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segunda-feira, 9 de fevereiro de 2015

Se tu soubesses como machuca, não amaria mais ninguém

Há algumas horas você foi embora
Não de mim, mas da cidade
E eu queria saber expressar
mais do que em palavras
o que sinto agora
Não sei como vai ser amanhã,
mas ainda vou estar apaixonada
pelo cara mais engraçado
e ridiculamente bonito,
que apareceu na minha poesia
Dono do riso mais chato e cativo,
você precisa saber que hoje eu derramei pesar
por todas essas avenidas,
depois que lhe abracei pela última vez
Hoje eu sou mais triste do que um pássaro
morto na calçada
Pois minha felicidade, voou contigo.

Vou lutar por você
Depois vamos dividir a exaustão
a agonia
a distância
Voltaremos a dividir a cama
e
a vida.



Título: Pelo interfone - Cícero

segunda-feira, 2 de fevereiro de 2015

Deus não sabe escrever romances

Temos alguns dias apenas
Depois ninguém sabe
Nem eu, nem você
Acho que nem Deus
O mesmo que acredito
ter escrito essa história toda errada
Para eu ser a pessoa mais idiota e errante

Das coisas que escrevi já lhe disse todas
Que fico na sua casa quando vou embora,
que o som da sua risada deveria tocar no rádio
e o cheiro nosso 
que fica nas suas cobertas é o meu preferido

Fico deitada, tocando em suas mãos
[já sentindo saudade]
No intuito de gravar cada sensação 
e relevo do seu corpo
Te faço poesia,
me fazendo abismo

Você vai acabar comigo
Eu vou acabar com você
Vamos criar buracos 
dentro de nós
e nomear com o nome um do outro
Vamos beber e vamos nos esquecer
[por algumas horas]

Você vai tocar aquelas músicas tristes 
no violão
e sem querer vai ser mais um 
que parte meu coração

Eu vou escrever profundidades nossas
e vou te magoar por estar tão distante

Vou seguir te escrevendo 
até quando você não tiver mais 
tempo
nem interesse
pelo que não cansarei de dizer:

Gosto tanto de você.

terça-feira, 27 de janeiro de 2015

Isso nunca vai ter um título

Preferiria conhecer o cheiro 
de mil corpos queimados 
do que seu aroma de paz pela manhã 
enquanto se revira na cama
Você é mesmo tudo o que eu quis encontrar
E foi você quem me encontrou
No meio daquela festa chata
com pessoas bêbadas e ridículas
Gente tão rasa 
quanto àquela piscina de bolinhas
do último aniversário infantil que fui e nem lembro
Nós somos tão infantis gostando um do outro
Porque somos verdadeiros e desastrados
E tudo deveria ser assim
Preferiria me entupir de brigadeiros
do que beijar a sua boca
A glicose seria menor
e a paixão também
Você fode minha cabeça
Você me fode toda
E eu ainda penso em fugir contigo
Calcinha jogada no chão
Coração repousando na cama
E tudo é nada
Eu ainda consigo ser tu
Só por lhe ter dentro de mim
Já lhe disse 
que tenho medo do medo?
Se eu não te ver mais,
como me verei de novo?
Somos aquela imagem que o teu espelho repete,
eu te abraçando com medo 
antes de ir embora
Vou para casa e tu ainda continuas em mim
Te vi domingo e parece que foi há milênios
Vou plagiar Hilda Hilst para perguntar:
Há milênios te saberei e nunca vou lhe conhecer?
Quero me conhecer contigo.

segunda-feira, 26 de janeiro de 2015

A escuridão já tingiu meus ossos

Talvez Guimarães Rosa tenha razão
Se eu fosse por horas mais descuidada,
seria feliz mais vezes

Mas você é esse descuido 
nada corriqueiro
Lhe vejo como esses cometas
que correm por estes céus
numa pausa de tempo 
que não conhece a brevidade

Um clarão de luz
que contagia dias
e personifica a euforia

Tipo estrela cadente
que me faz realizar pedidos
por mais idiota 
ou visceral que seja

De tudo que posso pedir-lhe
Só quero que não me esqueças

Deixe que o Destino pague a conta
a qual não sabemos como
(nos) somar.

quinta-feira, 22 de janeiro de 2015

Sobre todas as coisas ditas e não ditas, eu edito este poema.

Gosta de mim
Mas deixa-me sempre pra depois
Como aquela xícara de café esquecida 
após o primeiro gole
Que também foi o último
Tudo por medo de enjoar
Dizem-me que fiquei mais louca
Talvez seja verdade
Mas a verdade é bem mais remota
do que o paradeiro do controle remoto
Tu disseste nesta madrugada:
Juro que apesar de crer que você vai partir
quando isso que temos ficar 
calmo demais
bonito demais
Eu até tento te deixar segura.

Mas aqui lhe digo:
A nossa diferença
vai além de eu dizer Tu
e Tu dizer Você

Que pena
Ou que bom?!

segunda-feira, 19 de janeiro de 2015

O que tu chamas tua paixão, é tão somente curiosidade.

Eu lhe dei todos os pontos
que perdi comigo

Eu sempre perco tudo,
a vergonha na cara
a agulha no palheiro
o par de chinelos pela casa
a escova de cabelo

Eu perdi o bom senso
Mas eu sempre perco
a noção do tempo
e até o sono

Vou perder você,
mas acho que no fundo
você quem me perdeu

Quero meus pontos de volta
Prevejo outra cicatriz. 


