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segunda-feira, 22 de maio de 2017

Me morde, me assopra. Me faz de abrigo.

Segure minha mão
Vamos sentar naqueles degraus gelados
Você não consegue parar de falar 
E eu vou me apaixonar de novo

Suas pernas tatuadas emboscaram
minhas pernas pálidas

Os mesmos olhos de azeviche 
outra vez
Meu encantamento noturno

Continuamos a percorrer essas ruas largas
Não larga a minha mão

Fale sobre Montessori
Sobre a minha poesia
Fale sobre o quanto as árvores parecem mais bonitas 
nas estradas quando você vem me ver

Quero te levar na feira
Comprar tâmaras de manhãzinha 
na praça central

Me beija
Deixa-me dizer a eles 
que vou te casar comigo

Meu menino
Meu João.



domingo, 8 de maio de 2016

Me afaga com mãos de papel, como se fosse impossível me escrever sem me tocar

   Você se afogou nas águas do Laranjal, nas mesmas águas que estraguei meus fones de ouvido naquele dezembro gelado de alguns anos atrás. Você pisou com os pés firmes descalços na areia, e vislumbrou a profundidade abraçando seu corpo esguio de 1,90 de altura. Você não quis ser só o estudante de psicologia com as pernas tatuadas e que me inspirava poesia apesar da distância geográfica, você queria desaparecer, de Pelotas, do mapa, dos poemas, do meu coração. Porque você não era obrigado a nada. Mas você gostava de ser escrito por mim, como eu amei ter escrito você. Eu queria desaparecer, de Alegrete, do mapa, esquecer dos poemas e mastigar meu coração. Você ainda tem aquele bilhete que lhe deixei na biblioteca? Que eu dizia não ter mais tempo para ficar planejando desfechos para um único personagem, pois existem tantas pessoas lá fora que renderiam bons sonetos... Mas você, você me inspirou um livro todo. E eu passei a ter medo de mim. 
   Te escrevi mais de cem poemas, nos perdemos no meio deles. Você se afogou só pra saber se era de verdade. Um rapaz frustrado que fumava maconha todo o dia enquanto lia Foucault, Jung, Nietzsche, Freud e conversava com uma moça perturbada que só sabia falar sobre escritores malditos. Hoje você é um psicólogo, tenho certeza que ainda frustrado.    
Eu continuo sendo a mesma moça escrevendo sobre caras estranhos que jamais serão você, meu João.

Título:  Dançando na sarjeta (link- poema para joão)

segunda-feira, 7 de setembro de 2015

Eu só quero querer João

Será João, mais do que um personagem
que vive nas frestas de mim
e brota feito erva daninha em meio ao nada?
Somente para me provar que pode sim, ser tudo?
Eu queria que ele fizesse parte dos outros
Que como os outros, mentisse que vai ficar
e sumisse do mapa depois
Mas suas expressões miraculosas estampam minha mente cansada
Pra onde ele vai quando não se mistura na multidão?
Alguém me diz aonde fica ele
quando o expulso da minha vida primordial
e prometo nunca mais trazê-lo para este papel
Depois de tanto travar guerra entre sossego 
e anseio pela morte
Me vejo bem, e me vejo insípida
para acompanhá-lo

Talvez eu não vá além da mulher fatídica 
e perfurada em frente ao espelho
Será que ele está pronto para isso?
Pronto para mim?
Pensando bem, talvez eu seja João
Um verme que habita frestas 
porque não consegue aceitar 
morar no peito de outrem
Se João não combina comigo 
Eu o encaixo junto de qualquer confusão.




