segunda-feira, 31 de dezembro de 2012

Vínculo: Tudo o que ata, liga ou aperta.

   As últimas palavras do ano só vão confirmar o meu apreço por tudo que já escrevi antes... Entre parágrafos e pontos finais eu batizei o meu isolamento. Abrirei os braços para os trezentos e seiscentos e cinco dias que baterão em minha porta amanhã. Não há peso, nem lamúrias, nem raiva, quiça dor. De tudo que espero da vida, só não me permito retroceder. Numa conversa com uma amiga, eu disse: Difíceis são as perguntas que eu ando fazendo para a humanidade... Sei responder que o motivo é a noção de saber antes tarde do que nunca que as coisas não estão nem perto de estar onde deveriam.
   E para completar, digo mais... Eu não sinto o que anseio sentir, eu não estou onde queria. E  agora acho que estou a escrever mais um texto sujo que me fará rir depois, mas está tudo tão transparente agora. Eu posso falar sobre, mesmo que as palavras demorem a chegar, mesmo que eu me perca no caminho e me desencante com os meus próprios devaneios que não me tiram do lugar... É que eu nunca percebi antes, que jogar a vida fora me custará alegria mais tarde. Todas as pessoas esmaecendo, e levando o melhor do que já senti. Todas as dores que no fundo foram tão poucas... 
   E o amor, profundamente raso. E as minhas reclamações disfarçadas de poesia. Não esquecendo nunca da saudade, querendo ser editada, transformada e sempre crua. Admiro meu esmero ao pensar nos desejos mesquinhos, e nas verdades desconexas. A minha graça em viver está em fazer a pior merda da vida, e ainda assim continuar vivendo. Porque aplaudir de pé os meus fracassos me diverte muito. Remediando as bobagens para quem sabe viver melhor. Não quero nada além de mais desajustes, me interesso pelo conflito. 2013, te espero ansiosa. 

quinta-feira, 27 de dezembro de 2012

Ilusão à toa

A cidade sempre guarda uma saudade...Da criançada que outrora fazia história na calçada, que choravam por nada e com nada se faziam bem mais felizes. Nada... As ruas vazias já não dizem mais nada. As árvores, só os pássaros as querem bem. O asfalto não mais conhece a textura de um par de pés descalços. E eu não sei quando você vem. O vento sopra os balanços na pracinha enferrujada, as correntes rangem de amargura pelo esquecimento que deixamos acontecer. O descaso nunca foi tão puro... A poeira sempre passa por baixo da porta, mesmo que ninguém tranque a janela. Não me importa ser quem senta e escreve  assistindo a vida arder. Vão dizer que te amo, mas liga não... Nem sei quem eu sou. E eu também, sempre guardo um pouco de saudade. 

sábado, 22 de dezembro de 2012

E em cada letra no papel.

Nem eu posso comigo quando insisto em te amar desse jeito. A cada pensamento dissimulado eu corro de mim mesma, porque pensar ainda me faz desistir. E a maturidade é só uma ilusão, eu não te alcanço mais. O esquecimento dura sempre por muito pouco tempo, até eu te colocar naquela mesma esquina, e te nomear como minha solidão. Eu não quero mudar o canal. Eu quero é rebobinar os dias, só para te ver dizendo novamente que nunca duvidou... Porque as tuas certezas me curam por dentro. Sabe, eu só queria sentar do teu lado e contornar os traços das tuas mãos com o dedo, e te olhar por infindáveis minutos com alivio no peito, por saber que não vai ir embora de novo. Sem dizer nada, pois as palavras nos cansaram demais. Podia também deixar de odiar o calendário, e riscar os mais de seiscentos dias que não te vi. Mandar a culpa embora, e usar esse amplo espaço para abrigar o alivio. Sabe, eu não sei mais de nada. Mas eu já telefonei por menos... Eu poderia me libertar agora, discar teu número perdido e dizer alô, depois te lembrar de como você é bom em partir um coração. Mas agora, tanto faz... 

quinta-feira, 20 de dezembro de 2012

Caso o mundo acabe...

