Você disse que sentia a minha falta
E eu fui correndo
Pois a minha saudade era tanta
Nos emaranhamos em desejo e ternura
Como se não existisse distância
Seu cheiro de roupa limpa
Sua expressão de sentidos bagunçados
Passear pelo seu corpo
brincando nas sinuosidades
Eu sempre volto pra você
Eu sempre me deterioro por você
Eu apodreço em suas mãos
mesmo que você me colha na hora certa
Nunca serei madura dentro desse declínio
Você me abraça e o mundo não para
E eu padeço pelo excesso de realidade
Você não é meu
Eu sou a sua pequena, viu?
Você disse isso nos meus ouvidos
e eu consinto
E te sinto,
na medida que você me permite.
quarta-feira, 8 de março de 2017
quarta-feira, 1 de março de 2017
Eu continuo dançando sozinha
17
o número de dias que não nos falamos
Desta vez eu sinto que vai ser para sempre
já que eu disse pra ele fingir que não me conhece
acaso me veja na rua
Ele tirou minha roupa inúmeras vezes
ele tirou de mim a vontade de ser alguém só
Mas estou só agora
no fim de um carnaval fatídico
Noutrora ele disse que
eu fazia um grande evento sobre todas as coisas
Vai ver porque não sabia lidar com a minha alma festiva
Eu não podia esperar mais
do que uma recepção sexualmente calorosa
de alguém que só dormiu do meu lado uma única vez
Sempre havia um porém
Sempre um mas para desestruturar a história
Nunca nos vimos numa festa
no meio de pessoas chatas
Nunca pude sentir ciúmes
de outra mulher na sua volta
Não que eu quisesse isso
Por mais que eu sinta ciúmes até hoje
ao saber da sua estadia em sites de relacionamentos fáceis
Mas nunca o vi no meio da multidão
pra ter certeza que ele era único pra mim
Não lembro da sua altura perto de mim
porque sempre lhe via sentado no banco do carro
ou deitado na cama
Eu posso lembrar do seu riso
do seu cheiro
e do gosto da sua pele na minha boca
Mas é tudo tão amargo
quando eu lembro do quanto ele se desfez
ao destilar seu desdém em poucas palavras
Como se fosse fácil encontrar alguém como eu
num próximo clique.
Good Lucky
o número de dias que não nos falamos
Desta vez eu sinto que vai ser para sempre
já que eu disse pra ele fingir que não me conhece
acaso me veja na rua
Ele tirou minha roupa inúmeras vezes
ele tirou de mim a vontade de ser alguém só
Mas estou só agora
no fim de um carnaval fatídico
Noutrora ele disse que
eu fazia um grande evento sobre todas as coisas
Vai ver porque não sabia lidar com a minha alma festiva
Eu não podia esperar mais
do que uma recepção sexualmente calorosa
de alguém que só dormiu do meu lado uma única vez
Sempre havia um porém
Sempre um mas para desestruturar a história
Nunca nos vimos numa festa
no meio de pessoas chatas
Nunca pude sentir ciúmes
de outra mulher na sua volta
Não que eu quisesse isso
Por mais que eu sinta ciúmes até hoje
ao saber da sua estadia em sites de relacionamentos fáceis
Mas nunca o vi no meio da multidão
pra ter certeza que ele era único pra mim
Não lembro da sua altura perto de mim
porque sempre lhe via sentado no banco do carro
ou deitado na cama
Eu posso lembrar do seu riso
do seu cheiro
e do gosto da sua pele na minha boca
Mas é tudo tão amargo
quando eu lembro do quanto ele se desfez
ao destilar seu desdém em poucas palavras
Como se fosse fácil encontrar alguém como eu
num próximo clique.
Good Lucky
quinta-feira, 23 de fevereiro de 2017
...
