domingo, 22 de dezembro de 2013

Soneto pra não dizer nada

A nota mais triste ressoa na gaita
E por tudo que me parece sagrado
Eu não consigo me afastar

Eu escrevo João pra mim
Chico Buarque entende 
essa minha metade afastada

Não te ver é te riscar na memória
pra te manter por perto
Esse encantamento é pura tolice
Do singular ao universal

Eu que sempre quis muito
Hoje acordei pra não te querer
Porque é bonito e dói
E eu vivo nessa contradição 


[16/12/2013]

terça-feira, 17 de dezembro de 2013

Me apodreço com gosto

De novo
um mês que passa
não muda nada

Então deixa eu gastar 
a madrugada
pra dizer que
o que não é fraude é poesia

Quero mesmo
mastigar essas palavras
e cuspir pedras

Vem, finge 
que ainda é cedo
e faz o meu tipo incerto

Me olha 
propiciando vontades
Me desgosta 
até eu cometer uma chacina

Depois senta 
e bebe comigo o chá mais doce
que eu não sei fazer

Consentindo
que lhe escreva
de modo mais 
deliberado profano podre

Como se eu estivesse além
dessa literatura marginal

Daí quando me cansar de você
finjo que sei desenhar
e faço o caixão mais bonito
pra lhe guardar

[como num sonho bom] 

01/12/2013

sexta-feira, 22 de novembro de 2013

Até eu parar de escrever

Pra lá do existencialismo
quero os anseios 
invejáveis de outrora

De quando eu te escrevia 
sem você saber

Palavras 
só causam impressões
Creio que preciso saber 
qual é a minha imagem 
apesar de tudo

As vezes
Nossa formalidade 
nada convidativa 
me fode os instintos

Por todas as pessoas que 
se destroem por escrever
pensei na negação freudiana
como defesa 
contra realidades externas
que ameaçam o ego

Será esse meu fado?
Esse eterno pisar em ovos,
comer pelas beiradas 
e passar fome?

07/11/2013

quarta-feira, 20 de novembro de 2013

Possível febre

Enquanto eu andar distraída
hei sempre de ser encontrada
por pessoas como você

Nos corredores cheios,
eu te assisto e não me canso

Tu me olhas tão invasivo
e ressuscita as pobres borboletas
jogadas no meu estômago

E me ponho a pensar que
nada valeu antes disso
Porque dessa vez
tudo pode ser
[real.

Vem me acordar
pra essa vida.

quinta-feira, 14 de novembro de 2013

Medo de hoje

Tu vais ficar sabendo 
por aqui
Que a tua voz é a calma
que não acalma

E o que não é absurdo
É quase feroz
Talvez convidativo

Qualquer aurora
não explicaria
esse desejo vertiginoso
porventura medieval

Por mais esquisita
ou desvendável que seja eu

De longe quero te atar
em tudo o que escrevo

Nas conversas que não temos
eu te digo tudo 
o que é preciso dizer

Nas conversas que temos
eu me escondo de Deus

sábado, 2 de novembro de 2013

Rascunho de guardanapo

Eu me esquivei
de todos os homens
que me aceitavam assim
Para querer tanto alguém
que detesta minha loucura

Aperfeiçoando
esse afeto dissimulado
somente para não me desfazer
da poesia

Tudo machuca e cansa
As sensações são tão rasas
A vida é assim mesmo?
Cancerígena

Garçom, cancela aí
essa dose de desespero
Por favor.

terça-feira, 29 de outubro de 2013

Sobre terça-feira

Tudo começou
em uma terça-feira

Não importava mais
a beleza triste
Nem a atração
intoxicada

Os dias
sem se falar
foram os que mais
rendeu disparates

E tu conseguiste ser
a única luz
no céu
abandonado

Alguém
que não eu
escrevera
essa história
para acabar
sem final

Outra vez
a impotência
abrange tudo

E quando
é a segunda vez
a gente sempre
acha que vai
saber o que fazer

Até os erros
tornaram-se
mais atraentes
mais leves que o ar

Nada posso fazer
Se teu nome
combina com tudo
Até mesmo com essa solidão

Não retiro
nada do que gostei de ti
se escrevo isso
confessando pecados
ou pedindo perdão

De qualquer forma
Tudo terminou
em uma terça-feira
[também]

quarta-feira, 23 de outubro de 2013

Crime poético (in 4 pt)

 I
Pra quê coerência,
se te acompanho
e a vida não passa?