Ria junto comigo de todas as besteiras feitas em nome do amor. Jogue fora os palpites e estende na janela todas as certezas mais bonitas. Ser feliz nunca foi tão fácil. Se o mundo acabar amanhã, me queira bem agora. Não me desprende do coração, e fica mais um pouco. Temos tanto amor ainda. Meu bem, me guarde no intervalo de um suspiro bom. Só hoje, abandona essa inconstância e deixa eu te prever na minha pele. Deixa as roupas espalhadas pela casa e vem logo que o café está quase frio... A chuva chove de uma maneira tão graciosa lá fora, a vontade de um abraço renasce no impulso de nunca querer dizer adeus. Escuta os pingos d'água dançarem no telhado, e deita no meu colo. Sim, é claro que temos tanto amor ainda.  Permita que meus cílios pousem nos teus, se não mais acordarmos... Tá tudo bem, estamos em paz.

terça-feira, 18 de dezembro de 2012

E apenas esqueceria do mundo?

O que nos trouxe até aqui, teu charme fantasiado de indecisão, minha burrice querendo parecer insanidade. Você brinca de não entender nada, porque prefere ser mais um cretino com data pra ir embora. 
E gostar de você, é como um engasgo com um maldito caroço de pêssego. Eu nunca sei quando voltarei a respirar novamente... 


sexta-feira, 30 de novembro de 2012

Grace não sabia amar

Grace se tornara a graça das minhas ultimas semanas. Mas nunca quis ser o ponto alto da vida de alguém. Não tinha nada a ver com medo, nem com problemas com desapego. Ela só sabia do que não queria naquele instante distante. Quando a conheci, ela sem querer relatou o seu grande plano sobre nunca se deixar levar. Achei informação demais para digerir ali, em um show de uma banda cover. Mas ela falava sem parar, consumindo um cigarro após o outro. Toda terça-feira eu a encontrava no mesmo bar, isso por oito semanas seguidas. E a cada sete dias eu tinha motivo para estar contente, um bom motivo. Ela achou os três covers dos Beatles mais chatos do que eu, gritava ao som de Led Zeppelin. Não contia as lágrimas com Depeche, mas gostava mesmo era de Franz Ferdinand. Não pedi seu telefone, só sei seu nome. Depois da oitava semana, nunca mais a vi. Mas se eu tivesse tempo... Despediria meu medo, para despir seu coração. Se fosse em vão... Não sei. Agora Grace já se foi.

quarta-feira, 28 de novembro de 2012

Tudo termina assim... Num sopro de saudade.

Minhas malditas e indispensáveis paixõezinhas platônicas não acabam por aqui... Elas levam pedaços de mim para além das fronteiras, para o outro lado do país. Vivem melhor correndo a quilômetros. Elas percorrem estradas empoeiradas e me cercam em becos sem saídas. A minha vida eu escrevo assim. E não existirá o dia que acordarei sem criar fantasias e disparates insanos. Eu desde o inicio prefiro o improvável. Eu gosto do que não vai acontecer, eu meto meu coração em cada cilada. E não tenho razão pra isso, acho que só gosto do estrago. Eu retruco com minha decência só para o qualquer mais bonito amanhecer na minha cama, eu incomodo minha paciência só para dar trela ao mais chato. Corrompo minha consciência só para limpar o peso das lembranças. Eu sou assim, crio histórias sob minhas casualidades. Imagino o futuro no acaso. Gosto mais do que não põe certeza e do que não me rouba alívio. Alívio não combina com esse meu mundinho de faz de conta. Alívio eu só quis para o amor que não deixo de sentir.

sexta-feira, 23 de novembro de 2012

Distração que o tempo não dissolve

Ele ficava tonto em meio aquelas luzes de neon e aquele barulho misturado a minha voz quase que inaudível pedindo que largasse aquele copo e fugisse dali comigo. Ele ria tanto, e eu só queria abraçar aquela loucura. O que eu mais gostava dos seus momentos longe da sobriedade, era seus olhos fixos nos meus. Porém ele falava pouco, quase nada. Mas me olhava constantemente sem hesitar. Eu disse que não mentiria, mas a unica coisa que via era seus olhos destruindo minhas verdades. O problema era a tal loucura dele que o impedia de ir embora comigo. E também ir embora de mim. Ele queria ficar, ficar mais um pouco. Quem sabe ficaria mais se eu pedisse. Ele só viveria para sempre naquelas luzes impertinentes que o cortava das minhas retinas se eu soubesse viver desse jeito. Eu queria um sentido novo, ele insistiu em ser minha atração desfocada.

