Você
Vende cores
Não é à toa que é o homem
mais colorido da cidade
Sua loja de tintas
é o contraste daquela rua
Suas cores
desobstruem minha escuridão
Dias cinzas não existem
quando vejo sua loja
vermelha - mesmo que de longe
Leia-me se for capaz,
deveria ter dito isso,
na última vez que o vi
Mas você parece ter medo
Eu morro de medo
As mãos que percorreram
seus ombros largos
São as mesmas que escrevem
essas palavras desencantadas
Quando me ver de novo
Me acaricia com seus olhos selvagens
e me põe o coração disparado
Como se fosse impossível
sentir isso por mais alguém
Seja meu Dionísio
Meu personagem
Meu Deus mitológico
Seja o homem
por quem valha a pena
escrever sobre
Seja mais do que esses olhos verdes
e dono do andar bonito
Seja o que eu penso,
mesmo que eu tenha
me enganado feio
Seja qualquer coisa além
da decoração daquele bar
Seja mais do que o cara
da loja das tintas
que parece um monumento
descansando na porta
Seja o amor drummondiano
que bate na aorta.
Título: Carlos Drummond de Andrade
terça-feira, 19 de janeiro de 2016
domingo, 17 de janeiro de 2016
Respinga em mim seu carnaval
Eu sou bossa nova
e você samba
Sempre sambando
no meu coração
Respinga em mim seu carnaval
Diga algo agora,
não quero me desperdiçar mais
Sem disfarçar,
tenho pintado tudo de caos
Eu o aceito
mundano boêmio e conquistador
Me lambe
Me lambuza
Me usa de novo
E de novo
Me morde a face com zelo,
outra vez de novo
Emerja em mim
feito uma infecção.
16/01/2015
e você samba
Sempre sambando
no meu coração
Respinga em mim seu carnaval
Diga algo agora,
não quero me desperdiçar mais
Sem disfarçar,
tenho pintado tudo de caos
Eu o aceito
mundano boêmio e conquistador
Me lambe
Me lambuza
Me usa de novo
E de novo
Me morde a face com zelo,
outra vez de novo
Emerja em mim
feito uma infecção.
16/01/2015
sábado, 9 de janeiro de 2016
Nos rastros dos meus pés, eu te levo em qualquer lugar
As veias da cidade me encaminham para sua esquina, mas você nunca aparece. Vi na previsão que o Sol também não aparece hoje. Só preciso dizer-lhe que seu corpo naquele agosto, contornou a sinuosidade da minha alma. Se você passasse aqui agora, eu diria mais, que esbarrei com o Diabo no céu da sua boca e gostei.
Hoje por acaso todos os homens pueris dessa mesma cidade resolveram lembrar de mim, eu que só escrevo sobre você há cinco fatídicos meses. Eu posso cantar debaixo da sua janela verde tudo o que me falta escrever, eu também posso acampar na frente do seu trabalho, posso persegui-lo em todos os bares mais ínfimos, para vê-lo corrompendo outras moças deslumbradas.
Eu escrevinhadora de drama, escrevi seu nome na sola do meu sapato favorito, essa noite eu vou dançar até você se apagar de mim.
Hoje por acaso todos os homens pueris dessa mesma cidade resolveram lembrar de mim, eu que só escrevo sobre você há cinco fatídicos meses. Eu posso cantar debaixo da sua janela verde tudo o que me falta escrever, eu também posso acampar na frente do seu trabalho, posso persegui-lo em todos os bares mais ínfimos, para vê-lo corrompendo outras moças deslumbradas.
Eu escrevinhadora de drama, escrevi seu nome na sola do meu sapato favorito, essa noite eu vou dançar até você se apagar de mim.
quarta-feira, 30 de dezembro de 2015
O meu íntimo ferve e não está quieto, os dias da aflição me surpreenderam
Aquela foi uma boa cena
Sua mão pousando sobre a minha
Eu contendo espasmos de sobriedade
Desejando que as horas
não se diluíssem na correnteza
Mas a fugacidade
sempre espera pela aurora
Você tocou na minha mão
E eu achei isso mais íntimo
que seu beijo na minha boca
Meu coração feito pandorga
voou e se enredou
nos galhos espinhosos das suas íris
Ajude-me, Senhor
Título: Jó 30-27
Sua mão pousando sobre a minha
Eu contendo espasmos de sobriedade
Desejando que as horas
não se diluíssem na correnteza
Mas a fugacidade
sempre espera pela aurora
Você tocou na minha mão
E eu achei isso mais íntimo
que seu beijo na minha boca
Meu coração feito pandorga
voou e se enredou
nos galhos espinhosos das suas íris
Ajude-me, Senhor
Título: Jó 30-27
sábado, 26 de dezembro de 2015
Os girassóis continuam lá, se destacando entre os pastos verdejantes. Eu estou aqui, ainda comovida. E você, o que lhe faz chorar?
Vai anoitecer e eu gostaria muito de escrever algo que valesse a pena, que valesse esse desespero. Algo como aquele conto do Caio Fernando, em que a mulher entendeu e aceitou, desaparecendo da janela no exato instante em que ele atravessou a avenida sem olhar para trás. Na verdade eu gostaria de ser ela. Mas se fosse, talvez Júpiter não encontrasse Saturno. Pois eu não teria essa sorte.
