Ontem
esbarrei no Manequim
dois meses depois de tudo
E obviamente
eu quem saí quebrada
Me deparei com ele
em meio àquela gente ensandecida
Havia coisas para serem ditas
e escutadas
Porém, ele é tão intimidante
Quis socá-lo por toda a falsidade proferida
naqueles dias amenos
Naqueles dias em que eu julgava
ter matado Dionísio dentro de mim
O Manequim
se materializou na minha frente
Com a beleza mais secular
Ele falava falava falava
Como se fosse o dono da razão
Seu dissimulado vitimismo
acabou por quebrar também os pratos
que já estavam sujos
Olhando para aqueles olhos
e sua boca esculpida
por algum artista renascentista
Senti vontade de beija-lo
dentro da mentira que nos acometeu
Mas qualquer gesto brusco
me adiantaria a degradação
De todos os homens que escrevi
ele é o único que não sabe que escrevo
Entre todos e poucos homens
que me tocaram
Ele foi o mais cruel
Me avisou que não prestava
me obrigando a torná-lo ciente
de que também não sou flor
que se cheire
Sobre o que fiz:
Não, não foi por vingança
Foi pra lavar a alma
Todavia, ontem
eu esqueci a raiva
e quis tocá-lo
Para tentar me retocar
para antes da sua traição
Só queria tocá-lo
Para sentir alguma emoção
Não obstante, ele me deu as costas
Me mostrando como se sai bem
sendo só mais um desgraçado.
Todo o bom da tua criação, consiste em que tu faz mais com o mesmo, criando expectativas novas sobre o velho e tu te supera,porque o que a gente espera é que tu sejas a superheroina em tudo isso e tu és,porque nos basta a fé que tu tens.
ResponderExcluirIsso é bom, isso é poesia crua, estabelecida e nua de vaidades ou condição.
É assim que eu sinto.
Boa semana e um beijo alegre em tuas mãos.
A tua esperança de remediar o que já foi decretado pelos Deuses que tu tanto citas, te faz corajosa porque desafias os Grandes, como se tua caneta pudesse salvar teu mundo e curar teu coração.
ResponderExcluirEu te admiro pra caralho, nenhum homem vivo merece teus versos e sensibilidade.
Nem João, Manequim, quiçá, Dionísio.
Eles não são nada para ti.
Acho interessante o seu movimento na poesia,
ResponderExcluirNão é sobre eles, é sobre você, você se conhecendo, você se sentindo, você se testando e se desafiando e se fazendo sofrer e se dando prazer, você gozando com você, de você, pra você.
E consegue colocar isso na escrita em ritmo de deságue com maestria.
Tu é demais, perfeita a começar pelo titulo, que sobreviveria sem o poema. Uma das maiores poetisas que já conheci. Beijos!
ResponderExcluirFico encantada com esses comentários, de verdade. Obrigada por me acompanharem!
ResponderExcluirTocar os passados a procura de sentimentos, geralmente acaba em ilusão.
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