terça-feira, 6 de novembro de 2012

Bem mais que o tempo que perdi

Meus pés já esqueceram a poeira daquela rua... E no outro lado da linha troquei meu silencio com um desconhecido ardiloso. Sai ganhando, o silencio dele pesa mais que o meu. Preferi ir adiante, mas cada vez mais distante de mim. Aceitei o contentamento com o coração liberto de toda a ansiedade. Eu não sei o que acontece depois... Ou agora. Eu não mudei, mas estou tão diferente. Talvez seja um amadurecimento tardio, que trouxe um olhar irascível, que atou minhas vontades e me tornou mais desalentada. Ah, não sei. Mas queria saber, saber onde fui parar. Porque gelo esculpido também vira água.Vazio já existia. Hoje preciso é de mim e mais nada. 

sábado, 3 de novembro de 2012

Eu fui chamada no escuro por um coro de fraudes bonitas...

O único que não quis ir embora, é o que não sabe fazer silêncio e agora canta para mim. Tem os olhos que me inspiram amargura, as vezes tenho medo. Não dele, nem de seus olhos... Medo da mediocridade que envolve meus dias. Com todo o bem que me faz, eu nunca soube distinguir a razão por trás da bondade. Mas se doando para a minha alegria, ele obtém tranquilidade. Ele não foi embora, porque aqui ele é feliz também. Ainda mais do que eu. E desço a rua já pensando em encontra-lo, mas é ele quem me encontra. Ele nunca profere uma palavra, mas sempre me diz tantas coisas. Ele canta baixinho e suspira no intervalo da nota mais bonita... Me fazendo perdoar os que se foram. Perto dele, eu tenho vontade de esbarrar na felicidade. Sem pedir desculpa. Enquanto ele canta, eu converso com Deus. 

quinta-feira, 1 de novembro de 2012

Meu amor de mentira.

O sossego agora é meu. 
Ninguém nunca disse nada, mas eu vasculhei as exatidões. 
Eu pretendia esconder a pretensão. Eu dizia até mais... Querendo nunca dizer adeus.
Lembro do que não aconteceu, eu escrevo o que não vivi.
Eu gostava é da mentira, pra ver a verdade um dia chegar...
Abria a porta, fechava a boca. Construía um inferno para te torturar.
Nem com todo o amor dessa vida, eu não consigo mudar.






terça-feira, 30 de outubro de 2012

Vivo pelo poema.

Não importa nada, nunca... Eu sempre acabo voltando ao mesmo ponto. E fico triste mais uma vez. Acontece por eu gostar de borboletas azuis, e céu carregado de escuridão. E também tem os livros que anseio ler e que não existem. Quem os escreverá?  E a minha lista de nomes bonitos não para de crescer. Potira, Antônia, Inácio, Orlando... Essas pessoas existem dentro de mim. E elas gritam tanto, eu desato a chorar pela confusão que não é só minha. Por onde passo, vejo da janela a televisão conversando na sala das casas vazias. No quarto, o homem trabalhador tira uma pestana, no quintal as crianças brincam de ciranda... A mulher estende roupas no varal. Eu, eu estou só passando. Assistindo como quem não quer nada e desejando tudo. Porque a poesia de Cora e a intensidade de Caio, me faz levitar. 

quinta-feira, 18 de outubro de 2012

Adeus você

Tenho um apresso desmedido pelo difícil... Já quando eu o alcanço eu quero é me livrar. Tão fácil entender, como eu fui te pertencer... Eu nunca te alcancei, melhor assim. É, isso me oferece muito papel para os meus textos que nascem dos rascunhos do que não aconteceu. Acredite, se eu ainda lhe desejar felicidade... Dessa vez será mais sincero que outrora. Eu estou com o coração higienizado agora, as impurezas apareceram com o tempo, as maldades desesperadas não moram mais aqui. Sim, eu tenho que me explicar... Eu não fiz nada de imperdoável, mas aqui dentro eu cometi inúmeras loucuras somente por medo de nunca o ter. Eu sou uma pessoa boa, menino, pego emprestada uma frase de um alguém mais conformado que eu. ''Eu sou tão boa pra você, que apodreço em suas mãos...''

sexta-feira, 12 de outubro de 2012

Deixa eu pensar em você.

