Outro caso
Que levamos com descaso
Nosso medo de nos envolver
De acabarmos seduzidos
Você me deu prazer
Eu lhe dei prazer
Mas nosso Sol em Libra dramatizou tudo
Eu lhe toquei com
carinho
fome
exatidão
Você me tocou com
afeto
desejo
despretensão
Não fomos nada inocentes dentro dessa atração
Você gemendo nos meus ouvidos
Eu vou lembrar em outras camas que eu deitar
Eu batendo na sua porta às 5 da manhã
Você vai lembrar
enquanto tentar conhecer outras mulheres
As brigas
Palavras difusas
Você me querendo num dia
- E repetindo infindáveis vezes -
No outro fala pra eu não mais procurá-lo
Acabou tudo
Que tudo?
Não tivemos nada
Suas camisas que sujei de batom
Meus cabelos decorando o chão da sua casa
Logo isso vai será nada
Você queria que eu escrevesse sobre isso,
só não sabia que ia ser o final.
quarta-feira, 21 de dezembro de 2016
segunda-feira, 21 de novembro de 2016
Menino, deus urbano, neto do sol.
[com você eu tenho mesmo que me conformar]
Ele gosta de beijar homens. E ele queria um lugar que pudesse beija-los e ser visto sem pudor e espanto. Ele quer beijar homens durante o dia, longe das quatro paredes e longe do breu da noite. Ele é um desses caras, extremamente bonito que a mãe cobra dois netos e que arruína mulheres com seu perfume e olhar por entre óculos escuros ao cruzar a avenida. Ele quer beijar outro cara, mas ele arquitetou um personagem para si mesmo, aquele que vive nos bares se deleitando nos pescoços da juventude feminina da cidade.
Mas ele beija rapazes porque é o que mais gosta de fazer. Ele está beirando os trinta anos e só quer beijar outro homem em frente ao quiosque, ou dentro do mesmo bar que tenta ter uma ereção ao beijar uma mulher, duas mulheres por madrugada. Ele parte o coração das mesmas quando se deita com elas e faz tudo certo, goza e oferece orgasmos e afagos (e)ternos. Depois nunca mais. Ele continua vazio.
Este papel está lhe cansando. Ele quer beijar o seu rapaz no meio da praça central, depois encostar sua cabeça no ombro dele e suspirar após um dia de poucas vendas no trabalho. Ele quer que a sociedade entenda que ele gosta mais de ser penetrado do que penetrar. Mas ele penetra vidas e borra batons até o raiar do dia enquanto pensa que pode tentar fazer com que suas vontades sejam respeitadas mais tarde. Agora ele só quer ser o homem que beija mulheres como quem toca em algodão doce. Ele é doce, e há sempre alguém que se desfaça.
17/10/2016
Ele gosta de beijar homens. E ele queria um lugar que pudesse beija-los e ser visto sem pudor e espanto. Ele quer beijar homens durante o dia, longe das quatro paredes e longe do breu da noite. Ele é um desses caras, extremamente bonito que a mãe cobra dois netos e que arruína mulheres com seu perfume e olhar por entre óculos escuros ao cruzar a avenida. Ele quer beijar outro cara, mas ele arquitetou um personagem para si mesmo, aquele que vive nos bares se deleitando nos pescoços da juventude feminina da cidade.
Mas ele beija rapazes porque é o que mais gosta de fazer. Ele está beirando os trinta anos e só quer beijar outro homem em frente ao quiosque, ou dentro do mesmo bar que tenta ter uma ereção ao beijar uma mulher, duas mulheres por madrugada. Ele parte o coração das mesmas quando se deita com elas e faz tudo certo, goza e oferece orgasmos e afagos (e)ternos. Depois nunca mais. Ele continua vazio.
Este papel está lhe cansando. Ele quer beijar o seu rapaz no meio da praça central, depois encostar sua cabeça no ombro dele e suspirar após um dia de poucas vendas no trabalho. Ele quer que a sociedade entenda que ele gosta mais de ser penetrado do que penetrar. Mas ele penetra vidas e borra batons até o raiar do dia enquanto pensa que pode tentar fazer com que suas vontades sejam respeitadas mais tarde. Agora ele só quer ser o homem que beija mulheres como quem toca em algodão doce. Ele é doce, e há sempre alguém que se desfaça.
17/10/2016
segunda-feira, 7 de novembro de 2016
E ele é, o meu amor pelos espaços
De manhã eu queria não lembrar
Minha desventura é recordar
Do andar majestoso
E de cada ruga ao lado dos olhos
Verdes lindíssimos]
O aroma amadeirado e de notas fortes
Mesclado ao cheiro de solidão opcional
Saudade
de cada centímetro da sua pele
onde eu pude habitar
Os dias têm sido tão angustiosos
Sem a certeza de que você ainda me lê
e de que aceita essa minha paixão estrófica
Aceita?
Deixa eu te purificar com minha interioridade invulgar
Como se eu fosse divina
Como se eu fosse profética
Como sou sua.
