segunda-feira, 29 de maio de 2017

E vai ser apenas um incômodo primaveril

Depois que eu comecei a estudar Letras
Me sinto menos poética
Atrevo-me a dizer que meu eu lírico
Saiu para passear e perdeu o rumo de casa

São tantas teorias 
querendo desmascarar a utopia

Os versos decassílabos
São chatíssimos quando paramos para contar
E os docentes tão insensíveis

Se lerem isso
Bem capaz de eu perder 1,5 
só pela minha ousadia
De achar que escrevo alguma coisa

Eu perdi a paz
Eu perdi você
Foi por causa dos meus lábios desidratados?
Ou foi por que você não suportaria 
se preocupar com outro umbigo além do seu?

Você me perdeu
Por que eu sou fantasiosa demais?
Ou por que quis me perder?

Noite passada eu chorei
Encontrei um livro rasgado
Depois chorei porque meu coração 
está do mesmo estado

Eu finjo todos os dias desde aquele dia
Digo que não foi nada além de uma expectativa boba

Mas você tripudiou
lançou seu silêncio com tanto desdém

Eu quero esquecer
Parar de escrever sobre isso

Eu quero poder caminhar na rua da sua casa
Sem lembrar que lá é a sua morada
Eu quero fazer aniversário não sabendo 
que você também faz no mesmo dia

Eu quero fechar os olhos e apagar tudo
Eu quero não desviar assuntos e poemas
em direção a você.





segunda-feira, 22 de maio de 2017

Me morde, me assopra. Me faz de abrigo.

Segure minha mão
Vamos sentar naqueles degraus gelados
Você não consegue parar de falar 
E eu vou me apaixonar de novo

Suas pernas tatuadas emboscaram
minhas pernas pálidas

Os mesmos olhos de azeviche 
outra vez
Meu encantamento noturno

Continuamos a percorrer essas ruas largas
Não larga a minha mão

Fale sobre Montessori
Sobre a minha poesia
Fale sobre o quanto as árvores parecem mais bonitas 
nas estradas quando você vem me ver

Quero te levar na feira
Comprar tâmaras de manhãzinha 
na praça central

Me beija
Deixa-me dizer a eles 
que vou te casar comigo

Meu menino
Meu João.



quarta-feira, 3 de maio de 2017

É bom se lembrar de respirar de novo, de novo.

Tu és a minha paixão favorita
Te escrevi versos silenciosos e gritantes 
Durante esses dois anos

Te envolvi na minha esperança de reciprocidade
Te banhei na mitologia
Te chamei de Dionísio
E hoje tu nem lembras o meu nome

A fachada da loja que tanto citei nos meus poemas
Hoje é de outra cor
E não me dói mais
Mas é tudo tão estranho

Eu acho que vou te querer toda minha vida
Quando estiver gostando de alguém 
E não mais escrever

E todas as vezes que um cara me magoar
Vou continuar lembrando de ti
Como alguém que soube me olhar de verdade
E me despiu dentro daquele bar abarrotado de gente
Somente por me reconhecer tecelã mulher poesia

Tu me tocaste
E ninguém vai saber o quão inteira fui na ilusão que eu sentia

Teus olhos ainda são os mais lindos dessa cidade

Feliz aniversário, meu bem.