Não sei aonde você se esconde
quando não lhe vejo em estacionamentos
e correndo no fim de uma sexta-feira quente
Você sumiu dos bares
Das noites
Mas não dos meus poemas
Mesmo que eu conheça cem homens
e escreva sobre mais dez
Nem um possui sua vulgaridade estonteante
Ninguém desperta em mim
essa paixão descomunal
Que faz eu desgostar de Tim Maia
Só por saber que você o escuta
pensando em outra pessoa
Eu penso em você
quando algum outro me põe a faca no peito
Corta meu coração a lâmina
somente por não se interessar
em conhecer a Adélia Prado
Tim disse por você
que ela partiu e nunca mais voltou
Tim disse por mim
que meu coração pensa
que não vai ser possível
Mas toda vez que eu olho...
quando não lhe vejo em estacionamentos
e correndo no fim de uma sexta-feira quente
Você sumiu dos bares
Das noites
Mas não dos meus poemas
Mesmo que eu conheça cem homens
e escreva sobre mais dez
Nem um possui sua vulgaridade estonteante
Ninguém desperta em mim
essa paixão descomunal
Que faz eu desgostar de Tim Maia
Só por saber que você o escuta
pensando em outra pessoa
Eu penso em você
quando algum outro me põe a faca no peito
Corta meu coração a lâmina
somente por não se interessar
em conhecer a Adélia Prado
Tim disse por você
que ela partiu e nunca mais voltou
que meu coração pensa
que não vai ser possível
Mas toda vez que eu olho...
sexta-feira, 10 de fevereiro de 2017
A pior forma de solidão é o sexo sem amor
Preciso de um abajur novo. Lembrei que não tenho um abajur. Quando nos beijamos tocou Nando Reis no seu carro. Mas você desligou o som, talvez por achar que era demais pra nós dois. Não queria escrever sobre isso. Mas a música pedia para você cuidar bem de mim, misturar tudo dentro de nós. Depois só pude ouvir sua boca estalando na minha pele. Será mesmo que ninguém vai dormir nossos sonhos? Você some da minha vida e eu sempre torço para ser a última vez. Eu brigo, eu maldigo, peço para você apagar meu número. Duas semanas depois estou lhe procurando bêbada às 6 da manhã. No mesmo dia nos avistamos numa avenida abarrotada de carros e transeuntes. Você não diz nada. Eu juro não lhe querer nunca mais. Mas sonho com você, escuto amigas dizendo que você não me merece, mas que talvez daqui há um mês me procure como se estivesse tudo bem. Você sabe que o tempo não faz as coisas ficarem bem. Já lhe disse isso. O tempo está me dizendo que algum hábito meu o desagradou. Meu hábito de querer atenção.
Título: Nelson Rodrigues
Título: Nelson Rodrigues
quarta-feira, 1 de fevereiro de 2017
Solidão é coisa séria e ela também se esconde, não menos esplendorosa, em pequenas e descartáveis histórias como a nossa
Durante o processo de esquecimento
qualquer mera lembrança
rodopia
insinuando-se
No domingo você lembra
que o jogo de futebol
do time dele passará na tv
Na segunda-feira um carro
igual ao dele
cruza há duas quadras
e suas pernas recriam um terremoto
Na terça-feira entre às 19 ou 20h
lembra que ele está na academia
Já na quarta-feira ele deve
estar procurando algo na Netflix,
ou no Tinder
Na quinta-feira ele abrevia a cerveja
com os amigos
num posto de conveniência,
percorre a agenda do Whatsapp
e envia uma mensagem
para a pessoa mais acessível
do momento - Já fui essa pessoa
Na sexta-feira você lembra
que ele vai trabalhar escutando um jazz
no último volume,
consequentemente, lembra que
ele disse um dia
ter gravado uma playlist
da Billie Holiday para você,
mas nunca escutaram juntos
Na madrugada de sexta
para sábado, você imagina que
ele pode estar transando
na garagem de casa
com alguma mulher
mais jovem que você - como vocês já fizeram
Toda semana você lembra
Que ele era a sua alma gêmea
- Mas só na cama
E que ele personificou o cara mais maduro
só por querer ver a sua calcinha
Enquanto você queria que
ele visse seus poemas
Sem se assustar.