Se um mês que passa
não muda nada
se o nada é mesmo nada

Dos cafés sem gosto
O meu gosto
pelo o que não apetece

II  
Desviando a conduta
os olhos, as mãos
e as vontades

Criando imagens
algemas
e buracos

Entre cuidados
meticulosos,
me afasto um passo
e estou em outro continente

A maldade
está dentro de nós
E já te quis dentro do meu porão

III  
Te expulsando do coração
escrevo tua bela morte,
como quem nunca
sentiu saudade

Da experiência
que peguei emprestada na televisão
do que até li e ouvi falar

Após o súbito ato
gostando com 
delicadeza bruta

Riscaria a faca
em teu corpo
usando traços cirúrgicos

Enrolando teus pedaços
num lençol azul  

Significando
o abraço do Céu

Jogando-o depois
num abismo qualquer

IV
Daí voltaria eu
para minha vida hemorrágica
vista como boa moça

Conquistando mais uma vez
essa alegria desfigurada 
Para salvar a situação


17/10/2013

sexta-feira, 11 de outubro de 2013

Do antes que não sabia

Descobriu prazer vontade ânsia em escrever sobre a podridão sobre a morte urgente a luxuria selvagem no mais escuro de si mesmo com as luzes acesas com o tempo que só parece perdido com a perdição sem tempo estragando afetos com lembranças assim esquecendo nomes não mais trocando interesses e nem palavras pelo que sentiu e não quis escrever do que desacreditou por não ter encontrado na margem da mocidade a severidade que contaminou a ternura sobre o que não entendeu e alguém não quis mais saber concordando com a poesia que adormecer sentimentos é igual a beber café morno então era novidade invadir prédios desconhecidos fingindo conhecer de cor interfone e corredor passando certeza da gentileza recém ensaiada como se os olhos dissessem estou indo para o terceiro andar segura a porta obrigada adentrando histórias prontas deparando-se com portas fechadas e paredes alimentadas de imposição e motivos pessoas escrotas tapetes cordiais e solidão opcional retocando o batom na escada estreita e voltando pela segunda vez para a primeira porta à direita do terceiro andar como se alguém a esperasse se antes conhecesse alguém ali parada em frente aquela porta fantasiando novos receios saboreando a certeza da duvida não apertou a campainha mal podia não sabia quem habitava por detrás do tapete de boas vindas mais sujo do prédio foi embora da forma mais natural como quem acorda de mais um sonho que não foi bem sonho tudo assim sem vírgula pra não dar tempo de respirar tudo assim trivial banal ocasional de sempre pra sempre cujo desfecho foi o mais escrupuloso inimaginável ultrapassando limites da vergonha e do ódio não deixando papel nem verso para toda e qualquer perspectiva real ou literária vestindo impessoalidade banhando-se na imundície além do drama existe a vontade de trancar qualquer sinalzinho de reciprocidade evitando tormento e recriações de paixão limitada porque a verdade não se adia nem se abafa cinco horas da manhã a conformidade assombra e a vida se obriga a ser mais tragável de todas as pessoas mais desgraçadas aquela foi a mais venerada de modo doentio ou não que se foda tudo gira em torno de alguém hora e sempre alguém te distrai se vai tu chora e esquece ou ri e aplaude a merda da casualidade culpa teu coração mole manda tua própria individualidade para a puta que pariu já que ela se perde perto dessas pessoas desgraçadas e bonitas que te intimidam e te fazem parecer alguém que fala merda freneticamente dai tu senta escreve e agora sim esquece porque o trem e os pássaros anunciam o dia lá fora e eu me sumo daqui.

domingo, 15 de setembro de 2013

Paixão

I

Acho que não
te supero nessa vida
noutra também não

Dos enganos
que escrevi
esse é o mais turvo

Seu nome é
um poema
de duas sílabas

Seus efeitos
são sempre
superiores

Te vejo sentado
ao meu lado
acompanhando meus lábios
enquanto leio
silenciosamente
o que gostaria de ter escrito
pra ti

A cada
pausa
suspiro
olhares
desvios

Você me olha
mas não me enxerga
Quero lhe tocar
mas não consigo

Acordo do sonho
que não dormi

 II

Que posso lhe dizer?
Que todos os homens
dessa cidade
Não me inspiram
como você?

