Gosto dessa paixão
que escarra na minha cara
e logo depois me lambe o rosto todo
Paixão que não pretende machucar,
mas machuca
me morde inteira
arranca meus cabelos
e me atira contra a parede
Depois me beija os hematomas
me cuida os arranhões
dedilha minha pele com delicadeza
Paixão que me canta músicas bonitas
e estraga músicas perfeitas
E me fala de sensações ímpares
e pinta uma conexão icônica
Paixão compatível com tudo que não pode durar
A mesma que dedetiza a normalidade
e nos blinda da conformidade
Paixão que não quero escrever sobre
mas escrevo escuto falo e choro
Paixão que ninguém assiste mas todos aplaudem
Paixão explanada, julgada senil
Paixão invejada, por ser mais quente
do que a água da ducha de todos os banheiros
A mesma que me esquece
só para me lembrar com mais força
e me querer com mais fome
Paixão que decora a mesa
e estende lençóis só para bagunçá-los melhor
Paixão que não acredito
mas digo que é a única que gostei de sentir
Paixão que senta comigo
e me olha por dentro enquanto escrevo isso.
11/02/2015
Caramba! Hellen, tu é uma mente louca da qual me sinto contente por ser contemporâneo. Cara, o que tu escreveu me enche de felicidade, porque eu estou vivo enquanto tu existe. Isso é sério.
ResponderExcluirBeijo alegre em tuas mãos que me alegram,
saudações.
Um dos seus melhores poemas.
ResponderExcluirA sua intensidade atinge quem lê e inquieta, provoca. Assusta. Você nos alcança pelas sensações tão bem materializadas, que força tem a sua escrita!
Amo pelos mesmos motivos que odiaria, o que há entre a palavra e o coração é o grande mistério.
ResponderExcluirquão fortes palavras no que deve ser doce e gentil...porque leva a tais adjectivos...o simples ódio de odiar ou pelo contrário odiar escondendo que ama!
ResponderExcluirNunca vou cansar de te ler!
ResponderExcluir