sábado, 18 de novembro de 2023

Para que eu nunca mais me atreva

quando conheci você
jamais pensei
que hoje eu estaria tecendo uma nova obsessão
 
demorou para acontecer
e ainda foi tudo tão atípico
como se a estranheza de nós se apoderasse

eu não sabia como agir
você adentrando todos os meus espaços
eu recuando
você rindo

seu cheiro dominando minha mente
impregnando a minha casa

todas as coisas que descobri de você
todas as outras que ainda quero saber

tudo

todas as coisas que você não sabe de mim
todas as coisas que não quer saber

é, eu acho que você faz muito bem
em se distanciar assim
pois o meu medo
não permite começos

depois de tanto tempo
senti vontade de escrever 
senti vontade de dizer como me sinto
quando te vejo da janela
tudo o que você me causa
e nem desconfia

mas você fica aí
e eu fico aqui
ninguém diz nada
quinhentos metros nos separam
mas a lonjura é abismal

que ironia você ser meu vizinho
que vício te acompanhar atrás dos vidros
nada nunca pode dar certo, não é mesmo?
não para mim

você brincando com as minhas gatas
você me olhando no fundo da alma
e talvez não enxergando nada

você nu e estático
adornando minha sala
sendo a primeira e última vez
você do outro lado da cama
quis tanto tocá-lo
enquanto dormia
contornei o seu corpo com a ponta dos dedos
mas só na imaginação

somos opostos um do outro
mas eu quis tanto
e você nunca saberá

fica aí
e eu vou ficando aqui
tentanto evitar as janelas
tentando fugir 
pra me curar

se você desistir de mim agora
quem sabe amanhã não doa mais
mas tem que ser agora

pra não dar tempo de eu me apaixonar.


*tíulo caio fernando abreu