Continua...
sexta-feira, 19 de abril de 2013
A cor que me falta
Continua...
quarta-feira, 10 de abril de 2013
Até deixar de ser poesia e virar tédio
Tenho pensado em você, João. Em como as borboletas de fevereiro se tornaram as mais bonitas depois que trocamos as primeiras palavras. Sim, acho que você é a atração mais estonteante que encontrei pelo caminho. Talvez eu já tenha te escrito isso em outras palavras, mas é bastante necessário eu reafirmar... Entendo que eu gosto de me encurralar com esses estranhos interesses pelo que não consigo tocar, preciso me prender em alguma coisa. Não gosto mesmo da certeza. E você é, esse feixe de luz que me dá vida, que me acorda por dentro e é demasiado difícil escrever isso sem parecer que estou me apaixonando... Não estou, eu acho. Como disse, não gosto da certeza. Não quero me blindar, então confesso... Gosto quando você ressurge do nada depois de me deixar com uma saudade boa, tuas intenções escondidas contornam minha malícia evidente. E minha imaginação desequilibrada esquece dos mais de quatrocentos quilômetros que nos separam. Teu falso desdém para com tudo, me agrada muito. Essa despreocupação em ser ou parecer, também me convida a te desejar pra mim. Você não sabe, mas poderia ser o meu outono se quisesse.
Alice Ruiz me completa hoje,
se por acaso
a gente se cruzasse
ia ser um caso sério
você ia rir até amanhecer,
eu ia ir até acontecer
de dia um improviso,
de noite uma farra
a gente ia viver com garra
eu ia tirar de ouvido
todos os sentidos
ia ser tão divertido
tocar um solo em dueto
ia ser um riso
ia ser um gozo,
ia ser todo dia
a mesma folia
até deixar de ser poesia
e virar tédio
e nem o meu melhor vestido
era remédio
daí, vá ficando por aí,
eu vou ficando por aqui,
evitando, desviando,
sempre pensando,
se por acaso a gente se cruzasse
Alice Ruiz me completa hoje,
se por acaso
a gente se cruzasse
ia ser um caso sério
você ia rir até amanhecer,
eu ia ir até acontecer
de dia um improviso,
de noite uma farra
a gente ia viver com garra
eu ia tirar de ouvido
todos os sentidos
ia ser tão divertido
tocar um solo em dueto
ia ser um riso
ia ser um gozo,
ia ser todo dia
a mesma folia
até deixar de ser poesia
e virar tédio
e nem o meu melhor vestido
era remédio
daí, vá ficando por aí,
eu vou ficando por aqui,
evitando, desviando,
sempre pensando,
se por acaso a gente se cruzasse
sábado, 6 de abril de 2013
Quando ninguém assiste...
Todas as noites quando caminho de volta pra casa, atiço as lembranças banais no intuito de compreender a vida, entre a rotina pesada e as horas vazias... Sempre cabe você no intervalo dum suspiro. Vontade de lhe enviar outra carta, para ficar abandonada em meio as outras cartas que enfeitaram teu passado distante. Não importa, enfim eu só quero escrever para dizer que eu posso ser o teu refugio quando precisares fugir de um dia chato. Escrever também, para lhe pedir arrego, pois esta é mais uma madrugada que eu não vou dormir sem antes desejar um amor ideal. Meu idealismo não envolve esse amor que você não entende. Então você me enche de mágoa, e eu penso que nunca sairei do chão. O que não foi dito ecoa pedindo perdão pelo tempo perdido. Mas te amar é isso mesmo, escrever cartas que se perdem do destino... Prum destinatário coberto de desdém.
terça-feira, 2 de abril de 2013
Abril, me abraça
Ando pela casa, te vejo no escuro
Não consigo lhe tocar...
Me vejo na tua sala, e recrio o abismo.
Tu permanece em tudo que não finda.
O que eu não disse...
Apodreceu, desfragmentou-se
Sento para escrever,
Ao som da mesma música
Que nunca para de tocar.
A escuridão te realça,
O medo nos veste bem.
Queria eu, desgastar a sola do meu sapato...
Carimbando a poeira da tua rua.
Assim, quando tu me ver passar
Pense em passear comigo.
Prevejo mais solidão,
Porque tu não vais vir
E eu não posso te ligar
Dorme amanhã só comigo...
Depois eu sigo adiante.
Não consigo lhe tocar...
Me vejo na tua sala, e recrio o abismo.
Tu permanece em tudo que não finda.
O que eu não disse...
Apodreceu, desfragmentou-se
Sento para escrever,
Ao som da mesma música
Que nunca para de tocar.