Que teu desmazelo
ainda é combustível
da minha esperança

Que te procuro
na praça que não é tua
Nas calçadas
que não te conhecem

Que te gosto,
com tamanho favoritismo
que até me entristece?

Te coloco de frente
as minhas janelas
me acenando com fascínio
me cuidando com afeto
e eu te desejando
com açúcar
Bem tal como Buarque,
o Chico

Não percebe
que só te escrevo por paixão,
menino?

quinta-feira, 5 de setembro de 2013

Parei com você

Se alguém pedisse para
eu parar com isso agora
eu parava na hora

A minha falta do que fazer
é puro sentimentalismo
e esse é agridoce

Ele precisa ir embora
daqui
de mim

Não saber distinguir
o real do imaginário
tornou-se um problema
dos caros

E ele sendo tão gentil
já penso logo em cobrir
os muros com cacos de vidros
para anunciar distancia

Ele é um santo remédio
para a loucura
mas na prateleira divina
foi colocado ao lado da rejeição

O que sinto transcendeu
todos os meus truques

Perguntar hoje se ele 
é personagem
ou não
Vira caso sério

Suas bocas comem
minhas mentiras
nada literárias

Mentir não é tão bom
quanto na semana passada

A verdade verdadeira
é que João quer ir
Mas eu não deixo

Quem vai ir sou eu


30/08/2013

segunda-feira, 2 de setembro de 2013

Não valeu o meu setembro

Domingo é dia de inventar 
mais arrependimentos

E quebrar o gelo
vai além de gritar
dentro do abismo

O que não te importa
é o que te incomoda

O que te incomoda
sou eu

No mais, tudo é
da boca pra fora

Ir direto ao ponto
é se afastar mais

Toda ternura
acaba sendo libidinosa

Qualquer tentativa
vira sacrifício

Emendar esperança
é forjar alivio

Eu endeusei demais você
esquecendo da tua escuridão

Vou te matar por aqui
pra nunca mais ter que escrever 
sobre essa solidão

quinta-feira, 29 de agosto de 2013

João que não dorme em mim

Grande admiração me causam
essas cheganças
Me vejo chegando
às raias do contentamento

Penso diuturnamente
nessa miniatura mística
que ambiciona tal
alegria desfigurada

Escrevo com vontade
cosmogônica,
gosto como se não tivesse
inventado nada
Ou inventado por completo

Como se eu fosse
impecavelmente mais errante
mais sucinta a brevidade
espreitando a vontade que não dorme

As inspirações
saem da sombra sempre tão ingratas
Fito com zelo
o que não nasceu só em mim

Quero falar
mas não posso
o que me interrompe
também pode me romper

Num disfarce pudico
nos calamos
mais uma vez
de vez

Nós que somos tão sujos
não nos importamos
de parecer um lixo sagrado

26/08/2013

terça-feira, 27 de agosto de 2013

Carnificina literária

Se te moldasse
com arame farpado
talvez só perderia
alguns dedos

Te moldando
dentro dessa linguagem substancial
eu perco esperança

Mas todo drama
vale um romancezinho
bem água com açúcar

Se te mandar ir pro Inferno
é capaz de eu ir junto e carregar suas malas

Se te mandar pro Céu
Deus não te aceita

Eu que te aceito
não tenho sorte
do amor tranquilo
à la manière de Cazuza
com sabor de fruta mordida

Mordida
vivo eu
dentro
desse
pecado

Por que dou risada
quando sei que fiquei magoada?

(Foda-se você, foda-se todos nós)

sábado, 24 de agosto de 2013

Me descubra sem espanto então

Olha, não me acomode
em tuas estranhezas
Não me corte pela raiz
Ilusão nenhuma é à toa

Sigamos escrevendo
nossos prantos
E como já escrevera, Adélia
morra a puta que pariu
minha (nossa) tristeza

Nem de leve, imaginava
que me pudesses ler
Meu orgulho era pura fraude

Vou desejar daqui em frente,
escrever coisas bonitas
para te encantar o bastante

Não me aborrece que ache graça
de onde te coloquei
Conduzo tal exposição
com medo, medo sim

