Os cosmos vibram e anseiam
por mais um novo poema
Vênus se entristece por mim,
por eu não ter mais ânimo pra isso
Escrever sobre pessoas rasas
virou meu fado permanente
O homem possuinte dos olhos verdes
quis me ver passar junto aos transeuntes
Porque eu fui mais uma pessoa
que lhe tocou sem realmente tocar
Nem astros, nem cosmos,
búzios e cartas
podem fazê-lo me notar
Eu cheguei nele
com minhas palavras dispostas
e com a alma em letargia
Ele nem sonha que é meu Dionísio,
minha escultura greco-romana,
minha lira mal feita
Se sonhasse, não dormiria mais
E eu digna de pena,
sempre querendo me ancorar nestes cais
Meu alimento queima no fogão
enquanto escrevo isso,
eu queimo inteira por ele
Por ele não me querer por tudo isso.
quinta-feira, 15 de outubro de 2015
terça-feira, 13 de outubro de 2015
Chico sabe, que ele me comeu com aqueles olhos de comer fotografia. Mas foi só isso.
Dionísio se desfez do meu encanto impalavrável
E eu voltei a não ter norte
Joguei as palavras no ar, para que ele as pegasse, as protegesse
Mas nada fez
Ficou as observando, com desdém, quiçá medo
Chegar como quem quer tudo, não foi uma boa ideia
No entanto, eu sou a dona dos sentimentos intempestivos
Ele decidiu que seríamos nada,
eu só posso esperar que a Poesia me abençoe
Já que os Deuses não me desculparam
Talvez ele tenha sido mais uma pessoa rasa
que tive o infortúnio de encontrar pelo caminho,
cuja pessoa encobri com minha profundidade
somente para comover os meus dias
Mas a comoção não foi libertadora
Eu me liberto agora, dessa paixão monumental
Paixão engessada, criada para não ser.
E eu voltei a não ter norte
Joguei as palavras no ar, para que ele as pegasse, as protegesse
Mas nada fez
Ficou as observando, com desdém, quiçá medo
Chegar como quem quer tudo, não foi uma boa ideia
No entanto, eu sou a dona dos sentimentos intempestivos
Ele decidiu que seríamos nada,
eu só posso esperar que a Poesia me abençoe
Já que os Deuses não me desculparam
Talvez ele tenha sido mais uma pessoa rasa
que tive o infortúnio de encontrar pelo caminho,
cuja pessoa encobri com minha profundidade
somente para comover os meus dias
Mas a comoção não foi libertadora
Eu me liberto agora, dessa paixão monumental
Paixão engessada, criada para não ser.
quinta-feira, 8 de outubro de 2015
Hilst que me perdoe II
Rasgo minha pele só pra ver como sou por dentro... Pois, não sinto borboletas sobrevoando meu estômago e de beleza interior nunca entendi nada.
Rasgo minha pele para ver o que há nas entranhas, nas tripas, nos ossos... Mas não me enxergo em nada.
Onde estou? Hilst, disse que eu não me movo de mim. Mas será que eu fui eu, enquanto escrevia isto?
15/09/2015
Rasgo minha pele para ver o que há nas entranhas, nas tripas, nos ossos... Mas não me enxergo em nada.
Onde estou? Hilst, disse que eu não me movo de mim. Mas será que eu fui eu, enquanto escrevia isto?
15/09/2015
sexta-feira, 2 de outubro de 2015
Os Deuses precisam me desculpar por esta utopia
Eu poderia fazer um chá e tentar dormir, agora mesmo 12:32, e acordar só amanhã. Mas esse deslumbramento não iria me abandonar nem com um sono profundo. Não paro de pensar naqueles olhos sobre mim, Adélia Prado entende essa minha nova paixão que gosta de judiar. Levo dias para conseguir formular uma frase que seja, para aliviar meu pútrido coração que nunca se restabelece, parece ter uma inexplicável atração pelo abismo. Estou apaixonada pelo homem mais alucinante da cidade, o encontrei naquele bar e me desencontrei de mim. Eu que nunca quis me achar.
Eu só queria mais tempo, tempo para traduzi-lo na minha pele e sentir medo e sentir o furor e sentir e sentir e apenas sentir. Estou caindo, e a tentação não está me alegrando. O que eu faço? Um banho gelado não vai esfriar minha mente que borbulha de encantamento. Estou cansada. Minha poesia não o alcançará. E eu não posso chorar por isso. Mas é desgastante. Ele é um homem sensível, mas a humanidade lhe comove mais do que a arte. Meus versos e minhas linhas corridas não vão lhe comover. Ele só vai correr de mim. Estou com medo de mim.