Só talvez... Talvez seja hoje ou nunca mesmo. Talvez nem importe mais, porque o dia é comum, mas a sensação não. Pode ser apenas mais uma intuição barata, porque eu não sou capaz de executar meus desejos sórdidos. Não contigo. Estou sempre naquela de te levar na cautela... E assim nunca te levo comigo.

quarta-feira, 10 de outubro de 2012

A canção sempre toca na hora errada...

Eu queria que de qualquer forma, em qualquer tempo... Fosse novidade para nós dois. Descobrindo todo o amor no seu devido tempo e em suas diversas formas. Sem disfarçar, sem ter que sentir pouco para não sofrer... Eu não falo sobre Roberto Carlos no violão e meu nome escrito no filtro do teu cigarro. Eu queria as nossas vidas estampadas em nossas novidades. E se um dia acontecermos, vai ser só para calar a minha vontade de ti, porque o teu vazio eu não preencho nem com o céu.

sábado, 6 de outubro de 2012

Será ficção ou divina comédia?

Eu que só sei escrever sobre a imensidão, acordo todos os dias e resolvo ser mais feliz... Eu que ainda te escrevo, as vezes amargamente, por hora com desprezo... Mas jamais com desmazelo. Queria é escrever algo bonito hoje, por mim... Por toda poesia que daqui saiu e me fez doer. Por tudo o que aconteceu, talvez pelo pouco que faltou acontecer. Escrever algo que valesse a minha essência, que modificasse outras vidas. Ser dona das palavras tristes faz com que eu não sirva em mim. Ninguém sabe que me habituei a escrever sobre o inalcançável... E isso me cansa. Mas a vontade não é minha. Não é... Então, eu não peço desculpa por escrever sem querer sobre o que eu não posso falar. Todas essas letras, palavras e frases aterrizam aqui dentro e se embolam em meio a depressão. Eu não posso repreende-las. Não está em minhas mãos... E sim na ponta da caneta. E se eu penso em não escrever, a simplicidade pensa em me deixar. Porque escrever é tão simples e tão mais caro. Hoje eu não escrevo mais para me salvar... Escrevo para salvar toda essa poesia que se perde em mim. Escrevo pela lei do karma. Escrevo por obrigação. Por fim, por todo amor que não rejeito.

quinta-feira, 4 de outubro de 2012

Outro dia que vai...

Estava pensando na ultima vez que te vi, naquela madrugada não pensei que seria a ultima vez... Eu nem te elogiei discretamente. Eu fiquei calada. Tu desapareceu no crepúsculo, e eu entrei em letargia. E por cansáveis anos eu vestia a roupa mais bonita e saia querendo te encontrar. Encontrar qualquer vestígio teu que me impedisse de ir embora também. Eu extrapolei  a minha cota de ingenuidade, eu vi tanta graça em querer-te aqui de volta, eu lastimei tua partida como se fosse culpa minha. Eu nem te conheço de verdade, todas as bonitezas que escrevo desde que te conheci é porque aprendi a amar. E não escrevo isso com rancor, mas talvez mágoa... E uma pitada de desespero também.

segunda-feira, 1 de outubro de 2012

Não era amor pra todo dia

Particularmente compactuo com tudo isso, porque quando chega o fim do dia, eu não entendo o que eu quero sentir. E a ideia de sentir sozinha atinge as palavras, o coração e o riso. E não há falso heroísmo que desfaça o que já se corrompeu.
Não se perde o "quase". Não se tem o "quase".

domingo, 30 de setembro de 2012

Fique na minha sombra...