Título: Ele precisava ser longo, pois, Tati Bernardi se doeu ao escrevê-lo por mim.
sexta-feira, 27 de janeiro de 2017
Ruge pra mim, feito felino. Me fere com a verdade de querer-me na medida do possível.
Eu escorreguei na nudez dele
E meus pés descalços temeram esmagar qualquer chance
De libertação
Que o tatear captasse
dentro daquele quarto escuro
Dizíamos coisas disformes
Porque não nos importávamos com mais nada
Gonzaguinha poderia rasgar sua voz no rádio
Que continuaríamos inteiros
Dissimulando disfarçando escondendo
Sem revelar jamais
Que poderíamos sim
Caber numa conta de mais
Descendo ladeiras
Vislumbrando um céu de chumbo
Escrevendo sobre a solidão embaixo do viaduto
Em qualquer circunstância
Eu não sei me fazer interessante
para quem me interessa
Quem me despe não me olha
Quem me olha não quer me tocar
Queria que ele soubesse ficar
E fizesse uma planta brotar na minha face
Tão selvagem e impalpável
Áspera e cortante
Só para retratar o contrário
do que sou por dentro
Por dentro eu sou azul
Ele saberia disso se ficasse.
Arte: Agnes Cecile
E meus pés descalços temeram esmagar qualquer chance
De libertação
Que o tatear captasse
dentro daquele quarto escuro
Dizíamos coisas disformes
Porque não nos importávamos com mais nada
Gonzaguinha poderia rasgar sua voz no rádio
Que continuaríamos inteiros
Dissimulando disfarçando escondendo
Sem revelar jamais
Que poderíamos sim
Caber numa conta de mais
Descendo ladeiras
Vislumbrando um céu de chumbo
Escrevendo sobre a solidão embaixo do viaduto
Em qualquer circunstância
Eu não sei me fazer interessante
para quem me interessa
Quem me despe não me olha
Quem me olha não quer me tocar
Queria que ele soubesse ficar
E fizesse uma planta brotar na minha face
Tão selvagem e impalpável
Áspera e cortante
Só para retratar o contrário
do que sou por dentro
Por dentro eu sou azul
Ele saberia disso se ficasse.
Arte: Agnes Cecile
sábado, 14 de janeiro de 2017
Precipita tua fome e reconheça-me como Senhora D. Derrelição. Obscena.
Lembro
Enquanto assisto televisão
Saio para passear
Ou me vejo à toa
Lembro
Do cheiro
Da boca
Das mãos
Do teu peso sobre mim
E da leveza que de mim sai
E paira sobre o ar
Tu pareces
não valer muita coisa
Talvez caiba
no meu orçamento
Diz não ser o homem
que eu penso
Mas eu penso em tantas coisas
Meu interesse se alastra
A repulsa
por essa causalidade também
Meu corpo te quer
Porém, eu cansei de ser
teu subterfúgio
As artimanhas
para me emaranhar nesse desejo
São tão vis quanto deleitosas
Tu sabes como eu gosto
Eu sou mera aprendiz
Me deixa queimar
dentro dessa fixação inflamável
E lembre do meu nome
em meio às chamas
Me chama.
Título: Referência a Hilda Hilst
Enquanto assisto televisão
Saio para passear
Ou me vejo à toa
Lembro
Do cheiro
Da boca
Das mãos
Do teu peso sobre mim
E da leveza que de mim sai
E paira sobre o ar
Tu pareces
não valer muita coisa
Talvez caiba
no meu orçamento
Diz não ser o homem
que eu penso
Mas eu penso em tantas coisas
Meu interesse se alastra
A repulsa
por essa causalidade também
Meu corpo te quer
Porém, eu cansei de ser
teu subterfúgio
As artimanhas
para me emaranhar nesse desejo
São tão vis quanto deleitosas
Tu sabes como eu gosto
Eu sou mera aprendiz
Me deixa queimar
dentro dessa fixação inflamável
E lembre do meu nome
em meio às chamas
Me chama.
Título: Referência a Hilda Hilst
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