segunda-feira, 13 de julho de 2015

Diluvio nenhum nos explicaria

Era quase dia
Quando se trata dele
não sei ser exata
Então as horas 
pouco importam
Caminhávamos - à toa 
por aquelas ruas 
de casas coloridas
Carregando nossos espíritos 
em preto e branco
Eu falava sem cessar
e João ria tanto
Duas crianças eufóricas 
percorrendo as avenidas
mais bonitas da cidade
Quando ele segurou a minha mão,
entendi o porquê 
de eu ter vivido tantos dias ruins
Mesmo se não houvesse 
predestinação,
meu caminho se esbarra
sempre no dele
Em três meses ou um semestre,
um ano ou dois
Nosso silêncio 
sempre fora estardalhaço
e a saudade sangrenta
Cuja ausência
nunca seria suprida 
por qualquer paixãozinha primaveril
que viéssemos a sentir 
enquanto tentávamos nos perder
em lençóis alheios
Nosso amor é antediluviano
Noé enxergou em nós
o futuro e a salvação
Entramos naquela arca
sabendo que seríamos um do outro,
em todas as vidas.

terça-feira, 30 de junho de 2015

É pra você que eu corro - sempre

Você desanuviou o céu pesado para que pudéssemos olhar para o alto sem receios. Eu viveria para sempre na sua brisa de homem lírico, se eu não me obrigasse a escrever sobre...
Sobre meu encanto latente por seus olhos de azeviche e suas mãos esculpidas por Deuses. O destino equalizou seu timbre para tocar no meu despertador. Dor, a mais bonita senti por você, João. Porque você nunca teve a intenção de me machucar. Eu que grudei o dedinho do pé numa quina qualquer e nunca mais sarou. Mas como você bem sabe, dizer isso hoje não estragará nada, que já não esteja podre há muito tempo. Creio que todos que passam e se vão da minha vida, sempre me direcionam até você. Até você que algemei em meus melhores poemas, que não conhecem a modéstia, pois, levam seu divino nome.
Você nunca me deixa, e como já escrevi outrora, você ressurge quando mais preciso de paixão. Paixão de verdade, que arde mas fica. Obrigada, por merecer o meu corpo e meu desassossego, dormir no teu peito apaga o tempo que não foi bom.

segunda-feira, 11 de maio de 2015

Essa obsessão histórica está tatuada no peito do Tempo

Seus olhos negros
condecoram o seu rosto
de feições plastificadas
Você ainda é
o homem permanecido
O mesmo das praças
e fotografias
Não sei mais o que inventar
sobre você
Você me inventou
para sobreviver
em alguma poesia
E conseguiu
Conseguiu
mexer na minha vida
Lhe batizaria como João,
se este não fosse seu nome
Mas não é esta a vida
Só é este o tempo,
para cansar regando
essa paixão infrutífera
Eu lambi o chão
debaixo dos seus pés
para nunca falar de Amor
Eu errei
para não terminar te vendo
como o errado.

domingo, 19 de abril de 2015

João nunca voltará para casa

Leio suas antigas cartas
e parece que nunca nos perdemos
Sinto o peso de suas firmes mãos
em cada letra tremida 
desse papel agora carcomido pelas traças 
Faz alto inverno no meu corpo 
ao recordar do seu olhar quente
Você leitor, perceba bem a controvérsia
que ele me fez ser
Eu lhe escrevi durante toda a guerra
Nos lemos 
na fome
no frio
na dor
no medo
na esperança 
de vida, após mais um novo bombardeio

A última carta,
eu não sabia que era a última
Numa passagem, disse-me: A vida tem sempre uma desculpa.

Meu João, dize-me então 
em um outro tempo,
noutro espaço de vida... 
a desculpa para nos perder assim?

Hoje, ingenuamente o espero
com chuva e suco de maçã.

quarta-feira, 25 de março de 2015

Não, tu não devias ter ido. Mas era amor perdido.

João me matou
mais vezes do que gostaria de morrer
A primeira vez
quando me sufocou com o travesseiro
no meio da noite
A segunda
quando brincou
de riscar a faca no meu corpo
A terceira
quando falou-me de outra mulher
A quarta vez
quando não me procurou naquele fim de maio
A quinta
quando não se importou
Depois teve uma vez, 
[que não dá pra esquecer]
foi quando me esqueceu
Foram tantas as vezes que ele me assassinou
Em algumas dessas vezes, ele arrependido
tentou me salvar para ser salvo
Fez massagem cardíaca
Pôs esparadrapos no meu corpo retalhado
Não mais falou de outra
Mas na última vez já era tarde
Ele me esqueceu,
eu conformada decorei meu velório
com flores recolhidas nas beiras das estradas
e fechei meu próprio caixão
Chorei por mim mesma.

