Somos os pontos que nunca se ligam,
porque não queremos revelar
imagem alguma
O contorno dos nossos corpos
enroscados na cama
vai virar uma imagem desfigurada
Porque a ressonância dos dias que passam
desfragmenta tudo
Eu sinto fome de exatidão,
a mesma exatidão que não nos alcança
Você pode povoar meu inferno,
eu posso descansar nas suas trevas
Mas nada nos é suficiente
Também pode escarrar na minha cara
e eu lamber o seu rosto
Ainda assim seremos cúmplices
Eu lhe odiando com força,
você rindo de mim com leveza
A impressão que revelamos - sem querer
é o desajuste
o absurdo
é essa paixão
que não se contenta só com isso
Você me contenta
mas não é o suficiente.

teu poema sempre casa comigo, e eu fico aqui, me perguntando como pode alguém escrever tão bem sobre algo que só existe na minha cabeça.
ResponderExcluir"você me contenta, mas não é o suficiente" é isso, exatamente isso. não me satisfaz, mas mesmo assim eu não consigo viver sem.
Todo esse descontentamento gera a melhor poesia. É lindo.
ResponderExcluirEssa coisa da paixão né, é tão amor e ódio, é aquela droga viciante que sabemos seus malefícios, mas mesmo assim usufruímos.
ResponderExcluirAdorei o blog, ótimos textos!
Beijos
"Não queremos revelar imagem alguma"
ResponderExcluirGenial, Hellen! Suas figuras sempre tão ricas!
"Você pode povoar meu inferno,
ResponderExcluireu posso descansar nas suas trevas
Mas nada nos é suficiente"
Acho incrível o quanto o sentimento, o íntimo, o profundo da tua poesia consegue me alcançar!
Sobre a imagem: já foi fundo de tela no meu cel. Fiquei surpresa!
Bjo'o
Este comentário foi removido pelo autor.
ResponderExcluirVocê consegue ser a mesma sendo varia ao mesmo tempo. Seu tormento se abre em flor de um lilás fosforescente. Tu é D+, Guria!
ResponderExcluirO que encontra depois da paixão.....
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