Querendo que o agora
não se torne tão cedo
o depois

É bom passear pelas palavras,
te encontrando no fim de todos
os poemas, João

Posso eu pensar que
não sou digna de te escrever assim?
Porque tua imagem-poema
me põe no ombro
e me cura de ser covarde

Mas tais versos simplórios
não garantem o paraíso

Até sendo bons
somos maus
Todas as confissões escritas,
pensadas e nunca ditas
São tão imundas, que me caem bem

E você nunca cai em si
cai dentro de mim.

quarta-feira, 21 de agosto de 2013

Tem sido João

Tem As Três Marias em forma de sardas no peito
Ela tem um apreço desmedido pelo teu nome
Se comove com propagandas na televisão,
quer mais do que discutir Caetano
Ela diz que como Drummond, 
você também é espirituoso e devasso

Ela o espera sempre que lembra
e o supera sempre que pode
Ela não te distraiu 
e virou pó

"Na selva castanha dos teus olhos, 
eu digo salve-se quem puder."

domingo, 18 de agosto de 2013

João (meu) alguém

Naquela conversa
tu deixou de ser o João
e eu a Helen - com um L só

Falamos sobre futebol
e vícios

Da falta de tempo
ao futuro

Nem parecia
que um dia ia faltar o que falar

O que parece mesmo
é que regredimos no
diálogo básico

Eu não sei te dizer oi
sem lembrar dos meus receios
Você não aceita o meu afeto 
sem estragar com meus devaneios

Mas mesmo assim
tu consegue ser
a poesia que chega
nas tardes cinzas

Não tivemos tempo
de nada
mas te lembro sempre

O dia 12 de todos os meses
tem o teu nome no meu calendário

E eu tenho você
no coração 

sábado, 10 de agosto de 2013

Quando tudo se torna ofensa

Descamando a pele da boca 
com os dentes nervosos
Enquanto seus olhos abrigam açudes 
que desafiam as represas
Ele se aproxima dela e nada diz
A raiva contida faz o ambiente

A sombra do que não é dito
constrói novas paredes
Suas palavras conhecem o torpor

E ela reflete que essa paixão
é mais uma maldição que a vida joga sobre ela

O perdão não existe no silêncio
E esse homem sentado ao seu lado
não quer se desculpar por gostar de outra pessoa

Ele só gostou dela por toda a tristeza escrita
Pela poesia abatida, 
a fragilidade depositada em tudo que pudera ler

Mas juntos, ela alcançava a felicidade
agora ele precisa ir embora para usurpar outras melancolias 

Ela se desprende da raiva e pergunta

Por que?
Em pé a sua frente, por entre ombros ele responde
Gente feliz é feia. 

E se foi.




segunda-feira, 5 de agosto de 2013

Me assistindo queimar

                                                                                       "E não demora nem um pouco 
                                                                                           para eu cair do precipício"

Todos os livros que me restam ler
é meu grande impedimento de abraçar
a tristeza do mundo

Num sobressalto, preciso escrever 
amigos com prazo de validade
desculpas que mesmo tarde chegaram até a mim
reciprocidade extinguida

A falta do que sentir
Os romances todos desesperados
além das dores inventadas
além do que não sai no jornal

