Ele está no Uruguai agora,
com o seu novo amor
Posando para fotografias
em meio aos girassóis
Enquanto a vida gira
e me desenterneço
Eu nem o conheço,
mas escrevi sobre nós
por incontáveis meses seguidos
É muito difícil definir
o que eu gostaria que fôssemos
Não o conheci num ônibus
e nem em um supermercado
Também não posso dizer
que o inventei
Eu nunca tivera criatividade
para desenhar um terremoto
daquela estrondosa magnitude
Tudo o que eu quis para nós
se encontra dentro
dessa minha dificultosa atração nada remota
Há livros meus na casa dele,
talvez em gavetas abandonadas
Há aquele bilhete,
onde escrevi que
não poderia mais esperar
Pois, outros personagens
me aguardam fora desse vendaval
Esses personagens por mais
ideológicos que sejam
não suprem minha necessidade
abismal]
de possuir em mim o maior de todos
os encantamentos
Como eu disse no inicio,
ele está no Uruguai
com a família e ela,
esperando os festejos dezembrinos
Parafraseando Adélia,
cito que João está com com uma mulher
que não sofreu por ele
um terço do que eu sofri
Mas direi mais,
ele está com uma mulher linda
e jamais será para ela o Jonathan de Adélia
Para sempre meu João
(Meu travesti poético)
terça-feira, 23 de dezembro de 2014
quarta-feira, 17 de dezembro de 2014
Uma esperança mais triste ao fim do meu dia
Eu vou parar de escrever sobre ele, não vai ser por rancor, isso é uma certeza consumada. Se ele não mais aparecer por aqui entre linhas e paixão ocasional, é porque percebi que tentar prender alguém dentro de uma ilusão fadada é um devaneio perigoso, até para mim.
Essa estória não se difere dos outros romances intituláveis que a nossa História já presenciou. Mas eu quis o seu corpo soterrado na terra que gerou as vegetações mais bonitas, o seu corpo sob o meu, escondendo a minha escureza.
Eu tentei ser o mais clara possível, causando inveja nos dias nublados. Lhe passando o recibo da minha loucura e assinando toda e qualquer tristeza. No final que não fora escrito, eu não fui nem eu direito.
Eu fui o que essa paixão foi. Desajeitada sádica carnavalesca.
Desfilando meu psicopatismo nas poesias e avenidas dessa vida partida.
Título: Manuel Bandeira
Eu fui o que essa paixão foi. Desajeitada sádica carnavalesca.
Desfilando meu psicopatismo nas poesias e avenidas dessa vida partida.
Título: Manuel Bandeira
sábado, 6 de dezembro de 2014
Quase 7
Eu quero muito
abrir um buraco
no meu quintal
para esconder
de mim mesma
as falhas todas
que lembram-me
tal paixão burocrática
Todavia, a política
deste romance
me priva
À revelia das coisas
que não pedem entendimento,
eu quis sim, entender
Para agonizar em paz,
dentro da dignidade
que criei tendo uma caneta na mão
Fique sabendo,
meu coração
meu coração
combina com buracos.
terça-feira, 2 de dezembro de 2014
Escrevi essa dor pra você me curar enquanto lia
O deslumbramento
ao ver seu nome
contido num poema meu
Fez você escrever o nome
de outro alguém na sua vida
sábado, 22 de novembro de 2014
Mais uma página da melhor degradação
A vida corre em quilômetros
Eu parei em frente ao espelho
para me ver chorar
Do que adiantaria
pegar o meu batom mais bonito
e escrever no mesmo espelho
que sinto a sua falta
Se nem um poema lhe comove,
imagine uma frase
Imagine eu,
em pleno estado de decomposição
Virando pó
Porque minha vida você virou para baixo
como quem termina a última dose de whisky,
vira o copo e vai simbora
O drama sempre fica
O drama eu posso dizer que é só meu.