Ele não sabia, só sentia. Eu também.
Até que tudo para de funcionar, e ele não volta mais.
Porque ele não foi feito pra suportar a dor que ele não inventa. 
Ele acha que eu escrevo demaisobre ele...
Mas vem aqui para ler o que eu tenho a dizer.
Ele se sente morto por ser a causa de tudo.
E por não fazer nada.
Ele amaldiçoa sua incompetência por não saber se esconder direito.
Ele briga comigo, por eu usá-lo.
Como personagem.
Quer que eu abençoe suas escolhas e seja uma boa amiga.
E acene da janela para o amor que eu ainda não terminei de sentir.





sábado, 29 de setembro de 2012

Antes de amanhecer

Esperando chover, esperando esquecer que hoje descobri que é fácil me deixar levar. O inusitado sempre me ganha, e eu só queria perder o rumo em meio a qualquer conversa que não me fizesse hesitar. Não hesitei, me perdi. Foi bom, mas o dia acordou. Perguntas ficam no ar, não há respostas para sentenças no escuro. Depois de hoje, talvez eu nunca mais pense nisso, mas agora o emaranhado de sensações pesam dentro de mim. Mas é impagável sentir alivio. Pois estar seguindo em frente reconforta. E esse pode ser mais um dos poucos (talvez escassos) homens, que me roubou elogios imediatos... Não quero amesquinhar o que aconteceu, ou o que não aconteceu. Mas nessa vida e adiante, não serei tão mais fiel para com a minha falsa discrição. Não quero ter de ser sempre a impetuosa, por falta de papel melhor... Impetuosidade não combina com minhas exatidões catastróficas. E minhas vontades não precisam deixar de ser sopros de vento, só porque eu me desatei da coragem. Ele é um cara que serviria para ser minha nova obsessão, a mais bonita. Acho que ele mereceria minha vida literária. 

quinta-feira, 27 de setembro de 2012

Deuses de carne e osso

Eu gosto dele, nem o conheço. Mas sei o bastante. Ele tem tanta graça. Tem olhos verdes impertinentes, que ainda consumirão minha sanidade. Suas feições aparentemente provincianas, não de uma forma pejorativa... Mas de maneira que revela pureza. Ele nem é tão puro assim, ele transborda audácia. Ele pode ser encantador quando quer (e sempre quer). Me roubando a decência. Sinto que os melhores beijos são dele, ousadia a minha... Nunca o toquei. Também não há nada de taciturno nele, ele sem saber convida todos ao seu redor a serem felizes. Como não querer um homem que carrega aquele sorriso nobre? Passa o tempo, passa os anos e a vontade que eu tenho é a mesma. Vontade dele. Por que não ele?
Com palavras que ele conhece bem... ''Me põe em combustão, me tira do chão...''

sexta-feira, 21 de setembro de 2012

Lá fora a lua irradia a glória.

Mapeei seus complexos no intuito de te conhecer melhor
Vendei meus olhos para enxergar as boas coisas, teus bons detalhes
Sei que fui turista no teu coração, mas a vida sempre se desfaz
Eu nessa pira de reescrever o mundo, te escrevi nas paredes do meu quarto
Te escrevi nos ares. Te provei no concreto, te provei com sabor de vento
Eu te quis pra mim, pra nós. No absoluto da vontade, no desespero do intocável
Pelo amor que não foi pouco... É saudável dizer adeus.

segunda-feira, 17 de setembro de 2012

Mas não digo que não me surpreendi...

Nele eu enxergava minha diretriz na vida. A tolice não foi pouca, hoje sou a garota dos sentimentos quebrados. O insensato me parecia deslumbrante naquele momento, eu entendia que ele significava meu mundo. E não fazia diferença para ninguém. Eu me flagro ainda escrevendo as mesmas coisas... ele tinha predileção pela distância. Acho que por comodidade, nunca soube. Todos queriam que eu ficasse de fora, mas de fora da minha vida? Ele tinha medo, tudo bem... sabia que eu o procuraria a cada manhã. Pra falar do que eu não sabia, e do que ele não entendia. Naquela época, o seu desinteresse, era a chama que fazia tudo arder lindamente dentro de mim. Eu tive sorte de fazer ele me notar, mas cadê a sorte agora? Sorte esfarrapada, jogada do destino, acaso difuso. Ninguém quer saber. O cara que abrigava uma falsa ingenuidade, proferiu com gosto palavras cortantes para me ver longe. Ele se foi para longe também. Ele quis fugir para encontrar o seu lado adulto. As redondezas dessa cidade terrivelmente esqueceram-se dele. Estou no mesmo caminho. Livre arbítrio é o que me tornou tão tangível. 