Eu sou João. Eu me esqueci, eu me matei.

Título: Cecília Meireles

domingo, 22 de março de 2015

João, Jonathan, Jesus

Noite passada sonhei com você
Nunca posso ver o seu rosto 
nesses momentos fragmentados de ilusão
Mas seu nariz continua a ser afrontoso
e suas unhas inacreditáveis!
Igualzinho àquele poema de Adélia,
que lhe enviei junto ao meu coração 
por correspondência

O mesmo diabo que uivava  algemado
nas profundezas do inferno Adéliopradiano,
uiva agora, enquanto te tiro de mim
para lhe pôr em mais este poema.

sexta-feira, 27 de fevereiro de 2015

João é doença

   Você pode sentar nas pracinhas das fotografias e pensar nas madrugadas em que lia minhas poesias, e me dizia querer saber escrever coisas como eu. Você e toda a sua psicologia, querendo me colocar contra a parede até eu admitir ter escrito uma bela ilusão. Você sentia-se incapaz de inspirar um coração... Você pode continuar a esconder seu rosto nas mesmas fotografias, mas eu lhe vejo como ninguém. Diabólico, mas sem pretensão. Você não quer mudar o mundo, você só quer ser o João. O cara mais louco e sem rumo, que eu coloquei dentro do meu coração. Você me deu tanta segurança, se eu tivesse aceitado me daria seu corpo, papel para toda e qualquer poesia... Mais do que poesia e corpo, eu quis sua alma. Você adentrou aquele dois mil e doze, mas eu só lhe quis em dois mil e treze. Ah, seus olhos marginalizados, por você eu cometi um crime: escrever demais. Eu lhe escrevi na palma da minha mão, na parede do meu quarto e nos banheiros públicos mais fétidos da cidade... 
   Você na minha cabeça, vestindo uma camiseta branca e descansando um cigarro na boca. Você no outro lado da linha reclamando daquele frio de maio, rindo, bocejando, sendo tão menino. Você era tão meu, não sendo. Você é mau, isso sim. 
   Você pode não lembrar mais de mim, nas pracinhas ou em novas fotografias, tanto faz.... Essa paixão maldosa nunca vai ser esquecida. 



quarta-feira, 25 de fevereiro de 2015

Cada um com o seu João

Os dias me pediram 
para escrever sobre João
[Peço licença 
para a minha nova paixão]
João não morrerá aqui
Ele não beijava meus pés,
nem pisava nos mesmos
João admirava meus calos 
e até fazia graça da aflição
Não massageava pés
e nem ego
''João'',
eu gosto tanto de escrever esse nome
Como se de cada letra, 
eu absorvesse a poesia necessária 
para perfumar as flores da cidade
João, mantém sua presença
nas nuvens mais carregadas
e na ausência mais indolor
João me esqueceu
só para eu lembrá-lo
em cada nova dor.

sexta-feira, 30 de janeiro de 2015

Os imbecis que não acreditaram em nós e você que não fala mais comigo

Um semestre inteiro
que você não fala comigo
Ficou sem saber
que perdi dois empregos
emagreci
cortei meu cabelo
me chapei mais
chorei horrores
e até virei atriz
Agora dou pra convencer 
que foram só tristes meses 
para lhe esquecer
Seria cômico demais
dizer que no fundo,
bem no fundo
preciso do resto dessa vida
Cara, eu sou do drama,
já devo ter dito
Mas acontece 
que extremismos passionais, 
só são engraçados
e eu quero fazer chorar
todos aqueles
que riram de nós.

