sábado, 23 de fevereiro de 2013

Adeus, de novo.

Não, não quero deixar de escrever só porque tenho de te tirar da minha vida. É tudo tão complexo, como se fosse nada. Mas eu só comecei a escrever porque sabia que te alcançar era quase impossível. Então inventei um jeito... Pretextos, textos e mais textos. Tu nem sabe a cor do meu esmalte preferido, mas sabe que escrevo só por te amar. Mas agora, nos vejo em tudo que não aconteceu, no que não pode dar certo. E a verdade, é que nem dói mais quanto nos meses que passaram. Esse desprendimento atrasado não é nada absorto. Enfadonho é eu escrever toda semana, para tentar dizer adeus. Acabo sempre aqui, sem dignidade por ser tão repetitiva. Então apareça... alimento teu ego, afago tua vaidade... Ainda com prazer. Esperando tu nunca dizer nada.

Rafael Iotti, de longe entende. 
E acho que sente o mesmo, mas ainda escreveu de forma completa e mais bonita.

...acho que nós vamos viver na lembrança até o último olhar fosco pro teto branco e pensar 
"E se eu estivesse com ele? Será que a minha vida teria sido melhor?"
Ninguém pode responder se seria ou não. A vida é feita de precisão, e não de variáveis. A gente vive pro outro, e como eu vivi por ti... 
Te tenho a melhor lembrança possível, um último abraço, o último cheiro. Perto de ti sou uma arma sem trava, tremo só de ouvir teu nome. Torço por outra vida que a gente se cruze melhor. Tudo é tão simples que é difícil de simplificar. Mas o amor é assim, quando se vê, já está atrás de ti... dizendo adeus.

domingo, 10 de fevereiro de 2013

­Amor roubado

   Aquela semana foi tão cansativa para ele, estradas que não o levaram para casa, bares que abrigam todas as espécies de pessoas tristes... E ele esperando aquele sinal de vida, de consideração, de afeto ou qualquer coisa... O telefone não tocou nas duas ultimas semanas. Não havia esperança, nem dor. Jeff sabia que ela não iria ligar, mas de qualquer maneira ele ainda pensava. Pensava muito. Porque ele não queria virar a página, nem trocar de livro... Talvez fosse obsessão para saber como seria o final, mas eles sempre se perdiam nas primeiras vinte páginas. Ela interpretava a falsa ingenua, ele nem desconfiava que nessa história era um completo frágil. Com seus quase trinta anos, viver para ele, era correr por aí com o seu violão nas costas e cantar até a madrugada o abraçar com tamanha melancolia. Ana portava nos seus dias a rebeldia da idade. Não sabia o que queria, mas queria o que não podia ter. 
   Na ultima quinta-feira que passaram juntos, ele nem se atreveu a contar dos dias que passaria longe da cidade, ela nunca entendera... Não era nem ciumes, era saudade unida ao medo. Ele errou em não ter deixado ao menos um bilhete. Ela ficou tão incrédula, tão brava. Sempre confiou demais no poder de persuasão que tinha sobre ele. E não estava errada, ele era louco confesso por ela. Mas a música o definia como parte do mundo, então ele foi sem avisos. Nesses dias todos, ela parecia ter esquecido ele. Não atendia o telefone, e nem retornava ligações. Ana era egoísta, não podia aceitar a distância que a música queria impor entre eles... Passou semanas e mais semanas. Ele cada vez mais longe, se jogava em suas tentativas frustradas de contato. As oportunidades aumentavam para ele difundir sua carreira na cidade grande, ela só lembrara dele sem raiva quando escutara sua voz no rádio. Ele cada dia mais enfezado por tamanha birra dela, por parecer não notar seus esforços para continuar cantando e ainda não deixar de ama-la. 
   No decorrer dos seis meses que se alastraram... Jeff escreveu-lhe diversas cartas, confirmando seu amor, pedindo que pegasse o primeiro trem e viesse ao seu encontro. Todas as cartas ignoradas. Ele nem sequer se dava o trabalho de acreditar que pudera ter acontecido algo, telefone quebrado, carteiro distraído, algum problema com o endereço... O problema era ela, com sua facilidade de desapego. Ela o amava, sim... Amava de verdade. E sabia que não seria mais uma garota interiorana que ele conhecera naquele buraco de pouco mais de cinco mil habitantes. Completando oito longos meses da sua partida não prevista, ele retorna no intuito de leva-la embora junto dele. Chegando na cidade, soube... 
   Ela se casara um mês antes, com seu primeiro namorado. Ela estava feliz, Jeff estava entorpecido. Ele não sabia se chorava, se esmurrava a primeira pessoa que se pusesse em sua frente. Ele pensou em suicídio, em homicídio. Ele precisou ir embora dali, para finalmente saber que ela não precisava dele apesar de todo amor. Nunca mais se viram, nunca mais deixaram de se amar. Ele cantou até o fim, para nunca mais querer voltar.