domingo, 16 de setembro de 2012

Era inteira na mentira que eu dizia

Se quiser eu o convenço a fazer parte do meu céu estrelado... ele sabe que ilumina. Já quebrei a cara tantas vezes. Quebrar os pratos nunca foi problema, meu medo é quebrar o salto. É sempre igual. Ele é minha vaidade literária. Dentro de uma casinha com cerca branca, na cama desarrumada, no sofá pequeno para nós dois... Na espera na janela, na ânsia de o telefone tocar. Ele também gosta desse nosso amor indiscutível. Sem rótulos e promessas. Somos parte abstrata do subentendido. 

sexta-feira, 14 de setembro de 2012

Time after time

Os tempos primaveris aproximam-se, a vida pede cautela. Eu continuo cultivando minha gentileza discreta por homens com barba por fazer e mãos bonitas. Nada, nunca, fica no lugar. Invado livros pelo gosto das páginas com cheiro de passado. 
- Ele não vem... 
- Quem? 
- O alguém pra me mudar.

quinta-feira, 13 de setembro de 2012

Ele não é daqui, mas fala a minha língua.

Naquela plateia viva dentro da escuridão... Interpretando impecavelmente seus personagens internos. Ele foi notado mais além, por mim. Pele levemente pálida, olhar que anunciava um misto de prazer e orgulho de si mesmo. Pois ele sabia o que estava fazendo. Eu gosto disso. Gostei da sensação de ter me perdido na sua atuação. Estonteante pensar que naquela noite de quarta-feira, ele foi o mais bonito homem que avistei durante tempos. Descobri seus diversos nomes, Rodrigo foi o mais bonito. Mesmo que ele não tenha cara de Rodrigo. Menino insaciável perante aos seus ávidos personagens. Minha atenção foi toda sua, e poderia ser... sempre. Ele era um, as vozes eram tantas. Ele me prendeu até o fim do espetáculo, eu queria o prender em minha vida. Nunca mais voltarei a vê-lo, e quarta foi ontem. A distância sempre me corta de quem eu desejo. Esse outro mundo, é o que me liga a ele. Atuamos para sobreviver. Ele com todas suas expressões. Triste, amargo, alegre. Também covarde, corajoso. Esperto, fugaz, amador e amante. Tudo no seu tempo. Igual eu aqui dentro. Não deixando de pensar no seu lado ingênuo, cuja vontade era lhe por no colo e abraçar forte. Ah, incompreensível essa minha atração por inúmeros homens que cabem em um só. 

segunda-feira, 27 de agosto de 2012

Fiquei tão só aos poucos.

   Vamos escrever histórias vívidas para tapar os buracos das ausências. Nossas ficções não nos condenam e dezesseis dias com os cabelos vermelhos não me fizeram sentir melhor. Nem pintar as unhas de azul, nem sair por aí carregando um jeans descolado enquanto a boa forma me permite... 
   Escrevendo reclamações disfarçadas de poesia. Reciclando a boa vontade. Ou a vontade de nada. É cabível desejar não ser vista e nem lembrada. Não poupo detalhes para descrever a mesmice de forma atraente... 

sábado, 11 de agosto de 2012

Sobre merecer

Amor não tem cura não 
Eu sigo inventando solidão para não deixar de escrever... 
Passeio por palavras distantes, e percebo os mesmos sentimentos. 
A minha poesia sempre quis te encontrar. 
Num tempo também distante, quando eu te lia quando escrevia... 
Transformei em apelo uma das minhas maiores vontades...
"Ainda vamos ser mais do que a saudade do que não tivemos tempo de ser."

domingo, 5 de agosto de 2012

Com flores nos trilhos, acenar pra você...


