Eu lhe beijei depois de quase dois anos
E não tocou Creep na minha cabeça
Eu lhe beijei e não consigo lembrar do beijo
Só lembro da frase reles
que você proferiu nos meus ouvidos
Em meio àquela madrugada escassa
Você só me causa curiosidade agora
Como vive o homem adornado de álcool e
fama arruinada?
Como posso viver bem
se lhe coloco sempre na minha vida
quando a poesia ameaça a me deixar?
Arte: Agnes Cecile
segunda-feira, 26 de fevereiro de 2018
segunda-feira, 19 de fevereiro de 2018
Meu estimado idiota
Com essas mãos eu passei manteiga no pão
e enterrei o meu cachorro mais cedo
Com essas mãos eu te escrevo um poema
e afago o gato
Você nunca reparou em mim
Não conseguiu ver além da cor
do esmalte
E a sua mãe só conheceu
as cores dos meus batons nas suas camisas
descansa um livro com um título intrigante:
"O mínimo que você precisa saber para não ser um idiota"
Você deve não ter lido.
22/06/2017
e enterrei o meu cachorro mais cedo
Com essas mãos eu te escrevo um poema
e afago o gato
Você nunca reparou em mim
Não conseguiu ver além da cor
do esmalte
E a sua mãe só conheceu
as cores dos meus batons nas suas camisas
Eu nem sei qual é o seu livro preferido
No bidê ao lado da sua cama descansa um livro com um título intrigante:
"O mínimo que você precisa saber para não ser um idiota"
Você deve não ter lido.
22/06/2017
domingo, 28 de janeiro de 2018
Domingo
Na sexta-feira à noite você me procurou
Como se fosse sadio voltar atrás
Esquecendo que o rancor reveste o meu corpo
Eu não fui
e você colocou outra no seu lado menos adorado da cama
Me enviou uma mensagem às 4h da manhã
Flertando, porém querendo dizer:
"Eu não acordei agora, meu bem
Comi uma garota
que está no banheiro enquanto te envio essa mensagem"
Você me faz duvidar dos mistérios da vida
Entediando as chances que crio
para manter-me afastada
Parece que tudo é cansativo quando você
Não está me decepcionando
Hoje num domingo quente e nublado
Imagens e sons
Dos seus suspiros e espasmos
Ocasionados por outra
Passeiam em minha cabeça
Você não precisa de mim para nada
Outra pode lhe tocar melhor
Lhe beijar melhor
Lhe sentir melhor
Daqui a pouco irá passar na tv
o último filme que assistimos juntos
Naquela noite em que ríamos
E recomeçávamos pela quinta vez
Hoje tenho certeza
Domingo é o pior dia da semana.
Como se fosse sadio voltar atrás
Esquecendo que o rancor reveste o meu corpo
Eu não fui
e você colocou outra no seu lado menos adorado da cama
Me enviou uma mensagem às 4h da manhã
Flertando, porém querendo dizer:
"Eu não acordei agora, meu bem
Comi uma garota
que está no banheiro enquanto te envio essa mensagem"
Você me faz duvidar dos mistérios da vida
Entediando as chances que crio
para manter-me afastada
Parece que tudo é cansativo quando você
Não está me decepcionando
Hoje num domingo quente e nublado
Imagens e sons
Dos seus suspiros e espasmos
Ocasionados por outra
Passeiam em minha cabeça
Você não precisa de mim para nada
Outra pode lhe tocar melhor
Lhe beijar melhor
Lhe sentir melhor
Daqui a pouco irá passar na tv
o último filme que assistimos juntos
Naquela noite em que ríamos
E recomeçávamos pela quinta vez
Hoje tenho certeza
Domingo é o pior dia da semana.
sábado, 6 de janeiro de 2018
Eu rio enquanto tudo dói
E ele ri,
é um riso de criança, um riso de idiota,
riso por nada,
é o único riso que compreende,
e o quarto floresce de loucura.
Acabou: a essência e a forma.
Eu observo enquanto
ele apaga as velas com seus dedos
comprimindo o canto externo de cada olho
e o quarto está escuro
como tudo sempre esteve.
Charles Bukowski
Um gostar tão ínfimo
é um riso de criança, um riso de idiota,
riso por nada,
é o único riso que compreende,
e o quarto floresce de loucura.
Acabou: a essência e a forma.
Eu observo enquanto
ele apaga as velas com seus dedos
comprimindo o canto externo de cada olho
e o quarto está escuro
como tudo sempre esteve.