(Enquanto eu rio de mim
por ainda acreditar nisso)


13-01-2015

sábado, 3 de janeiro de 2015

João aflora a minha loucura

Eu quero matar João
Quero fazer picadinho
daquele belo tatuado corpo
e guardar no congelador
em embalagens especiais
Eu vou regular o forno
para 180 graus
e fazer um assado para os Deuses
Não saiu nas cartas
essa minha vontade hedionda,
mas a fome que tenho dele
chega até ser digestiva e não só passional
Desejá-lo na cama e no meu prato,
é o amor mais doente que gosto de sentir
Meu instinto de pertencimento escolheu João
Tendo João no meu estômago,
eu jamais pensaria em abandono
Porque ele estaria em mim e não só nestas linhas
O que me difere dos psicopatas,
são só as minhas vontades que não realizo.

Você tinha razão, meu João
Eu te devoraria
somente para o transformar em poesia
Para sempre

Você não morreria
nem se eu te matasse.

terça-feira, 23 de dezembro de 2014

Para ver-me como mais um verme

Ele está no Uruguai agora, 
com o seu novo amor
Posando para fotografias 
em meio aos girassóis
Enquanto a vida gira
e me desenterneço  
Eu nem o conheço, 
mas escrevi sobre nós 
por incontáveis meses seguidos
É muito difícil definir
o que eu gostaria que fôssemos
Não o conheci num ônibus
e nem em um supermercado
Também não posso dizer 
que o inventei
Eu nunca tivera criatividade 
para desenhar um terremoto
daquela estrondosa magnitude 
Tudo o que eu quis para nós
se encontra dentro
dessa minha dificultosa atração nada remota
Há livros meus na casa dele,
talvez em gavetas abandonadas
Há aquele bilhete,
onde escrevi que
não poderia mais esperar
Pois, outros personagens 
me aguardam fora desse vendaval
Esses personagens por mais
ideológicos que sejam
não suprem minha necessidade
abismal]
de possuir em mim o maior de todos 
os encantamentos
Como eu disse no inicio,
ele está no Uruguai
com a família e ela,
esperando os festejos dezembrinos 
Parafraseando Adélia, 
cito que João está com com uma mulher 
que não sofreu por ele 
um terço do que eu sofri
Mas direi mais, 
ele está com uma mulher linda
e jamais será para ela o Jonathan de Adélia

Para sempre meu João

(Meu travesti poético)

quarta-feira, 17 de dezembro de 2014

Uma esperança mais triste ao fim do meu dia

   Eu vou parar de escrever sobre ele, não vai ser por rancor, isso é uma certeza consumada. Se ele não mais aparecer por aqui entre linhas e paixão ocasional, é porque percebi que tentar prender alguém dentro de uma ilusão fadada é um devaneio perigoso, até para mim. 

Essa estória não se difere dos outros romances intituláveis que a nossa História já presenciou. Mas eu quis o seu corpo soterrado na terra que gerou as vegetações mais bonitas, o seu corpo sob o meu, escondendo a minha escureza.
    Eu tentei ser o mais clara possível, causando inveja nos dias nublados. Lhe passando o recibo da minha loucura e assinando toda e qualquer tristeza. No final que não fora escrito, eu não fui nem eu direito. 

Eu fui o que essa paixão foi. Desajeitada sádica carnavalesca. 
Desfilando meu psicopatismo nas poesias e avenidas dessa vida partida. 



Título: Manuel Bandeira

sábado, 6 de dezembro de 2014

Quase 7

Eu quero muito 
abrir um buraco 
no meu quintal 
para esconder 
de mim mesma 
as falhas todas 
que lembram-me
tal paixão burocrática
Todavia, a política
deste romance
me priva
À revelia das coisas
que não pedem entendimento,
eu quis sim, entender
Para agonizar em paz,
dentro da dignidade
que criei tendo uma caneta na mão
Fique sabendo,
meu coração
combina com buracos.