Eu queria lhe esquecer, mas a cidade é tão pequena. Vai me esfregar aquela escultura renascentista nas minhas fuças na mais próxima avenida. Ele sofre pelo mundo doente, e eu tenho medo de inventar uma nova doença por causa dele. Um amigo disse-me que fui picada pelo mosquito do diabo, receio muito, porque é a crua verdade. A verdade tem me agredido. Há madrugadas em que sonho com ele, e acordo pedindo perdão aos céus por tamanho disparate. Ele sabe que é uma divindade poética mesclada aos personagens mais boêmios e insanos de Bukowski, ele sabe da loucura, ele sabe do êxtase, ele sabe que seus olhos podem lhe garantir quase tudo e eu só quero saber se seus olhos lhe salvarão sempre.
Ele me faz ter vontade de escrever sem pontos finais, porque há muita coisa nele que eu desejo descobrir. Sobre todas as pessoas que escrevi, somente para ele quero mostrar tudo. Para que ele venha lembrar de mim pelo que escrevo, tal como Caio F. queria tanto. Eu poderia citar todos os meus escritores preferidos para tentar dizer o que preciso dizer, mas não sei o que quero dizer. O torpor começa quando eu penso. E tenho pensado diuturnamente. Como se ele fosse uma criatura mística que tenta em vão me deixar em eterno estado de desassossego, logo eu, que possuo uma alma anarquista.
Oscar Wilde escreveu que a paixão é um privilégio dos que não têm nada para fazer, mas ele também escreveu Dorian Gray, e veja bem, a minha divindade-poética-e mística também é a personificação desse personagem profano. Será que eu quero apenas o corpo dele repousando sob o meu ao findar a noite, para manter-me nesse estado perpétuo de adoração para ter o que escrever? Só sei que quando o vejo, fico louca. Meu olhar tenta se estender no dele, mas a ilusão me belisca forte. Quer trazer-me para a realidade que me parece tão irreal. Tudo culpa da literatura.
A vida dentro de um quarto trancado após os raios do meio dia, com alguém entorpecido pelo álcool e pela falta de tato só é atraente dentro das narrativas do velho safado. Fora isso, a solidão quer nos mastigar a todo instante. E o vazio sempre aparece no reflexo do espelho sujo. Tudo é muito decadente. Ele me intimida de modo imensurável. Essa tal sensação me acalenta e esbofeteia ao mesmo tempo... Porém, escrever sobre ele, tem colorido a minha vida - com o caos do problema - igualzinho àquela canção de Belle and Sebastian. Ele pode ter quem quiser, mas será que quer alguém? Ele é uma incógnita ambulante, e eu gosto disso. Não sei se ele é feliz ou triste, eu ficaria por horas escutando ele falar sobre o seu descontentamento sobre a vida e amor pela mesma.
Ele, nessas semanas todas tem sido ele. Eu tenho medo de assustá-lo, mas não consigo ficar quieta. Acho que este encantamento não deve ficar preso no papel, se não fará mal a ninguém, além de mim. E eu não quero me sentir mal, a minha poesia não merece me ver assim. Ele desdenhou daquele poema que lhe enviei, e eu segui a escrever. O incômodo persiste, mas não é maior que a vontade da aproximação. Não é a minha intenção forçar nada, eu posso vê-lo e desviar o olhar, eu posso vê-lo e fingir que não lhe contemplei nu. Eu posso ficar inerte, e esquecer tudo... Mas não quero.
Eu quero os olhos dele em mim para que eu possa escrever uma centena de poemas. Quero a combustão de não saber o que fazer, de não saber pra onde olhar, se ele me olhar de volta. Quero que ele me inspire até abrir um buraco dentro da minha cabeça.
Eu só queria mais tempo, tempo para traduzi-lo na minha pele e sentir medo e sentir o furor e sentir e sentir e apenas sentir. Estou caindo, e a tentação não está me alegrando. O que eu faço? Um banho gelado não vai esfriar minha mente que borbulha de encantamento. Estou cansada. Minha poesia não o alcançará. E eu não posso chorar por isso. Mas é desgastante. Ele é um homem sensível, mas a humanidade lhe comove mais do que a arte. Meus versos e minhas linhas corridas não vão lhe comover. Ele só vai correr de mim. Estou com medo de mim.