Escrevendo cartas
para o Tempo 
que as recebe com mãos de tesoura

Agora
é
sempre

Sempre
não
quer ser 
agora

sábado, 27 de julho de 2013

Fora do meu padrão passional

   Custa caro entender porque me dou o trabalho de sentir tanto e me despedir quando o controle sai do papel. Porque me ver assim sendo tão patética por alguém é melhor do que não sentir nada... Eu nunca precisei tanto de uma defesa como agora — meu ponto de vista não vale mais como argumento. Deixou de ser natural quando passei a escrever sobre alguém que não existe — mas existe — entende? Claro que não. Nem eu entendo. Mas depois de tanto tempo eu queria que esse rascunho fosse a minha história principal. Acho que o meu mal está em buscar outras alternativas no que invento pra viver bem. Escrever tem me deslocado para dentro de uma pessoa ingênua, sem maldades. Isso tá acabando comigo. Não fujo de relacionamentos palpáveis por medo da realidade. Tenho pavor é do desgaste, de que tudo vire mais e de que nada doa.
Sim, eu gosto da dor. Por que não? Eu estou pelo drama eterno. Mas não dá para manter minha poesia com as exatas duas semanas de esquecimento do meu personagem mais cretino. Se fosse de acordo com o meu roteiro, ele teria me procurado ao menos três dias depois de eu ter dito que não queria que nos perdêssemos, mesmo com o meu comportamento ridículo ou com essas palavras que mais denunciavam meu imaturo apreço.
   Mas ele se perdeu, e sem saber arrebentou o meu laço de inspiração. É verdade, estou mais preocupada  com o que quero escrever  a seguir, do que com a certeza de que fui rejeitada da forma mais grotesca da vida. Não tem nada a ver com ego dessa vez, obtive satisfação pessoal ao deixar o que pensei ser o primeiro amor pra lá, claro que não foi nada inteligente escrever por quatro anos por uma pessoa egoísta e feia por dentro. Com a maturidade que me foi concedida pelos deuses, entendi... Não foi amor não, foi amostra grátis de dor. Dor poética. Me ajudou a perceber que estou aqui nesse mundo, somente para ser louca dentro do que escrevo. Longe da caneta e papel, sou esse desajuste pendurado em uma pessoa desconjuntada. Minha satisfação pessoal é saber que o que fiz da minha vida é o que ainda me falta fazer dela. Não vou ser uma pessoa comum fadada ao ritmo do cotidiano com a liberdade abortada. A minha continuação virá na hora certa, nem por descuido, não com falsa surpresa. Minha união maior, terá que ser a ultima. Com todo amor e o pacote completo, até minha vida acabar.
   Então, posso perder a sanidade pelas minhas não tão breves atrações — sexuais & poéticas. Mas é o que me agrada fazer hoje. Amanhã não sei, amanhã tento de novo. Agora sobre esse homem que comanda minha ânsia de duas semanas, ver ele sem falar, rendeu tudo isso. E ele vai falar, por eu não falar. Pelo que conheço e não escrevi, ele é esse abuso de confiança, esse congestionamento de sentimentos bons. É o frio na barriga causado pelas borboletas que não são coloridas. É o dia cinza, a paixão underground.

quarta-feira, 24 de julho de 2013

Opus 17

O livro rasgado sob a cama
As poesias que não soube escrever
O dia que fui embora
A hora que não cheguei em você

O fim da tarde que chegou cedo
A perfeição dentro do medo
Eu me subestimando
pra chegar em você

Os dias que não me procurou
Os dias a mais que gostei de ti

O costume
Os danos
O que não faz sentido
O que não era destino

A maldição
As repostas

O que não me disse
O que imaginei

Também foi o que quis
e não me quis

Nem com os lábios pintados 

eu consegui escrever minha boca na sua

quinta-feira, 18 de julho de 2013

Quase adeus João

   "Eu nunca te rejeitei por ser louquinha", ele fala tal palavra no diminutivo para que minha insanidade o perdoe. E hoje é mais um dia que vou dormir brigada com a certeza. Até parece que ele me trata tão friamente para eu não esquecer que estamos no inverno. Enquanto eu digo que me estrago sem evitar ele concorda e ri sem hesitar. Nossa combinação astrológica diz que sou seu paraíso astral. E para mim, ele só está sendo o meu inferno. O que escrevi outrora, sobre ele ser minha dor mais honesta... Se dissipou. Ele faz doer as minhas verdades e eu volto a viver sem exceções. 
   Ele é esse homem inefável e desregrado e cheio de vícios e irregular e lindamente diabólico que me tira o sono e me põe a escutar meu coração. A cartomante não pode me trazer em 3 dias o que o ego prendeu pra vida toda. Sobre minha mais nova paixão, ela disse... Montanhas hei de escalar até alcançar essa pessoa leviana que me tem simpatia, mas que não me dá segurança.
Acho que ele está para mim como Jonathan está para Adélia. Meu travesti poético.
Não estou preparada para busca-lo longe dessas linhas, e peço perdão pela falta de loucura.