terça-feira, 2 de dezembro de 2014

Escrevi essa dor pra você me curar enquanto lia

O deslumbramento
ao ver seu nome
contido num poema meu
Fez você escrever o nome
de outro alguém na sua vida                                                                   

sábado, 22 de novembro de 2014

Mais uma página da melhor degradação

A vida corre em quilômetros
Eu parei em frente ao espelho
para me ver chorar
Do que adiantaria 
pegar o meu batom mais bonito
e escrever no mesmo espelho
que sinto a sua falta
Se nem um poema lhe comove,
imagine uma frase
Imagine eu, 
em pleno estado de decomposição
Virando pó
Porque minha vida você virou para baixo
como quem termina a última dose de whisky, 
vira o copo e vai simbora

O drama sempre fica
O drama eu posso dizer que é só meu.






sexta-feira, 14 de novembro de 2014

Sofrência secular

Ninguém sabia, até agora,
mas eu sinto 
insetos caminhando sob meu corpo
Me examino e nada acho
Acho mesmo que a Paranoia 
se encantou por mim
Eu quis pedir ajuda a ele
Mas me armei com a ilusão mais sensata
Pedi mesmo foi uma bebida forte
e o destilei na minha euforia
Ajeitei-me na cadeira de ferro
Na mesa daquele bar limpo demais,
para a sujeira da minha platonice urbana
Só havia guardanapos de papéis coloridos
Daqueles que as cores desbotam nas mãos
quando a cerveja começa a suar
Entrei em letargia, 
queria tanto um guardanapo 
branco
discreto
sem a pretensão de quebrar a frieza
daquela epifania
Porém, o súbito entendimento das coisas
ia bem mais além da disposição 
das cores de um guardanapo
Minha compreensão abrangeu
a cena:
eu
sozinha
no bar
pensando
nele
que hoje tem fotografias com cães 
das garotas com quem divide seu tempo
Eu não tenho tempo
Também não tenho um cão
Ainda preciso de ajuda
Minha gata se chama Juliete,
mas ele não perguntou 
de onde tirei esse nome
Agora, me pergunto
Por que quero este homem?

quarta-feira, 5 de novembro de 2014

Amor à la Dahmer

Me espera! Por favor, me espera...
Deixa eu bater na sua porta até você sentir medo de mim, mais uma vez. 
Eu quero lhe cravar a faca no peito pra lhe mostrar a dimensão dessa minha doença.
Depois degustar seus músculos e marinar seu coração com temperos cheirosos.
Me aceita com toda esta lama que despenca das botas que não combinam comigo.
Me aceita, que eu lambo o tapete preferido da sua mãe, que acabei de sujar com meu apelo de amor miserável. 
Fica comigo, eu largo o álcool e faço dos líquidos que te escapam da pele, os meus preferidos.
Chame de amor, essa doença que até mais cedo ninguém ousou dar o diagnóstico por medo de ser contagiosa. 
Cuspa na minha cara, jogue-me no chão com toda a poesia que você só julgou bonita.
O bonito lhe ofende, então eu passei a escrever o pior que fez-me sentir em prol da indiferença que lhe protege. 
Me proteja, das pessoas imbecis que não acreditaram em nós. 
Me envolva nessa sua bolha de homem mau, que corrompe tudo em sua volta.
Volta a desejar-me, com toda a minha loucura que atravessa fronteiras e vai além das guerrilhas mexicanas.
Meu drama mexicano é todo seu, você sabe. Quero sentir uma felicidade inesgotável que faça doer o peito, como o meu peito dói agora por não sentir felicidade alguma.
Ah, João... Você é tão bonito, que me dá vontade de arrancar a sua cabeça e lhe montar um altar para não sair da minha vista.
Comer os seus pedaços, em busca de qualquer salvação. Mentira, não quero ser salva.
Me roube a ideia do suicídio diário e me mate você mesmo. Definhando-me, negando migalhas da sua presença. Não ria, João... Você é o meu mais leve absurdo. Eu posso tirar a roupa para lhe impressionar, eu posso comprar uma arma também.
Me espera, antes que eu decida que azul marinho é a cor mais bonita para o seu caixão. 
Vou pegar o ônibus na próxima hora, meu bem... Não fuja, mais não. 
Pois para casar o seu demônio com o meu, eu irei até o inferno.