segunda-feira, 4 de fevereiro de 2013

Nada ficou no lugar

   Eu quebrei a cara, eu estava por um fio. Só queria guardar esse segredo até de mim, esconder os vestígios do que penso ter acontecido só na minha cabeça. Passou mais de uma semana, eu não consegui voltar pra mim. Eu me perdi na minha conversa fiada, no meu orgulho afiado... Depois de não ter você, eu me cobri com toda a estranheza disponível nessa minha rotina, só para não deixar ninguém gostar de mim. Porque eu não quero gostar de mais ninguém. E todo e qualquer sentimento é uma ofensa, eu sempre crio comparações internas. Peco na vontade de te colocar em outro amontoado de ossos que saiba falar minha língua. Tento derramar o pouco que não tenho de ti no qualquer mais intrigante que estiver ao meu alcance.
   Agora a causa da minha desesperança é não te alcançar, nem se eu escrevesse milhões de cartas e atirasse nos teus pés as centenas de rascunhos que nasceram do que eu sempre senti sozinha. Nada que vier de mim te impressiona como outrora, ou talvez agora pela primeira vez impressione... Mas estamos naquela, de não termos tempo. E nós ficamos no ar, como as perguntas que não fiz... Com a sua timidez, com o meu medo. Não sei até quando viverei te perdendo para as primeiras impressões do mundo, são tantas incertezas querendo te varrer do meu peito. Também não sei até quando vou me perdoar por ter empacado nessa.
   Por comodidade, em tua consideração, ficarei aqui jogada no silencio de nós dois. Eu disse que não te procurarei mais. Mesmo sabendo o vazio que isso causará em mim. Já era previsto o rumo disso tudo, mas por ser essa constante mudança, eu mudo meus caminhos para encostar nos teus. E me submeto a ser teu nada, porque eu gosto do jeito que tu se desfaz de mim. E longos anos depois, volta me mostrando o que pode ser real ou não. Se preciso for, sabotarei essa tal realidade, para não te esquecer nas reticências do que me tortura escrever. Eu constato aqui, quero teus braços me aprisionando na minha própria liberdade.



quinta-feira, 31 de janeiro de 2013

Ele, meu Dezembro

Ele tem medo de entrar numa fria, 
de inspirar poesia. 
O que ele não consegue tocar,
é sempre novidade e 
dor de cabeça. 
Ele é um moço com um bocado de coragem 
bem maior que seu orgulho. 
Mas ele ainda não aceita 
o que eu pretendo inventar. 
Quem é ele? 
Quem é ele...


13, dezembro de 2012



sexta-feira, 25 de janeiro de 2013

Sem intitular nada agora...