sexta-feira, 12 de julho de 2013

Ama e nem sabe mais o que ama

   A canção da noite adentrando as janelas da sala de estar, sirenes, grilos, latidos dos cães inconformados, motores dos automóveis que parecem não chegar a qualquer lugar. Crianças marcando as calçadas e rindo contra ao vento no meio da noite. Elas sempre vivem mais do que eu. O mundo só quer me acordar... 
   Citando Amélie Poulain ''São tempos difíceis para os sonhadores.'' Tudo com que divido espaço, exala uma desesperada melancolia. Ou minha melancolia ganhou o direito de se apossar do que me cerca. As frutas descansam apodrecidas sob a mesa, não mais gosto mesmo de maçãs... No meu colo, protejo as poesias reunidas da admirável Adélia, a imensidão me atinge em cheio. Me sinto tão mais pequena, disfarçando minha vulgaridade poética bebendo álcool barato numa xícara de café.
   O silencio que não faz silencio não quer  me responder quem é esse desconhecido que eu chamo de João. Mas eu queria tanto que ele mudasse a minha vida, como canta Belle And Sebastian... Queria que ele colorisse minha vida com o caos do problema. 

Titulo: Adélia Prado

quarta-feira, 10 de julho de 2013

Ninguém me encanta como você

Pensei que te encontraria no desencontro
Mas estamos nos perdendo mais
Cheguei ao ápice de te querer tanto

E não te ter poderia ser minha
infelicidade particular,
se eu não escrevesse sobre isso.

Fracasso na vontade de te escrever 
coisas só minhas
Roubo todas as palavras 
dos poetas mais corajosos do mundo 
se for pra te dizer sobre o que luto pra entender

Tomei a ternura da Alice Ruiz
Pra você saber...

ninguém me canta
como você
ninguém me encanta
como você
nem me vê
do jeito
que só você
de que adianta
ter olhos
e não saber ver
ter voz
mas não ter o que dizer
digam o que disserem
façam o que quiserem
ninguém diz
ninguém vê
ninguém faz
como você
ninguém me canta
ninguém me encanta
como você

quinta-feira, 4 de julho de 2013

Décima letra do alfabeto

Quero me somar com alguém. 
Me diminuir no que escrevo e
me resultar em um amor de portão.

Palavras leves de sentimentos pesados...
Meu passado ainda sabe doer em mim.

Qualquer fim é pouco
E pouco, é o que não quero ter de ti

Tu és o meu ''não sei o que fazer''
E pra ti eu quero ser ''ela é louca por mim''

Não quero ir para a próxima estação
Se essa é a maior atração que já senti
 

quarta-feira, 26 de junho de 2013

DECLARAÇÃO DE QUASE AMOR

Escondido na obscuridade, 
eu te vi de verdade...

E depois das conversas paralelas
[além da minha balela]
Quis muito te anexar em mim

Te querer é só detalhe
E a verdade, é só um momento
A questão é que... Você tá virando saudade

Mas é só falarem o nome da sua cidade
E eu lembro você enfim.

É bonito, e dói.
É feito João, 
virou paixão.
Das bravas.

O caminho foi perdido,
porque te perdi
quando fui me procurar.

Tua risada no outro lado da linha
foi minha orientação.
Foi a certeza que confundiu...
E no fundo eu sabia, 
você apareceu pra confundir

Achei meu sossego enclausurado
Me alcança e não me cansa
Tem silêncio que basta

Não vou mentir
hoje te quero mais do que em fevereiro

Pra combinar com meus dias nublados
Pra vivermos um amorzinho retrô
Pra desperdiçarmos elogios valiosos
Pra te gostar discretamente e sem pudor
Pra ser mais do que minha nostalgia literária

Como um cigarro
tu me acendeu pra ti
Então seja lá o que for, 
seja lá o que possamos ser... 

Deixa eu dizer mais,
isso é quase amor.

domingo, 23 de junho de 2013

Hoje não vai dar, não vou estar

Se me quer agora
Me procure depois

Se quer me entender
Recita Cícero pra me acalmar

Se for me escrever
esqueça de telefonar

Se deixar de me ver
não queira mais voltar

Se não for mais voltar
É, porque não me tem amor

E meu amor pra nós dois...
Eu já deixei pra lá.