Título: Manuel Bandeira

quinta-feira, 15 de janeiro de 2015

Somos o que não era pra ser e o que mais do que nunca deveria ter sido

   Ele é a paixão que não vou ter tempo de escrever mais. Ontem ele disse que está indo embora, pela primeira vez chorei na frente de alguém. Foi aquele choro silencioso, mesclado com soluços de pesar, pelo que não tive tempo de viver. É a paixão que me oferece água, fogo e todos os outros elementos existentes. O que não existe, ele também ofereceu-me. Porém, a paz de espírito ele só emprestou. Ele é dessas paixões que você acha que só acontece com os outros ao seu redor. Ele tem o cheirinho da vida que eu sempre quis, cheiro de encrenca emocional, cheiro de reciprocidade também. Ele foi a única paixão que me deu paixão de volta. Eu sonho com ele, estando dormindo ao lado dele. Eu exploro seu corpo como quem passeia pelas curvas de vielas milenares e nunca se desencanta. E tudo é tão fugaz. Ele me beija, eu o beijo. Ele delicadamente me crava os dentes, eu furiosamente escrevo um H nas suas costas com as pontas das unhas... Ele deita sob mim e meu corpo é brasa. Ardo em resposta.Tudo é tão árduo. Não tem elemento algum que nos defina. 
   Somos tudo, não sendo nada. Somos todos os personagens mais desgraçados da História. Bentinho e Capitu. Marília e Dirceu. Heathcliff e Catherine. Somos esse prazo de validade, somos o que não deveria acontecer. O erro de percurso, o livre arbítrio que deu errado. Somos os insetos loucos que sobrevoam esta valeta. Somos as borboletas diabólicas vivendo dentro desse estômago comedido. 
   Somos esse almoço salgado por lágrimas, cujo não consigo digerir agora, às duas da tarde. Somos as três horas do pior sono que tive na última noite. Somos só dois adolescentes querendo ser adultos. Somos seus olhos em mim enquanto fecho meus olhos e sei que estás me olhando. Somos os apaixonados mais bregas dessa cidade. Somos os abraços ternos de todas as esquinas, e a sombra de todas as mãos entrelaçadas dos casais que não tiveram tempo de ser.
Seremos até fevereiro, o que eu queria ser até meu último suspiro.

domingo, 11 de janeiro de 2015

Você me disse: Não deixe a gente acabar.

Eu deixei a porta aberta
pra você morar em mim

Você cuida de tudo, tão bem
arruma cada cômodo com gracejo
e carinho

Arruma os lençóis
que desarrumamos
ao revirar nossos corpos 
e mentes suicidas

Varre as incertezas
[momentaneamente]

Lava a louça
e leva meu medo
de ser para sempre uma panela 
sem tampa

Até me oferece um copo d'água
mas minha vontade
é de sossego, sem culpa

Enquanto lá fora,
picharam nossos muros
Estão chutando nosso portão agora
Você está escutando?!

Estão apedrejando nossas janelas,
tentando desintegrar nossa comunhão

Roubam nosso jornal,
para não lermos 
nossa felicidade nas entrelinhas

Lá fora,
Tudo é aqui dentro

Lá fora,
as ervas daninhas não morrem
e são donas do chão

As pedras no nosso caminho,
eu as trituraria todas
se você me ajudasse mais

Por causa das dúvidas
que me cansam
e conduzem
essa paixão infundada

Todo dia penso em pôr fim
Todo dia penso
e elaboro
manifestações 
de raiva 
de marginalidade

Se formos como eles
não sofreremos mais
Mas também 
não estaremos mais juntos.


(Estou me acabando)

sexta-feira, 26 de dezembro de 2014

Matéria inanimada em corpo vivo

Desde que conheci o seu corpo,
não imagino mais ninguém me despindo

Mesmo que eu não saiba traduzir
suas risadas
de felicidade
e ironia

Mesmo que eu me irrite,
é um deleite te escutar

Abrindo a boca no meu pescoço
e brincando com a minha paciência

Você
nu
encostado na porta do banheiro
é profano
é celeste

Você
seria meu
se Deus quisesse

Meu cheiro impregnado na tua cama
te faz 
mais homem
e me faz menos verdade

Meu gosto na tua barba
me faz pedir piedade
Piedade por não saber
viver isso direito

Acho que preciso ir à Igreja
pois estou no ponto de confundir
intervenção divina com possessão diabólica

Você me nutre de impulsos,
como arrancar pedaços da sua pele
com os dentes
E depois desenhar com o dedo
no sangue que escorre
sob a tela das suas costas

Mas todos sabem 
que não sei desenhar

Dou-te então, 
meu cadáver prematuro
para você desenhar 
nosso romance geométrico.

(Sob uma forma milimetricamente calculada que possa dar certo)



domingo, 21 de dezembro de 2014

Este poema não é sobre João

Começo este poema dizendo
que não temos nada em comum
Mas toda esta simultaneidade
que nos abrange, repercute bem
Dos abraços desajeitados 
que se estendem até as birras unificadas,
Mitos e costumes e todas as expressões 
de linguagens]
Escolheram-no para mim,
pois, ele é a personificação da frase:
Escreva menos e viva mais.

Se me perguntassem agora,
''O que faz você suspirar?"

Diria, 
A preguiça
e ele.



sábado, 13 de dezembro de 2014

Qual é o meu problema?

Eu conheci alguém,
que cuida da minha dor na garganta

E me abraça
até o corpo doer em resposta

Ele é dono dos olhos mais bonitos
que já me olharam de volta

Eu conheci alguém
que beija
todos os cantos do meu rosto

E nunca quer que eu vá embora

Mas mesmo assim
eu não consigo

Arrumar um final 
satisfatório para este poema.