Eu queria lhe esquecer, mas a cidade é tão pequena. Vai me esfregar aquela escultura renascentista nas minhas fuças na mais próxima avenida. Ele sofre pelo mundo doente, e eu tenho medo de inventar uma nova doença por causa dele. Um amigo disse-me que fui picada pelo mosquito do diabo, receio muito, porque é a crua verdade. A verdade tem me agredido. Há madrugadas em que sonho com ele, e acordo pedindo perdão aos céus por tamanho disparate. Ele sabe que é uma divindade poética mesclada aos personagens mais boêmios e insanos de Bukowski, ele sabe da loucura, ele sabe do êxtase, ele sabe que seus olhos podem lhe garantir quase tudo e eu só quero saber se seus olhos lhe salvarão sempre.
Ele me faz ter vontade de escrever sem pontos finais, porque há muita coisa nele que eu desejo descobrir. Sobre todas as pessoas que escrevi, somente para ele quero mostrar tudo. Para que ele venha lembrar de mim pelo que escrevo, tal como Caio F. queria tanto. Eu poderia citar todos os meus escritores preferidos para tentar dizer o que preciso dizer, mas não sei o que quero dizer. O torpor começa quando eu penso. E tenho pensado diuturnamente. Como se ele fosse uma criatura mística que tenta em vão me deixar em eterno estado de desassossego, logo eu, que possuo uma alma anarquista.
Oscar Wilde escreveu que a paixão é um privilégio dos que não têm nada para fazer, mas ele também escreveu Dorian Gray, e veja bem, a minha divindade-poética-e mística também é a personificação desse personagem profano. Será que eu quero apenas o corpo dele repousando sob o meu ao findar a noite, para manter-me nesse estado perpétuo de adoração para ter o que escrever? Só sei que quando o vejo, fico louca. Meu olhar tenta se estender no dele, mas a ilusão me belisca forte. Quer trazer-me para a realidade que me parece tão irreal. Tudo culpa da literatura.
A vida dentro de um quarto trancado após os raios do meio dia, com alguém entorpecido pelo álcool e pela falta de tato só é atraente dentro das narrativas do velho safado. Fora isso, a solidão quer nos mastigar a todo instante. E o vazio sempre aparece no reflexo do espelho sujo. Tudo é muito decadente. Ele me intimida de modo imensurável. Essa tal sensação me acalenta e esbofeteia ao mesmo tempo... Porém, escrever sobre ele, tem colorido a minha vida - com o caos do problema - igualzinho àquela canção de Belle and Sebastian. Ele pode ter quem quiser, mas será que quer alguém? Ele é uma incógnita ambulante, e eu gosto disso. Não sei se ele é feliz ou triste, eu ficaria por horas escutando ele falar sobre o seu descontentamento sobre a vida e amor pela mesma.
Ele, nessas semanas todas tem sido ele. Eu tenho medo de assustá-lo, mas não consigo ficar quieta. Acho que este encantamento não deve ficar preso no papel, se não fará mal a ninguém, além de mim. E eu não quero me sentir mal, a minha poesia não merece me ver assim. Ele desdenhou daquele poema que lhe enviei, e eu segui a escrever. O incômodo persiste, mas não é maior que a vontade da aproximação. Não é a minha intenção forçar nada, eu posso vê-lo e desviar o olhar, eu posso vê-lo e fingir que não lhe contemplei nu. Eu posso ficar inerte, e esquecer tudo... Mas não quero.
Eu quero os olhos dele em mim para que eu possa escrever uma centena de poemas. Quero a combustão de não saber o que fazer, de não saber pra onde olhar, se ele me olhar de volta. Quero que ele me inspire até abrir um buraco dentro da minha cabeça.