quinta-feira, 13 de junho de 2013

Só pode ser João

   Não tenho me sentido muito bem, porque hoje a minha ideia de distração se tornou o meu problema mal resolvido. Queria não ter deixado seu aniversário passar em branco, pensei em lhe escrever tantas coisas loucas. Se possível fosse, me colocaria em frente a tua porta, e seria louca contigo. Varreríamos a madrugada com a fumaça dos nossos cigarros, discutiríamos Freud e Jung. E te roubaria abraços até o sol nos beijar. Tu não precisas de conserto enquanto eu só me estrago... 
   Desesperada, acompanhando tua vida de longe, eu não vou longe. Preciso dizer que tu sumindo dos meus dias, o meu sossego sumiu junto. E por nós, ainda não me é permitido fazer a cena que eu quiser. Já não me imaginava mais construindo laços, agora às seis da manhã escrevo que por ti, dobraria tuas camisas por cores e tecidos até a morte nos separar. Tu és bom demais pra ser alguém de verdade. Ou, eu sou patética demais e te escrevo por vaidade.
   Parece que estamos brigados, parece que fiz tudo errado. Acreditando que tu esperas eu dizer qualquer coisa, que vais se divertir com meus devaneios e até me querer mais. Mas não brigamos, não houve motivos. Dessa vez não quis inventá-los. Porque contigo tudo é leve mesclado ao assustador. Morrerei de medo se minha vida não começar sem a tua... Cansei dessa greve de palavras, algumas horas atrás meu orgulho exibido fugiu para eu te dar sinal de lembrança. Acostumei-me com as borboletas se amontoando no céu da minha boca antes de pronunciar o teu nome.
   Já vou ir dormir, vem no meu sonho com aquela camiseta branca de algodão, me desculpar por gostar tanto de ti.

(Santo Antônio, me abençoa com esse homem)



terça-feira, 11 de junho de 2013

Três da madrugada

A folha em branco
A vida em branco
O amor em branco

Eu no banco,
sozinha esperando...
Quem eu não sei esperar

Se ele se chama Caio
ou João, talvez Anderson.
Ah, não sei.
Sei não.

Recolho uma atenção aqui
Cato uma saudade ali
Costuro uma presença lá

Não é a interpretação da Gal
Mas poderia ser...
Já que chego à conclusão que

Meu pobre coração não vale nada
Pelas três da madrugada
Toda a palavra calada
Dessa rua da cidade
Que não tem mais fim

domingo, 9 de junho de 2013

Veja só... Lembrando eu esqueci

Na exatidão, na exuberância...
Nada mais me assola
O sossego me apressa
a viver bem.

E hoje não sou eu 
quem vai rezar pra esquecer.


Rodrigo é meu porta-voz agora, e em tantos outros dias.


quarta-feira, 5 de junho de 2013

Profetizando com André

E lá ninguém acredita
Que disso tudo, eu fiz poesia sem saber
Eu encaro a solidão todos os dias
Por gosto de estar sozinha
Só, eu vinha, apreciando os instantes

Eu quis falar sério
Sem estragar com os teus  mistérios
Eu quis confundir, sem promessas
Eu também quis ter o privilégio
De causar dor. Pra esquecer qualquer amor.

Se até André, me vê de vestido branco 
- com florzinhas azuis - no quintal em meio às plantas
E tu me fitando da porta...
Por que não nós?

Sai da minha imaginação, guri.
Vem chover no meu temporal.

sexta-feira, 31 de maio de 2013

A anatomia da vida

   É a encenação da vida mais pura, mais suja, mais dolorida. É amor que não cabe e não acaba em 40 minutos. Dos olhares indiscretos, das traições, dos danos. Do bar, o sexo e o desconhecido dormindo no tapete da sala. As perdas, as mortes. O adeus que não foi dito. Um pedido de casamento encaminhado ao necrotério... O beijo que abraça a alma, a descoberta da nova paz. A irrealidade concreta, as atrações dissimuladas. Diversas surpresas espalhadas na exata anatomia. O amigo que se foi, as gargalhadas que choramos. As escolhas, os corações magoados. Uma calcinha no bolso, orgulho acabado. A árvore de Natal acolhedora, o fantasma daqueles que já se foram e que ainda vemos por aqui. O amor que não pode ficar pra outra vida... O desespero segurando a mão no chão do banheiro. O vestido que ele não viu, a morte que chegou cedo. A loucura, a certeza da loucura. O abandono. A casa feita de velas, o anel arremessado ao campo. A vida pedindo socorro.
   A pessoa favorita, a amizade em carne viva. O homem que sofreu muitas cirurgias e só não podia suportar perdê-la, ela que o perdeu. Na frente do espelho com lágrimas cortando seu rosto, ela não sabia como... Mas disse, eu sou viúva. 
   A bomba, o avião, o mar. O parto. Outras vidas, novas vidas. Despedidas prematuras, com promessas de vida longa, amor seguro. Filhos, carreira, uma casa bonita. Só a morte aconteceu. E o que será suficiente? Além do amor devotado aos planos... As decisões já foram tomadas, ela fechou a porta. Esses corações se quebram mais uma vez. No outro lado da história, ele tem medo de estragar com tudo que é bonito, porque é um bom homem. Ali mais adiante, pensando ter o perdido ela grita pelo que deixou de dizer. Ela grita pela verdade que não conhecia. Ele surge no meio da explosão como um anjo que salva vidas, depois disso ela só sabe dizer que o quer... Ele lembra do seu casamento marcado. E ela só diz precisar de um motivo para não casar. E se o amor não pode ser suficiente, o que mais podemos ter?
   Escrevo tudo isso, apesar da minha interna confusão, porque já sinto saudade e não quero dizer adeus. Na nostalgia do que já vi, guardo tristeza pra quando acabar. Essas histórias são parte de mim. Eu as reescrevo todos os dias...

