sexta-feira, 13 de julho de 2012
Necessidade de fuga
Hoje decidi não atribuir mais desculpas concretas
para disfarçar tua covardia irrevogável. Nem tampouco pretendo mais enfatizar a
impossibilidade que nos divide. Posso escrever sobre cactos na janela, paixões
que fogem de serem sadias, mentiras sinceras. Quero escrever sobre nuvens
encarneiradas a nos sorrir acima do céu. Escrever o quanto ela pode ser amada.
Escrever sobre o meu descuido quando tento não escrever sobre o meu amor.
sábado, 7 de julho de 2012
A calma não acalma
Só teu silencio
aproveita esse meu amor
discreto
Então não venha
com essa calmaria
que me põe no colo
se for pra viver indo
embora
de mim
quarta-feira, 20 de junho de 2012
I dont wanna fall down
E tudo que eu escrevo e guardo, escrevo e mostro para o mundo ler é uma sentença. É a prova mais obvia de que eu um dia me deixei prender, seja por capricho ou por necessidade. Eu fui arrastada pelas palavras, eu enfeitei toda a dor. Eu já sinto o peso dessas palavras no futuro, o custo é caro. E quem vai pagar pra entender o que não aconteceu? Desespero. Eu não sinto mais medo, mas não quero cair.
quarta-feira, 16 de maio de 2012
Sobre o não saber
''Mas eu não sei como pode ser amanhã...'' Essa podia ser a frase da minha vida, mas ninguém sabe do amanhã... Talvez esse tenha sido o meu erro maior, não ter te aproveitado melhor. O tempo é o meu segredo, e eu sinto sua falta.
sexta-feira, 11 de maio de 2012
Sobre o que ninguém escreve...
Ninguém escreve sobre a reunião dos passarinhos em volta da tigela do cachorro, sobre a vizinha que se veste de rosa para estender roupas no varal... Sobre a mulher ranzinza de bigodes que atende no bar da esquina. Eu sempre gostei dos detalhes corriqueiros e do cotidiano cansado. Talvez seja por isso que atribuo beleza e simplicidade a tudo... É porque eu vejo sintonia quando a vizinha da direita coloca seus pares de sapatos apenas no lado esquerdo de sua janela. E escrever sobre o que ninguém percebe, me faz ser percebida pela vida. Sobre joelhos ralados, sobre corações pulsando, sobre romances de esquina e esperas no portão...
sexta-feira, 4 de maio de 2012
Meu equívoco ainda tem nome
Eu quis gritar, perguntar de onde vinha tanta felicidade, e se tinha um pouco pra mim também. Só um pouquinho. Era tantos casais, na rua, na esquina, na janela, na parada de ônibus, nas propagadas da televisão, carregando compras do supermercado. Há tanto amor lá fora, amor bem empregado. Amor sendo amor. E eu não me importo se estou sendo cruel agora, porque de alguma maneira... Sei que a vida está esfregando nas minhas fuças o quão eu preciso de dedos entrelaçados. Não quero mais acabar invertendo os papéis e usando mais outro cara como válvula de escape para suprir minhas dores de amores... E depois no dia seguinte ter certeza de que não significou nada, porque na verdade não significou. Aí escondo a cara por arrependimento, e evito qualquer palavra, porque ninguém preenchera o vazio que há em mim. Esse vazio é o que me conforta. Meu equívoco ainda tem nome, e eu não me canso de errar.
segunda-feira, 30 de abril de 2012
"As coisas não ditas apodrecem em nós."
Quase não penso quando ela se aproxima, o barulho do salto alto dela me desconcentra... Então me encara de frente, arqueia umas das sobrancelhas e eu me desfaço por dentro mais uma vez... Ela se infiltra por entre minhas frestas e me desvenda. Não está nada bem. Ela promete me esquecer, depois diz falhar em mais uma tentativa. E eu não encontro a paz. Ela não pode preencher minhas lacunas, porque já não existe tempo pra nós dois. E isso já é mais uma parte de nós que se parte. E se eu falo pouco, ela não me perdoa, se eu falo muito ela se ilude. Se ela fala muito eu me confundo. Se ela não fala nada, eu sinto falta. Logo eu parto daqui, e só posso a levar junto com meus delírios. Há espaço no coração, mas na vida não. Mas o impacto da distância é um delito a mais na nossa ficha. Eu queria tudo e não queria nada; eu queria ela. Ela ainda diz que sou seu primeiro amor intacto pelo tempo, mas eu não sei se vou ou se fico. Caminho em passos curtos mas firmes, de longe ela me abre os braços... Eu paro na pista. E ela sempre continua lá. Essa minha ebriedade me afeta.
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