade nos deixa enfermos
E gostamos de nos reduzir por coisas pequenas
Como se o mundo se curvasse para tal fragilidade
Ter alguém por algumas horas meses e anos,

não faz diferença
Quando o que temos em troca são apenas ossos amontoados

em charme e desprendimento
Eu gosto de escrever
sobre quem não existe
Farei isso até aparecer alguém
que eu não precise inventar
Queria inventar mais tempo
Pra dar tempo de alguém também me amar
Olhos verdes têm sido a minha sina
Um par mais traiçoeiro que o outro

Já eu, estou amontoada em ossos
e desespero
E igual Adélia, só tenho dois caminhos
Ou viro doida, ou santa.

quinta-feira, 20 de agosto de 2015

Dionísio não quer me deixar dormir, e nem sabe

Estou tentando 
não transformar isso 
em uma nova ilusão 
Eu mudei todo o meu trajeto na cidade 
para não passar por você
Assim, propositalmente,
como quem provou e gostou mais do que devia 
Mas eu não sou assim, e preciso tanto
que você saiba
Distraída atalhando esquinas,
você se materializa no meu caminho
num susto tão bom
Então me abraçou 
provando que aquela madrugada 
não fora invenção da minha mente pecaminosa
Não sei o que está acontecendo,
mas eu não deveria estar escrevendo sobre você
Não que você não mereça, não é isto
Você já é uma biblioteca ambulante
Há em você ação romance fantasia drama
e até terror
O meu terror 
de ter tido você e ainda não acreditar
Já está me dando vontade
de agir feito a louca que sou
Mas não sei como você aceitaria isso
Eu podia furar a rua do seu trabalho
Eu podia jogar bilhetes em seu quintal
Ou podia simplesmente fazer de conta
que pra mim foi só aquela noite e nada mais
Assim seguimos nossas vidas, 
nos encontrando em ruas alheias 
e dividindo olhares ternos ou educados
Mas eu quero ser a louca de sempre,
quero que a luz da sua televisão 
seja a única a iluminar 
nossas peles grudadas novamente.

segunda-feira, 17 de agosto de 2015

Sem flechas e arpões, você foi meu. Porque sussurrou no meu ouvido que eu seria sua e fui.

Seus olhos me buscavam feito caçador
E há muito tempo eu queria ser a sua caça
Você escorado naquele bar,
somente alguns passos longe de mim
Me olhando devorando consumindo dizimando toda
Como se já tivesse me visto nua
Eu gostei da brincadeira
E depois você comprovou
que eu adoro um bom jogo
Joguei suas roupas no chão,
elas cintilavam com as luzes da televisão
Suas mãos quentes 
até agora não deixaram minha febre esfriar
Você é mesmo tudo aquilo que eu imaginava
Seu sorriso vai da perversão à graciosidade 
em menos de um minuto
Eu gozei só de olhar pra você
e ver você sorrindo enquanto olhava pra mim
Se você não for tudo isso,
agradeça por este endeusamento,
me procurando para sermos um do outro mais vezes 
Ah, eu quero pôr estes seus olhos de gato 
dentro de um vidro em conserva
Só para ter essas pupilas dilatadas dia e noite só para mim
Desculpe soar obsessiva,
mas quero de novo percorrer sua pele macia
e beijar este arcanjo tatuado em suas costas
Prevejo mais uma alucinação poética,
essa chamarei de Dionísio
Deus grego, representante da insânia.