Há dias não procuro saber sobre você, tenho tido sonhos que mais me parecem sinais. Então tudo deve estar em ordem. Apesar de tudo, espero que esteja. Nada mais tem atormentado minha cabeça, nem me roubado o foco. Tudo bem por aqui também. Mas de alguma forma, as coisas não se encaixam. Você me entende? Envolve a falta de saudade, ou problemas com inventar saudade... É tudo tão vago. Eu ando gostando mais de mim e escrevendo por mim também. Hoje já consigo descrever o indescritível. E crio outros mundos. Crio outros amores no portão, outras cenas, outros dramas que satisfaz. Queria saber como seria, agora já sei como é... Desistir, deixou de ser uma possibilidade há tanto tempo. Desistir nem dói mais. Camões resume meus dias levemente em seu soneto...

“Busque amor novas partes, novo engenho
para matar-me, e novas esquivanças,
que não pode tirar-me as esperanças;
que mal me tirarão o que eu não tenho.
 “Mas, conquanto não pode haver desgosto
onde esperança falta, lá m’esconde
amor um mal, que mata e não se vê.“

quinta-feira, 26 de julho de 2012

Não esqueço de te lembrar


Eu já nem te olhava mais. Eu te assistia, concentrada, aliviada... Por ainda ter motivos para gostar de você. Pretensão da felicidade, nos deixar com o gosto de saudade na boca... Mas eu não posso mais percorrer a corda bamba só pra saber no que vai dar. Se não é amor, é minha eterna paixonite.

quinta-feira, 19 de julho de 2012

Amor não convence não...


Como quem senta e espera o retorno desacreditado
Como quem tem apreço pelo improvável, porventura impossível
Como quem desconfia que não ter uma resposta, seja uma resposta
Viver também liberta
Entre os tics nervosos, os tacs do relógio...
Minunciosamente avaliando a verdade de dentro pra fora
Se lambuza de coragem, abre o coração e chora.
Não, não canse de ser criança
Está tudo como deveria estar, eu estou onde quero estar
Mas escrevo só para te lembrar...
Que longe daqui, as memórias podem te fazer voltar.
O silencio não incomoda mais. Depois dos aplausos no escuro.
Vive agora.
Voe agora.

sexta-feira, 13 de julho de 2012

Necessidade de fuga

Hoje decidi não atribuir mais desculpas concretas para disfarçar tua covardia irrevogável. Nem tampouco pretendo mais enfatizar a impossibilidade que nos divide. Posso escrever sobre cactos na janela, paixões que fogem de serem sadias, mentiras sinceras. Quero escrever sobre nuvens encarneiradas a nos sorrir acima do céu. Escrever o quanto ela pode ser amada. Escrever sobre o meu descuido quando tento não escrever sobre o meu amor.

sábado, 7 de julho de 2012

A calma não acalma

Só teu silencio
aproveita esse meu amor
discreto
Então não venha
com essa calmaria
que me põe no colo
se for pra viver indo embora 
de mim
 

quarta-feira, 20 de junho de 2012

I dont wanna fall down

E tudo que eu escrevo e guardo, escrevo e mostro para o mundo ler é uma sentença. É a prova mais obvia de que eu um dia me deixei prender, seja por capricho ou por necessidade. Eu fui arrastada pelas palavras, eu enfeitei toda a dor. Eu já sinto o peso dessas palavras no futuro, o custo é caro. E quem vai pagar pra entender o que não aconteceu? Desespero. Eu não sinto mais medo, mas não quero cair.

quarta-feira, 16 de maio de 2012

Sobre o não saber

''Mas eu não sei como pode ser amanhã...'' Essa podia ser a frase da minha vida, mas ninguém sabe do amanhã... Talvez esse tenha sido o meu erro maior, não ter te aproveitado melhor. O tempo é o meu segredo, e eu sinto sua falta. 



sexta-feira, 11 de maio de 2012

Sobre o que ninguém escreve...