Charles Bukowski
Um gostar tão ínfimo
que só te faz lembrar
das sensações epidérmicas
Um gostar tão parco
que não permite
uma mensagem de bom dia
Um gostar tão diminuto
que te faz me querer
só quando ninguém vê
Um gostar bem pequeno
que depois de saciar a vontade
passa
Um gostar miudinho
que faz a gente se amar no quarto
e nos desconhecermos na rua
O tipo de gostar
que eu nunca quis
mas que você estreitou para nós
Um gostar que não te deixa
perguntar sobre a faculdade
nem sobre os meus livros
Um gostar que te impede de sumir
da minha vida para sempre
O gostar que me rebaixa
Um gostar que te impede de sumir
da minha vida para sempre
O gostar que me rebaixa
29/12/2017
sábado, 25 de novembro de 2017
Fui te procurar na rua e meti a cabeça no poste
Se você estiver lendo isso
Quero que saiba que lembrar de você
É tão bom quanto salpicar coco ralado numa cobertura de chocolate
do bolo que fiz há pouco
Lembrar de você me remete aos tempos de ingenuidade
Tempo que eu era capaz de entregar uma carta dentro de um bar
Carta que guardei por meses dobrada várias vezes ao meio
A dor, ela não se resume ao vê-lo beijando várias pessoas
enquanto tenta ser grande
Nem em olhar as suas fotografias no instagram
e imaginar que nossos filhos teriam olhos lindos se puxassem a você
Ao menos, se eu quisesse ter filhos
Esse sentimento difundido erroneamente
que faz eu lembrar você quando alguém me magoa por querer
Pois você só me magoou porque permiti
E voltar atrás é irremediável
Pois não sou mais a garota entrando pela primeira vez naquele bar
E você não é Dionísio e seu nome é impublicável
Você era o homem mais bonito da cidade para mim
Mais bonito do que o pôr do sol que seus olhos capturam
junto da câmera do seu celular a cada fim de tarde
Mais bonito do que sua luta por justiça em voz daquele estrangeiro
Você era bonito para quem o visse através dos meus olhos
Para quem o lesse na minha poesia
Hoje você é só apenas um rosto saturado
em meio aos transeuntes
Conhece músicas boas
Leu bons livros
Está engajado na política
Torce por um time de futebol
Você é só um babaca bem informado
Com lindos olhos verdes - sempre bom lembrar disso
Gosto de lembrar de você pois ajudou-me
a aprimorar minha capacidade de construir bons versos
Veja só, construí um castelo para um príncipe pequeno.
Título: A Grandiosa, Adélia Prado.
Quero que saiba que lembrar de você
É tão bom quanto salpicar coco ralado numa cobertura de chocolate
do bolo que fiz há pouco
Lembrar de você me remete aos tempos de ingenuidade
Tempo que eu era capaz de entregar uma carta dentro de um bar
Carta que guardei por meses dobrada várias vezes ao meio
A dor, ela não se resume ao vê-lo beijando várias pessoas
enquanto tenta ser grande
Nem em olhar as suas fotografias no instagram
e imaginar que nossos filhos teriam olhos lindos se puxassem a você
Ao menos, se eu quisesse ter filhos
Esse sentimento difundido erroneamente
que faz eu lembrar você quando alguém me magoa por querer
Pois você só me magoou porque permiti
E voltar atrás é irremediável
Pois não sou mais a garota entrando pela primeira vez naquele bar
E você não é Dionísio e seu nome é impublicável
Você era o homem mais bonito da cidade para mim
Mais bonito do que o pôr do sol que seus olhos capturam
junto da câmera do seu celular a cada fim de tarde
Mais bonito do que sua luta por justiça em voz daquele estrangeiro
Você era bonito para quem o visse através dos meus olhos
Para quem o lesse na minha poesia
Hoje você é só apenas um rosto saturado
em meio aos transeuntes
Conhece músicas boas
Leu bons livros
Está engajado na política
Torce por um time de futebol
Você é só um babaca bem informado
Com lindos olhos verdes - sempre bom lembrar disso
Gosto de lembrar de você pois ajudou-me
a aprimorar minha capacidade de construir bons versos
Veja só, construí um castelo para um príncipe pequeno.
Título: A Grandiosa, Adélia Prado.
terça-feira, 21 de novembro de 2017
Você me despetalou, mas esse amarelo não sai de mim
Eu não consigo mais escrever
Mas daí vou ao supermercado
e sinto falta de ter alguém para me ajudar
a escolher boas cebolas
Penso em você
Mas você não sabe escolher nada
Eu sei disso, porque você não me escolheu
Naquela tarde ao atravessar a rua
tão bruscamente
E me deparar com você, que não sabia
como me olhar
Eu te olhei por dentro e concluí
Você cresceu demais em mim
Igual àquelas florzinhas amarelas
que se expandem em meio ao capim
Você forrou
a minha cabeça
o meu estômago
o meu coração
Com florzinhas amarelas
Você quis ser mais que o Sol
Sua ânsia de reluzir tudo
Fez-me esquecer que posso brilhar também
Mas você precisa cintilar sozinho.