Título: Florbela Espanca
Minha desventura é recordar
Do andar majestoso
E de cada ruga ao lado dos olhos
Verdes lindíssimos]
O aroma amadeirado e de notas fortes
Mesclado ao cheiro de solidão opcional
Saudade
de cada centímetro da sua pele
onde eu pude habitar
Os dias têm sido tão angustiosos
Sem a certeza de que você ainda me lê
e de que aceita essa minha paixão estrófica
Aceita?
Deixa eu te purificar com minha interioridade invulgar
Como se eu fosse divina
Como se eu fosse profética
Como sou sua.
Título: Florbela Espanca
quarta-feira, 26 de outubro de 2016
Me queira bem, meu bem.
Suas mãos
em volta do meu pescoço
enquanto se deleitava em mim - Eu lembro
Nossos suores
se transmutando em vontade
de sermos um só
Pelo menos por alguns segundos
Minha respiração embargada
nos ouvidos do único homem
que fez-me sentir
mulher
Seus olhos flamejantes
Me passando a sentença
de que juntos
Somos sim,
produtos inflamáveis
dentro dessa atração perigosa
Eu te quero tanto, homem
Deixa-me decorar sua nuca
com minhas marcas de amor marginal
Seja meu
Dionísio
Rodrigo
João
Seja o homem que me queira
e não precise de mais ninguém.
Imagem: Nickie Zimov
em volta do meu pescoço
enquanto se deleitava em mim - Eu lembro
Nossos suores
se transmutando em vontade
de sermos um só
Pelo menos por alguns segundos
Minha respiração embargada
nos ouvidos do único homem
que fez-me sentir
mulher
Seus olhos flamejantes
Me passando a sentença
de que juntos
Somos sim,
produtos inflamáveis
dentro dessa atração perigosa
Eu te quero tanto, homem
Deixa-me decorar sua nuca
com minhas marcas de amor marginal
Seja meu
Dionísio
Rodrigo
João
Seja o homem que me queira
e não precise de mais ninguém.
Imagem: Nickie Zimov
sábado, 15 de outubro de 2016
A grande mentira que ele era, era verdade.
Sugiro que leia escutando Olhos nos olhos, na voz de Maria Bethânia.
Lembro da madrugada que eu estava no bar e entreguei uma carta para ele e logo depois o vi beijando uma menina, quis chorar e saí pra fora, liguei para uma amiga às 4 da manhã dizendo que queria voltar lá e pedir minha carta de volta. É engraçado, mas dói bastante ainda. Sabe quando acontece algo ruim? E você pensa: Daqui há um ano estarei rindo disso.
Um ano depois, não estou rindo. Porque foi algo pesado. Sou apaixonada pelo que inventei dele, a única coisa que é real são aqueles olhos verdes famintos. Ele é o homem mais lindo da cidade. Não digo só pela aparência, mas a maneira como ele anda e se porta, o jeito que ele pisca os olhos... É lírico.
Eu o reconheço de qualquer jeito e isso me entristece. Vê-lo andando distraído pelas ruas dessa cidade acaba comigo. Porque eu me distraí escrevendo sobre ele e agora não há nada. Nunca houve, apenas migalhas. Mas eu me agarrei tanto nisso. Ainda sonho com ele e acordo me perguntando o porquê. Calcanhotto perguntou para que servem as ruas, e eu também gostaria de saber. Mas para que serve esse desgosto com gosto agridoce na boca? Por que digo seu nome na intenção de me salvar?
Não posso lhe trazer de volta para minha vida cada vez que o vejo no outro lado da rua sorrindo para o estrago. Me sinto uma criança de 5 anos que só quer sair correndo sem perceber que vai tropeçar nos próprios pés. Eu sempre tropeço por ele.
Obrigada, Caio Fernando... Pelo título.
Lembro da madrugada que eu estava no bar e entreguei uma carta para ele e logo depois o vi beijando uma menina, quis chorar e saí pra fora, liguei para uma amiga às 4 da manhã dizendo que queria voltar lá e pedir minha carta de volta. É engraçado, mas dói bastante ainda. Sabe quando acontece algo ruim? E você pensa: Daqui há um ano estarei rindo disso.
Um ano depois, não estou rindo. Porque foi algo pesado. Sou apaixonada pelo que inventei dele, a única coisa que é real são aqueles olhos verdes famintos. Ele é o homem mais lindo da cidade. Não digo só pela aparência, mas a maneira como ele anda e se porta, o jeito que ele pisca os olhos... É lírico.
Eu o reconheço de qualquer jeito e isso me entristece. Vê-lo andando distraído pelas ruas dessa cidade acaba comigo. Porque eu me distraí escrevendo sobre ele e agora não há nada. Nunca houve, apenas migalhas. Mas eu me agarrei tanto nisso. Ainda sonho com ele e acordo me perguntando o porquê. Calcanhotto perguntou para que servem as ruas, e eu também gostaria de saber. Mas para que serve esse desgosto com gosto agridoce na boca? Por que digo seu nome na intenção de me salvar?