Ninguém escreve sobre a reunião dos passarinhos em volta da tigela do cachorro, sobre a vizinha que se veste de rosa para estender roupas no varal... Sobre a mulher ranzinza de bigodes que atende no bar da esquina. Eu sempre gostei dos detalhes corriqueiros e do cotidiano cansado. Talvez seja por isso que atribuo beleza e simplicidade a tudo... É porque eu vejo sintonia quando a vizinha da direita coloca seus pares de sapatos apenas no lado esquerdo de sua janela. E escrever sobre o que ninguém percebe, me faz ser percebida pela vida. Sobre joelhos ralados, sobre corações pulsando, sobre romances de esquina e esperas no portão... 

sexta-feira, 4 de maio de 2012

Meu equívoco ainda tem nome

Eu quis gritar, perguntar de onde vinha tanta felicidade, e se tinha um pouco pra mim também. Só um pouquinho. Era tantos casais, na rua, na esquina, na janela, na parada de ônibus, nas propagadas da televisão, carregando compras do supermercado. Há tanto amor lá fora, amor bem empregado. Amor sendo amor. E eu não me importo se estou sendo cruel agora, porque de alguma maneira... Sei que a vida está esfregando nas minhas fuças o quão eu preciso de dedos entrelaçados. Não quero mais acabar invertendo os papéis e usando mais outro cara como válvula de escape para suprir minhas dores de amores... E depois no dia seguinte ter certeza de que não significou nada, porque na verdade não significou. Aí escondo a cara por arrependimento, e evito qualquer palavra, porque ninguém preenchera o vazio que há em mim. Esse vazio é o que me conforta. Meu equívoco ainda tem nome, e eu não me canso de errar.

segunda-feira, 30 de abril de 2012

"As coisas não ditas apodrecem em nós."

Quase não penso quando ela se aproxima, o barulho do salto alto dela me desconcentra... Então me encara de frente, arqueia umas das sobrancelhas e eu me desfaço por dentro mais uma vez... Ela se infiltra por entre minhas frestas e me desvenda. Não está nada bem. Ela promete me esquecer, depois diz falhar em mais uma tentativa. E eu não encontro a paz. Ela não pode preencher minhas lacunas, porque já não existe tempo pra nós dois. E isso já é mais uma parte de nós que se parte. E se eu falo pouco, ela não me perdoa, se eu falo muito ela se ilude. Se ela fala muito eu me confundo. Se ela não fala nada, eu sinto falta. Logo eu parto daqui, e só posso a levar junto com meus delírios. Há espaço no coração, mas na vida não. Mas o impacto da distância é um delito a mais na nossa ficha. Eu queria tudo e não queria nada; eu queria ela. Ela ainda diz que sou seu primeiro amor intacto pelo tempo, mas eu não sei se vou ou se fico. Caminho em passos curtos mas firmes, de longe ela me abre os braços... Eu paro na pista. E ela sempre continua lá. Essa minha ebriedade me afeta.

quinta-feira, 29 de março de 2012

Gente

Eu gosto de gente com alegria súbita, que faz graça da própria dor.
Gente que sorri chorando, que chega sem espera, que espera sem pressa.
Gente que namora na janela, gente que não tranque o portão.  
Gente que acorda ranzinza e dorme feliz. 
Gente que se aproxima, gente que foge da solidão. 
Gente que escreve no ar e desenhe nas nuvens. 
Gente serena, gente trovão.

sexta-feira, 23 de março de 2012

Se for, sem ir...

Bonito o suficiente para me prender em seu rastro de vaidade. E se ele ainda souber escrever com leveza e rir com ingenuidade... Me convida a ser feliz, como jamais consegui ser. Se ele disser que virou a noite pensando em mim, por ter se assustado com minha espontaneidade, se ele disser que não entende como não me conheceu antes, mas afirmar com certeza que me conhece de outras vidas... Ah, se ele for o que eu penso. Se for só uma vez... Se for só desta vez. Se ele conseguir arrancar do meu peito esse rancor de não ter sido ninguém na vida de alguém... Se desta vez for ele...

quinta-feira, 15 de março de 2012

Medo submerso

A madrugada bate na porta, trazendo da rua gelada o que restou das duvidas. 
O tempo não mostra mudanças, porém, os dias passam.
Eu paro. Não tenho a quem recorrer. 
Dramaticamente me tornei a vilã.
E não se pode voltar. 
E não consigo escrever sobre. 
Por medo de me afundar mais e mais. 

sábado, 28 de janeiro de 2012

Sobre as miudezas

Me rouba saudade
Me devolve poesia
Me empresta amor
Te nomeio agonia