segunda-feira, 22 de maio de 2017

Me morde, me assopra. Me faz de abrigo.

Segure minha mão
Vamos sentar naqueles degraus gelados
Você não consegue parar de falar 
E eu vou me apaixonar de novo

Suas pernas tatuadas emboscaram
minha pernas pálidas

Os mesmos olhos de azeviche 
outra vez
Meu encantamento noturno

Continuamos a percorrer essas ruas largas
Não larga a minha mão

Fale sobre Montessori
Sobre a minha poesia
Fale sobre o quanto as árvores parecem mais bonitas 
nas estradas quando você vem me ver

Quero te levar na feira
Comprar tâmaras de manhãzinha 
na praça central

Me beija
Deixa-me dizer a eles 
que vou te casar comigo

Meu menino
Meu João.



quarta-feira, 3 de maio de 2017

É bom se lembrar de respirar de novo, de novo.

Tu és a minha paixão favorita
Te escrevi versos silenciosos e gritantes 
Durante esses dois anos

Te envolvi na minha esperança de reciprocidade
Te banhei na mitologia
Te chamei de Dionísio
E hoje tu nem lembras o meu nome

A fachada da loja que tanto citei nos meus poemas
Hoje é de outra cor
E não me dói mais
Mas é tudo tão estranho

Eu acho que vou te querer toda minha vida
Quando estiver gostando de alguém 
E não mais escrever

E todas as vezes que um cara me magoar
Vou continuar lembrando de ti
Como alguém que soube me olhar de verdade
E me despiu dentro daquele bar abarrotado de gente
Somente por me reconhecer tecelã mulher poesia

Tu me tocaste
E ninguém vai saber o quão inteira fui na ilusão que eu sentia

Teus olhos ainda são os mais lindos dessa cidade

Feliz aniversário, meu bem.