   Agradeço a Deus por ter dormido algumas horas, o resultado da noite virando madrugada é esse vazio impertinente, que agora me dá a certeza que não vai me deixar viver direito. Revirei na cama o resto da madrugada, tentando acreditar nesse desfecho. Pedindo ao meu pensamento que não mais lembrasse de nada, nem do meu nome... Até o sono cair em mim. Daqueles conselhos que te dei na primeira e ultima carta, agora eu que precisei fugir de casa, de mim. Me vejo sentada em uma praça qualquer, sem jamais deixar de escrever. Observando a vida seguir o seu percurso, penso, ainda bem que aqui fora nada mudou. Eu também vou seguir, mesmo com esse coração estragado.
   Lá na outra rua passa a menina da bicicleta vermelha, que vontade de gritar... Ei, não se apaixona não!
A vida custa muito caro, depois de um erro desses. Depois de ontem, ainda digo... Tu foi o meu erro mais bonito. Eu queria mesmo te dizer tantas coisas... Daquelas coisas que perturbam, incomodam e pousam na gente. Mas eu quis também aproveitar tua presença no mesmo espaço, no mesmo metro quadrado. Eu quis aproveitar teu silêncio gritante. No fim, minhas vontades se atropelaram, e nos atrapalhou. Eu te disse, que eu ia chegar em casa e chorar. Eu te disse ainda sem certeza... Que eu ia escrever sobre isso. Sobre eu querer me moldar nos teus braços. Sobre agora, eu sentir mais amor do que vergonha. 
   Eu querendo escutar aquela porta se fechando atrás de mim sem sentir saudade. Eu querendo um alivio que não existe nessa vida. Nesse minuto quebrado, eu te querendo de verdade, sem pensar em te reinventar. Não acredito no nunca mais, nunca mais é morte...Mas é o que sinto agora, vou te perder para o nunca mais. Não há mais nada que eu possa fazer, isso me põe medo, tanto medo.  Não estava nos planos aprender a não mais te amar... E tu bem disse, eu planejo demais. Talvez, porque eu não tenha outra saída. Outra coisa, de tudo que foi dito... Tuas palavras que seguraram minhas mãos..."Esquecer não, acomodar..."
Tati Bernardi, invade minhas letras e diz, ''Não se digere amor, não se cospe amor, amor é o engasgo que a gente disfarça sorrindo de dor. ''
   Eu ainda vou te eternizar em muitos outros textos, vou sim. Sempre com gratidão, por ter me tornado uma mulher de verdade. Não vou dizer adeus, eu ainda vou te encontrar  por aí, pra dizer que não deixou de ser amor.

E pra terminar, teu abraço foi o meu conforto no mundo.

25/01/2013 10:01

terça-feira, 22 de janeiro de 2013

Voando alto

   Não dá para argumentar comigo, quando me vejo criando dilemas sobre escrever pra quem foi embora e pra quem resolve voltar assim... Voltar do nada. Por nada. Não quero entrar em longos desabafos existenciais... Todos sabem que eu sempre te preferi irresponsável, lindo e infantil. Mas esse é o meu lugar agora. Teu adeus foi precoce, teu regresso agora não traz paz. Estamos fadados ao que eu chamo de, quase amor. Essa tua imagem de bom pai, de marido atencioso e sério, me desequilibra. Não, não porque o filho não é meu, e porque o casamento não é comigo... É que eu já disse, me apaixonei pela tua versão descontraída, moço de família.
   Mas não te via criando uma família tão cedo, nem se fosse comigo. Mas teríamos tempo pra tudo, e tu não revelaria ser essa fraude que não me agrada gostar. Não há mais felicidade, já escrevi antes que tu antecipou a vida num piscar de olhos... E eu te perco um pouco mais cada vez que teus olhos se fecham e abrem, contornando um futuro inseguro e cada vez mais certo. Certo que estamos a um passo da distância eterna. Agora que eu estava vivendo, tu volta pra bagunçar tudo e não dizer nada.
   Não sei mesmo porque fui te escrever aquela carta, não sei se um dia vai recebe-la. Só acho que fiz a minha parte, quando tanto quis dizer algo e não podia, então escrevi, como de costume. Não sei o que vai sentir por mim se chegar a tê-la em mãos, se vai ser mais desprezo disfarçado de respeito ou respeito querendo ser apenas silêncio. Jem cantando Flying High, é a música mais bonita que já escutei dizendo te amar.

quarta-feira, 9 de janeiro de 2013

É por engano ou por desejo?

   O que não quis começar, é o que não se resolve. O que eu não resolvo. Então agora eu só quero é sair correndo por essas vielas taciturnas e contar os passos até finalmente alguém esbarrar em mim com toda certeza existente. Talvez nos falte vida, então que o ''um dia'', aconteça qualquer dia desses. Que saiba me surpreender, que me salve de mim mesma. Tudo está uma bela porcaria, mas nem com toda beleza envolvida, eu consigo esboçar gestos de confiança. 
   Tudo se desvia para o desdém, o cotidiano aliado a grosseria quer destruir o que me tornei. Aquele lugarzinho escondido do medo, não é mais páreo para tamanha figuração. Amar o tempo todo é tão cansativo, porém, bonito. Ah, você que é bonito. Me diz o que eu não daria para cansar de você? Lendo as cartas que você jamais mandou, eu entendo que as palavras ternas são só minhas. Esse nada, vai sempre me assombrar...