Mas daí vou ao supermercado
e sinto falta de ter alguém para me ajudar
a escolher boas cebolas
Penso em você
Mas você não sabe escolher nada
Eu sei disso, porque você não me escolheu
Naquela tarde ao atravessar a rua
tão bruscamente
E me deparar com você, que não sabia
como me olhar
Eu te olhei por dentro e concluí
Você cresceu demais em mim
Igual àquelas florzinhas amarelas
que se expandem em meio ao capim
Você forrou
a minha cabeça
o meu estômago
o meu coração
Com florzinhas amarelas
Você quis ser mais que o Sol
Sua ânsia de reluzir tudo
Fez-me esquecer que posso brilhar também
Mas você precisa cintilar sozinho.
sexta-feira, 29 de setembro de 2017
Numa barbárie eles se esbarraram no bar
Conto baseado em um antigo poema autoral
Verdes, os olhos de pupilas dilatadas a encarando do balcão no canto do bar. E os olhos dela, tristes. Mas ele naquela mísera luz não teve olhos para ver. O deslumbramento e o álcool anuviam tudo, não é mesmo? Torcia ela para que ele fosse mais do que um adorno do ambiente. Almejava ele que ela fosse o troféu da noite. Entre olhares minuciosos e gestos impalpáveis, saíram os dois pisando em cacos de vidros na calçada, como quem pisa em estrelas. No caminho até o ponto de táxi, ela sentia os olhares dos bêbados e das putas da cidade sobre os dois juntos, inacreditando na exatidão daquela imagem. Ela possuinte de cabelos negros, tão pálida e desarticulada, com um dos homens mais bonitos da cidade. O mais bonito para ela. E considerava isso há anos.
Quebrando o silêncio após escutar a torneira jorrando água, ele disse que gosta tanto de ver a chaleira chiar. Como se com ele conversasse, contando-lhe urgências... Ele desencaminha o assunto para objetos externos, ganhando o tempo dela, que prepara o seu café, tentando lhe devolver o foco. Precisava destilar o álcool que bebera em algo forte, porém sereno. Ele a olha como quem quer tudo, mas ela só quer umas poucas palavras. Já passa das três da madrugada e ele agora troca o hálito do ar com o seu cigarro caro. Pergunta se ela tem por hábito recolher estranhos em bares lotados e preparar-lhes um café no cinza das horas. Ela disse que já o conhecia, de alguma avenida, daquela loja de tintas, quem sabe, talvez de outra louca vida.
Ele proferiu que louca é ela, e riram. Riram como quem pisa mesmo em cacos de vidros. Falou que o café estava amargo e pediu papel e caneta, colocou um bilhete em suas mãos e saiu sem dizer nada. Ela num espasmo leu "o demônio que habita em ti, já morou em mim'', uma cena quase que baudelairiana. A partir daquele momento, ela poderia persegui-lo em todos os bares mais ínfimos, para vê-lo, corrompendo outras moças estonteadas, mas apreciadora de um bom drama. Escreveu o nome dele na sola do seu sapato favorito e voltou para o bar. Essa noite ela vai dançar até ele se apagar dela.
Verdes, os olhos de pupilas dilatadas a encarando do balcão no canto do bar. E os olhos dela, tristes. Mas ele naquela mísera luz não teve olhos para ver. O deslumbramento e o álcool anuviam tudo, não é mesmo? Torcia ela para que ele fosse mais do que um adorno do ambiente. Almejava ele que ela fosse o troféu da noite. Entre olhares minuciosos e gestos impalpáveis, saíram os dois pisando em cacos de vidros na calçada, como quem pisa em estrelas. No caminho até o ponto de táxi, ela sentia os olhares dos bêbados e das putas da cidade sobre os dois juntos, inacreditando na exatidão daquela imagem. Ela possuinte de cabelos negros, tão pálida e desarticulada, com um dos homens mais bonitos da cidade. O mais bonito para ela. E considerava isso há anos.
Quebrando o silêncio após escutar a torneira jorrando água, ele disse que gosta tanto de ver a chaleira chiar. Como se com ele conversasse, contando-lhe urgências... Ele desencaminha o assunto para objetos externos, ganhando o tempo dela, que prepara o seu café, tentando lhe devolver o foco. Precisava destilar o álcool que bebera em algo forte, porém sereno. Ele a olha como quem quer tudo, mas ela só quer umas poucas palavras. Já passa das três da madrugada e ele agora troca o hálito do ar com o seu cigarro caro. Pergunta se ela tem por hábito recolher estranhos em bares lotados e preparar-lhes um café no cinza das horas. Ela disse que já o conhecia, de alguma avenida, daquela loja de tintas, quem sabe, talvez de outra louca vida.
Ele proferiu que louca é ela, e riram. Riram como quem pisa mesmo em cacos de vidros. Falou que o café estava amargo e pediu papel e caneta, colocou um bilhete em suas mãos e saiu sem dizer nada. Ela num espasmo leu "o demônio que habita em ti, já morou em mim'', uma cena quase que baudelairiana. A partir daquele momento, ela poderia persegui-lo em todos os bares mais ínfimos, para vê-lo, corrompendo outras moças estonteadas, mas apreciadora de um bom drama. Escreveu o nome dele na sola do seu sapato favorito e voltou para o bar. Essa noite ela vai dançar até ele se apagar dela.
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