A escuridão te realça,
O medo nos veste bem.
Queria eu, desgastar a sola do meu sapato...
Carimbando a poeira da tua rua.
Assim, quando tu me ver passar
Pense em passear comigo.
Prevejo mais solidão,
Porque tu não vais vir
E eu não posso te ligar
Dorme amanhã só comigo...
Depois eu sigo adiante.
sábado, 30 de março de 2013
Coração vagabundo
Ele escorregou entre meus dedos, dessa vez eu não usei um adeus ensaiado. Eu me cobri com toda a ingenuidade que esse amor me cedeu. Adiei a decepção principal, por mais alguns dias de frenesi. Mesmo que a verdade não possa ofender ninguém... Sobre o entusiasmo delirante, com gosto estendi por dois meses. Acho que meu medo de hoje não é esquecer dele, eu morro de medo é de não conseguir escrever mais.
É parte do que me desgasta e me faz bem. Eu finjo que não sei, mas já devo ter escrito diversos textos de adeus, um mais humilhante que o outro. Na vã tentativa de perceber o quão ridículo tudo se tornou. Eu sou ridiculamente repetitiva. Porém, não consigo mudar o canal... Lá vou eu culpar meu coração vagabundo por toda paciência desperdiçada.
É parte do que me desgasta e me faz bem. Eu finjo que não sei, mas já devo ter escrito diversos textos de adeus, um mais humilhante que o outro. Na vã tentativa de perceber o quão ridículo tudo se tornou. Eu sou ridiculamente repetitiva. Porém, não consigo mudar o canal... Lá vou eu culpar meu coração vagabundo por toda paciência desperdiçada.
terça-feira, 26 de março de 2013
E pelo que sei, Consuelo é assim.
Consuelo
Queria
Consolidar-se
Não ser
O que escreve
Consolando
A exaustão
Num disfarce promiscuo
Se livrara da inocência enojada
Gargalhava por não
Mais escrever sobre ele
Que agora nem existe mais.
Abrindo portas
Fechando sonhos
Sem se distrair
Até virar pó
Melodrama trivial
Surgido sem razão
No acordar da aurora
Depois, como uma boa
Vadia sádica, adorando ver
Aquele homem dissipando-se
Sem ver a hora
Desaparecendo por fim
Começando outro tempo
Alinhando todos o silêncios
Consuelo,
sempre floresceu
na hora errada
Nesse humor desigual
Por amor, ela não voltou atrás.
[ainda bem]
Queria
Consolidar-se
Não ser
O que escreve
Consolando
A exaustão
Num disfarce promiscuo
Se livrara da inocência enojada
Gargalhava por não
Mais escrever sobre ele
Que agora nem existe mais.
Abrindo portas
Fechando sonhos
Sem se distrair
Até virar pó
Melodrama trivial
Surgido sem razão
No acordar da aurora
Depois, como uma boa
Vadia sádica, adorando ver
Aquele homem dissipando-se
Sem ver a hora
Desaparecendo por fim
Começando outro tempo
Alinhando todos o silêncios
Consuelo,
sempre floresceu
na hora errada
Nesse humor desigual
Por amor, ela não voltou atrás.
[ainda bem]
terça-feira, 19 de março de 2013
Cansaço premeditado
Quando o vazio realmente me incomoda, sento e falo sobre você com quem nem o conhece. Isso faz o enredo parecer simplório, queria que fosse. Na agonia de livrar-me da nostalgia descabida, resumo quatro verões em meros minutos... Deixando escapar detalhes, mas salientando a infantilidade que caminhou ao meu lado, nesse tempo que passou. Coloco meu tal amor em jogo, quando sentencio que, não hei de te aceitar mais tarde. Sem rancor, dessa vez. Mas eu lamento, por desejar só uma noite para tudo que senti. Quero sim, te ganhar de verdade em uma noite qualquer. Pra depois te deixar ir pela ultima vez. Afirmando novamente, eu tive tanto amor um dia. O um dia ainda é hoje.
Não sei desde quando, mas agora opto pela razão. Discutir sobre o que seria razoável acontecer, não acalenta mais. Porque não ter certeza nunca, é apreciar o abismo. E minha ambição não coube nas expectativas, talvez essa coisa de amor não combine comigo... Então te rotularei como mais um desejo supérfluo.
Não sei desde quando, mas agora opto pela razão. Discutir sobre o que seria razoável acontecer, não acalenta mais. Porque não ter certeza nunca, é apreciar o abismo. E minha ambição não coube nas expectativas, talvez essa coisa de amor não combine comigo... Então te rotularei como mais um desejo supérfluo.
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