segunda-feira, 28 de setembro de 2015
Ele desdenhou daquele poema, e já estou aqui lhe oferecendo este soneto
Dionísio me põe em combustão
Porém, ele é corrosivo demais,
até dentro dos meus devaneios
Ele não merece este soneto
E eu não mereço este café requentado
que bebo enquanto escrevo isto
Mas eu gostaria que ele soubesse que
eu tiro as meias enquanto durmo
e que gosto de cinco colheres de açúcar no mesmo café requentado
Principalmente soubesse que minha cor favorita é azul
Ele personifica todas as conjunturas
E sobrevive na destilação de poesia e pouca fé
Não sei o que será de mim
Só sei que ele não quer saber nada disso
Porém, ele é corrosivo demais,
até dentro dos meus devaneios
Ele não merece este soneto
E eu não mereço este café requentado
que bebo enquanto escrevo isto
Mas eu gostaria que ele soubesse que
eu tiro as meias enquanto durmo
e que gosto de cinco colheres de açúcar no mesmo café requentado
Principalmente soubesse que minha cor favorita é azul
Ele personifica todas as conjunturas
E sobrevive na destilação de poesia e pouca fé
Não sei o que será de mim
Só sei que ele não quer saber nada disso
segunda-feira, 7 de setembro de 2015
Eu só quero querer João
Será João, mais do que um personagem
que vive nas frestas de mim
e brota feito erva daninha em meio ao nada?
Somente para me provar que pode sim, ser tudo?
Eu queria que ele fizesse parte dos outros
Que como os outros, mentisse que vai ficar
e sumisse do mapa depois
Mas suas expressões miraculosas estampam minha mente cansada
Pra onde ele vai quando não se mistura na multidão?
Alguém me diz aonde fica ele
quando o expulso da minha vida primordial
e prometo nunca mais trazê-lo para este papel
Depois de tanto travar guerra entre sossego
e anseio pela morte
Me vejo bem, e me vejo insípida
para acompanhá-lo
Talvez eu não vá além da mulher fatídica
e perfurada em frente ao espelho
Será que ele está pronto para isso?
Pronto para mim?
Pensando bem, talvez eu seja João
Um verme que habita frestas
porque não consegue aceitar
morar no peito de outrem
Se João não combina comigo
Eu o encaixo junto de qualquer confusão.
que vive nas frestas de mim
e brota feito erva daninha em meio ao nada?
Somente para me provar que pode sim, ser tudo?
Eu queria que ele fizesse parte dos outros
Que como os outros, mentisse que vai ficar
e sumisse do mapa depois
Mas suas expressões miraculosas estampam minha mente cansada
Pra onde ele vai quando não se mistura na multidão?
Alguém me diz aonde fica ele
quando o expulso da minha vida primordial
e prometo nunca mais trazê-lo para este papel
Depois de tanto travar guerra entre sossego
e anseio pela morte
Me vejo bem, e me vejo insípida
para acompanhá-lo
Talvez eu não vá além da mulher fatídica
e perfurada em frente ao espelho
Será que ele está pronto para isso?
Pronto para mim?
Pensando bem, talvez eu seja João
Um verme que habita frestas
porque não consegue aceitar
morar no peito de outrem
Se João não combina comigo
Eu o encaixo junto de qualquer confusão.
quarta-feira, 2 de setembro de 2015
O exagero me comeu
Olho suas fotografias e me dá vontade de lambe-las
Você é uma vertiginosa tentação contida num poema de Drummond
Quero mesmo lhe assustar com todas as minhas palavras incontidas
Posso lhe enviar poemas aos domingos?
Juro que meu problema maior é ser eu mesma,
fora isso, só a irracionalidade me abrange
Eu estou encantada, Dionísio
Qual das mulheres da cidade não estaria?
Você é moço bonito e sabe disso
Mas suponho que não são todas que podem lhe despir
(só com os olhos)
Eu tive o deleite de percorrer o seu corpo,
como quem corre uma maratona e não se cansa
Mas agora sinto fome do seu cheiro da sua pele dos seus olhos de gato
E lhe quero mais uma vez, só para essa atração acabar
Antes que acabe comigo.
Título: Mônica Montone
Você é uma vertiginosa tentação contida num poema de Drummond
Quero mesmo lhe assustar com todas as minhas palavras incontidas
Posso lhe enviar poemas aos domingos?
Juro que meu problema maior é ser eu mesma,
fora isso, só a irracionalidade me abrange
Eu estou encantada, Dionísio
Qual das mulheres da cidade não estaria?
Você é moço bonito e sabe disso
Mas suponho que não são todas que podem lhe despir
(só com os olhos)
Eu tive o deleite de percorrer o seu corpo,
como quem corre uma maratona e não se cansa
Mas agora sinto fome do seu cheiro da sua pele dos seus olhos de gato
E lhe quero mais uma vez, só para essa atração acabar
Antes que acabe comigo.
Título: Mônica Montone
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