Se isso for alguma forma tortuosa de paixão descrita nos contos de Caio, eu obviamente precisarei de uma bebida forte e mais do que 12 horas de sono. Eu precisarei dos Deuses ou Demônios que me puseram naquele lugar aquela noite. Os mesmos que enxergam o deleite no meu terror.
Sua pele alvejada não sai do meu imaginário, me faz escrever coisas que me espicaçam sem pausa. Ontem na estrada vi um lençol de girassóis e me comovi e te pensei, como se fosse possível te ligar e dizer isso tudo. Como se fosse possível eu ser especial pra você, como você é pra mim e todos aqui já sabem. Te escondi atrás de Dionisio para não profanar o seu verdadeiro nome. E do meu nome você lembra?
Anoiteceu, meu bem. Hoje você vai levar mais uma para sua casa, ela não desconfiará que vai estar tirando a roupa para o meu objeto literário. E amanhã você vai continuar vazio. Eu acho isso lindamente triste.
Se isso for alguma forma tortuosa de paixão descrita nos contos de Caio, eu obviamente precisarei de uma bebida forte e mais do que 12 horas de sono. Eu precisarei dos Deuses ou Demônios que me puseram naquele lugar aquela noite. Os mesmos que enxergam o deleite no meu terror.
Sua pele alvejada não sai do meu imaginário, me faz escrever coisas que me espicaçam sem pausa. Ontem na estrada vi um lençol de girassóis e me comovi e te pensei, como se fosse possível te ligar e dizer isso tudo. Como se fosse possível eu ser especial pra você, como você é pra mim e todos aqui já sabem. Te escondi atrás de Dionisio para não profanar o seu verdadeiro nome. E do meu nome você lembra?
Anoiteceu, meu bem. Hoje você vai levar mais uma para sua casa, ela não desconfiará que vai estar tirando a roupa para o meu objeto literário. E amanhã você vai continuar vazio. Eu acho isso lindamente triste.
segunda-feira, 21 de dezembro de 2015
Continue sendo silêncio, porque temo você dizer algo e não ser mais interessante
Você possui o charme
da beleza suja
E a vibratilidade disso
me arruína
e me encanta,
tal como um delírio lisérgico
As sensações são irrefreáveis,
o que for estático
não me pertence
Meus gestos meticulosos
não abreviam e nem adiam
a perdição
Você consegue sentir
a estridência destes versos
mal feitos?
Você sente algo além
do fascínio por si mesmo?
Queria lhe conhecer, Dionísio
Mas está escrito
nos quatro cantos
que, só se pode gostar
de outra pessoa
quando a mesma nos é
desconhecida
Então não me atrevo
a quebrar este feitiço
Aceito a atração
que pelos Deuses me foi imposta
Mas por enquanto
só ouso dizer que
nem os esquadros de Calcanhotto,
nem as cores de Almodóvar
e Frida Kahlo, são mais bonitas
que a cor dos seus olhos.
da beleza suja
E a vibratilidade disso
me arruína
e me encanta,
tal como um delírio lisérgico
As sensações são irrefreáveis,
o que for estático
não me pertence
Meus gestos meticulosos
não abreviam e nem adiam
a perdição
Você consegue sentir
a estridência destes versos
mal feitos?
Você sente algo além
do fascínio por si mesmo?
Queria lhe conhecer, Dionísio
Mas está escrito
nos quatro cantos
que, só se pode gostar
de outra pessoa
quando a mesma nos é
desconhecida
Então não me atrevo
a quebrar este feitiço
Aceito a atração
que pelos Deuses me foi imposta
Mas por enquanto
só ouso dizer que
nem os esquadros de Calcanhotto,
nem as cores de Almodóvar
e Frida Kahlo, são mais bonitas
que a cor dos seus olhos.
segunda-feira, 14 de dezembro de 2015
Meu peito bate na laje
Aonde tu andas, Dionísio? Ou aonde ando eu? Não te encontro, não te vejo. Abstinência. Entende? A única coisa que eu sabia que ficaria comigo. Mas preciso vê-lo em qualquer rua, em qualquer esquina, preciso vê-lo me vendo. Suas feições nas fotografias são tão miraculosas, têm vezes que tu pareces uma obra barroca, e nessa contemplação toda, vou ficando oca. Tu és desalmado, mas eu queria tê-lo uma vez mais, apressadamente, lentamente... Tanto faz, se me fizeres viva de novo. Peço ajuda a Drummond, que me socorra, pois não sei mais fazer versos. Tu vives bem com a desimportância de não me ver nunca mais e tomo de assalto as palavras de Carlos, (digo seu nome porque sou uma ladra respeitosa) como um dia já dissera por mim:
Dá mastigados restos
à minha fome absoluta
E eu aceito, calo no absurdo de tanto querer.
Título: Carlos Drummond de Andrade
13/12/2015
Dá mastigados restos
à minha fome absoluta
E eu aceito, calo no absurdo de tanto querer.
Título: Carlos Drummond de Andrade
13/12/2015
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