Eu parei em frente ao espelho
para me ver chorar
Do que adiantaria
pegar o meu batom mais bonito
e escrever no mesmo espelho
que sinto a sua falta
Se nem um poema lhe comove,
imagine uma frase
Imagine eu,
em pleno estado de decomposição
Virando pó
Porque minha vida você virou para baixo
como quem termina a última dose de whisky,
vira o copo e vai simbora
O drama sempre fica
O drama eu posso dizer que é só meu.
sexta-feira, 14 de novembro de 2014
Sofrência secular
Ninguém sabia, até agora,
mas eu sinto
insetos caminhando sob meu corpo
Me examino e nada acho
Acho mesmo que a Paranoia
se encantou por mim
Eu quis pedir ajuda a ele
Mas me armei com a ilusão mais sensata
Pedi mesmo foi uma bebida forte
e o destilei na minha euforia
Ajeitei-me na cadeira de ferro
Na mesa daquele bar limpo demais,
para a sujeira da minha platonice urbana
Só havia guardanapos de papéis coloridos
Daqueles que as cores desbotam nas mãos
quando a cerveja começa a suar
Entrei em letargia,
queria tanto um guardanapo
branco
discreto
sem a pretensão de quebrar a frieza
daquela epifania
Porém, o súbito entendimento das coisas
ia bem mais além da disposição
das cores de um guardanapo
Minha compreensão abrangeu
a cena:
eu
sozinha
no bar
pensando
nele
que hoje tem fotografias com cães
das garotas com quem divide seu tempo
Eu não tenho tempo
Também não tenho um cão
Ainda preciso de ajuda
Minha gata se chama Juliete,
mas ele não perguntou
de onde tirei esse nome
Agora, me pergunto
Por que quero este homem?
quarta-feira, 5 de novembro de 2014
Amor à la Dahmer
Me espera! Por favor, me espera...
Deixa eu bater na sua porta até você sentir medo de mim, mais uma vez.
Eu quero lhe cravar a faca no peito pra lhe mostrar a dimensão dessa minha doença.
Depois degustar seus músculos e marinar seu coração com temperos cheirosos.
Me aceita com toda esta lama que despenca das botas que não combinam comigo.
Me aceita, que eu lambo o tapete preferido da sua mãe, que acabei de sujar com meu apelo de amor miserável.
Fica comigo, eu largo o álcool e faço dos líquidos que te escapam da pele, os meus preferidos.
Chame de amor, essa doença que até mais cedo ninguém ousou dar o diagnóstico por medo de ser contagiosa.
Cuspa na minha cara, jogue-me no chão com toda a poesia que você só julgou bonita.
O bonito lhe ofende, então eu passei a escrever o pior que fez-me sentir em prol da indiferença que lhe protege.
Me proteja, das pessoas imbecis que não acreditaram em nós.
Me envolva nessa sua bolha de homem mau, que corrompe tudo em sua volta.
Volta a desejar-me, com toda a minha loucura que atravessa fronteiras e vai além das guerrilhas mexicanas.
Meu drama mexicano é todo seu, você sabe. Quero sentir uma felicidade inesgotável que faça doer o peito, como o meu peito dói agora por não sentir felicidade alguma.
Ah, João... Você é tão bonito, que me dá vontade de arrancar a sua cabeça e lhe montar um altar para não sair da minha vista.
Comer os seus pedaços, em busca de qualquer salvação. Mentira, não quero ser salva.
Me roube a ideia do suicídio diário e me mate você mesmo. Definhando-me, negando migalhas da sua presença. Não ria, João... Você é o meu mais leve absurdo. Eu posso tirar a roupa para lhe impressionar, eu posso comprar uma arma também.
Me espera, antes que eu decida que azul marinho é a cor mais bonita para o seu caixão.
Vou pegar o ônibus na próxima hora, meu bem... Não fuja, mais não.
Pois para casar o seu demônio com o meu, eu irei até o inferno.
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