Não posso lhe trazer de volta para minha vida cada vez que o vejo no outro lado da rua sorrindo para o estrago. Me sinto uma criança de 5 anos que só quer sair correndo sem perceber que vai tropeçar nos próprios pés. Eu sempre tropeço por ele.
Obrigada, Caio Fernando... Pelo título.
sábado, 8 de outubro de 2016
des.co.nhe.ci.do (particípio de desconhecer)
Pessoa cuja identidade se desconhece; estranho
Inventam datas para tudo, não é mesmo? Já pode virar feriado nacional o dia que você me deu o último beijo embaixo da chuva naquele fim de noite? Ah, já é feriado, de Tiradentes. Cê lembra? Essas coisas corriqueiras também deveriam sair no jornal.
Eu acho que te amo agora, porque depois de tanto tempo sem nos falarmos, sem nos vermos, sem querer, eu tirei o dia para pensar em você e escrever isso. Juro que troquei a estação do rádio agora e está tocando aquela música de quando eu te toquei pela primeira vez no escuro da sua sala. Queria que você estivesse lendo isso e me perguntasse que música é...
É, não te esqueço. Você me cortou e jogou sal nas minhas feridas e mesmo assim eu escrevo. Não consegui me apaixonar por outra pessoa, a cidade me embrulha homens mais vulgares que você e eu acho graça. Só em você achei poesia.
Imagem: Demi McCulloch
Inventam datas para tudo, não é mesmo? Já pode virar feriado nacional o dia que você me deu o último beijo embaixo da chuva naquele fim de noite? Ah, já é feriado, de Tiradentes. Cê lembra? Essas coisas corriqueiras também deveriam sair no jornal.
Eu acho que te amo agora, porque depois de tanto tempo sem nos falarmos, sem nos vermos, sem querer, eu tirei o dia para pensar em você e escrever isso. Juro que troquei a estação do rádio agora e está tocando aquela música de quando eu te toquei pela primeira vez no escuro da sua sala. Queria que você estivesse lendo isso e me perguntasse que música é...
É, não te esqueço. Você me cortou e jogou sal nas minhas feridas e mesmo assim eu escrevo. Não consegui me apaixonar por outra pessoa, a cidade me embrulha homens mais vulgares que você e eu acho graça. Só em você achei poesia.
Imagem: Demi McCulloch
domingo, 25 de setembro de 2016
Amanhã recomeço e envelheço
Amanheceu
Eu passei batom e sai
Querendo que todos me vissem
Vissem o quão feliz eu sou
Mesmo que apenas eu saiba
que sou uma esfarrapada mentira
Sempre chego atrasada
Não sei atravessar a rua
e derramo café na roupa
Coloco os fones de ouvido
e finjo que não dói quando me ferem
Entardeceu
Deito no sofá, fecho os olhos
queria desintegrar, não existir
Leio poesia, finjo que escrevo poesia
Penso nos dias ceifando sonhos
Planos aperfeiçoando meu desespero
Escuto músicas doloridas
e vejo o sol dizendo adeus
Enquanto lembro que certas pessoas
nunca disseram nada
Anoiteceu
Puxo uma cadeira e me escoro na mesa
Olho para o nada
O pão não alimenta, nem o arroz
Me retiro e recito mantras
Amanhã ficará tudo bem...
Esqueço o batom e deito para dormir
Quem sabe eu sonhe e seja feliz mais vezes
E seja menos desastrada e não suje a roupa
E acorde mais cuidadosa e saiba olhar para a sinaleira
E que eu chore quando me ferirem
Porque sou humana
e a vida é besta
Deus e Drummond
souberam disso antes de mim.
Eu passei batom e sai
Querendo que todos me vissem
Vissem o quão feliz eu sou
Mesmo que apenas eu saiba
que sou uma esfarrapada mentira
Sempre chego atrasada
Não sei atravessar a rua
e derramo café na roupa
Coloco os fones de ouvido
e finjo que não dói quando me ferem
Entardeceu
Deito no sofá, fecho os olhos
queria desintegrar, não existir
Leio poesia, finjo que escrevo poesia
Penso nos dias ceifando sonhos
Planos aperfeiçoando meu desespero
Escuto músicas doloridas
e vejo o sol dizendo adeus
Enquanto lembro que certas pessoas
nunca disseram nada
Anoiteceu
Puxo uma cadeira e me escoro na mesa
Olho para o nada
O pão não alimenta, nem o arroz
Me retiro e recito mantras
Amanhã ficará tudo bem...
Esqueço o batom e deito para dormir
Quem sabe eu sonhe e seja feliz mais vezes
E seja menos desastrada e não suje a roupa
E acorde mais cuidadosa e saiba olhar para a sinaleira
E que eu chore quando me ferirem
Porque sou humana
e a vida é besta
Deus e Drummond
souberam disso antes de mim.
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