Grey's Anatomy é minha poesia preferida. 


segunda-feira, 27 de maio de 2013

De novo ele

Te gosto
porque gosta das estrelas
Te gosto
porque gosta dos meus gatos
Te gosto 
porque queres ter filhos, só comigo
Te gosto
porque és meu pecado
Te gosto
porque contigo vivo
Te gosto
pelas suas mãos afobadas 
e olhos distintos
Te gosto
porque gostar vem antes de amar
Te gosto 
porque te assisto, e não te projeto
Te gosto
depois de todos os desgostos
Te gosto
porque quero te amar
Te gosto
porque não modifiquei minha vida pra caber na tua 
Te gosto
por gostar tanto de mim
Te gosto
porque é o melhor que fiz até agora


Indo depressa
pisando em brasa
Tendo amor bastante
Acertei na distração
Assim tu me encontrou





sexta-feira, 24 de maio de 2013

Te gostava sem saber do teu gosto.

Sobre os príncipes 
que encontro nos bares
dessa cidade...
Eles só me ligam quando o encanto acaba.

Eu sou quase nada
destilada no álcool e pouca fé.
Num humor decadente 
lembro só quando preciso de abrigo

Meu ponto de partida ainda começa
no teu nome. Teu bonito nome.

Eu exagero na felicidade
forjando novos amores de esquina
só pra não me perder pra mim

Não te digo mais adeus
te acomodei, enfim.
Nos diários antigos
na saudade irremediável

No amor que não se edita.

Vou amar de novo, 
talvez verei teu rosto
em outros gostos.


domingo, 28 de abril de 2013

O homem permanecido só durou a noite

Disse-me que gosta tanto, 
de ver a chaleira chiar.
Como se com nós conversasse, 
contando urgências...
Ele desencaminha nosso assunto, 
ganhando meu tempo.
Faço seu café, 
tentando lhe devolver o foco.
Ele me olha como quem quer tudo,
e eu só quero algumas palavras.
Já passara da meia-noite
e ele agora troca o hálito do ar
com seu cigarro barato.
Pergunta se tenho por hábito
oferecer café para desconhecidos
largados no meio fio...
Disse que o conhecia
talvez de outra louca vida.
Ele disse que louca sou eu;
e que meu café é amargo.
Pediu-me papel e caneta,
colocou o bilhete em minhas mãos
e saiu sem dizer nada...
Num espasmo li:
''O demônio que habita em ti, já morou em mim.''
Só consegui pensar,
que não perguntei o seu nome.

Desculpe a delicadeza. 

sexta-feira, 26 de abril de 2013

Quero ver João

Do crepúsculo ao meio dia,
tu és bonito sim...
Receptáculo do Sol, tão soberano...
Pássaro dos ventos de junho
Mistura de Jeff Buckley e Caetano Veloso. 
Infinito rascunho dos Deuses
Meu devaneio poético, minha dor mais honesta
Tu és bonito assim... Abençoado, profano.
Teus olhos castanhos se alimentam da minha sanidade
Tua barba, pescoço e mãos dominam minhas fantasias eróticas
Nosso sexo de manhãzinha decora o dia
Tua boca quente combina com minha pele que ferve por ti
Não me deixa dormir, se não for mais voltar.
Não quero acordar, se isso nunca aconteceu.