quarta-feira, 23 de outubro de 2013

Crime poético (in 4 pt)

 I
Pra quê coerência,
se te acompanho
e a vida não passa?

Se um mês que passa
não muda nada
se o nada é mesmo nada

Dos cafés sem gosto
O meu gosto
pelo o que não apetece

II  
Desviando a conduta
os olhos, as mãos
e as vontades

Criando imagens
algemas
e buracos

Entre cuidados
meticulosos,
me afasto um passo
e estou em outro continente

A maldade
está dentro de nós
E já te quis dentro do meu porão

III  
Te expulsando do coração
escrevo tua bela morte,
como quem nunca
sentiu saudade

Da experiência
que peguei emprestada na televisão
do que até li e ouvi falar

Após o súbito ato
gostando com 
delicadeza bruta

Riscaria a faca
em teu corpo
usando traços cirúrgicos

Enrolando teus pedaços
num lençol azul  

Significando
o abraço do Céu

Jogando-o depois
num abismo qualquer

IV
Daí voltaria eu
para minha vida hemorrágica
vista como boa moça

Conquistando mais uma vez
essa alegria desfigurada 
Para salvar a situação


17/10/2013

7 comentários:

  1. Lindos poemas aqui adorei!
    Já estou seguindo,voltarei mais vezes beijinhos.

    ResponderExcluir
  2. Sentimento não se explica, se aplica ou não.

    http://apoesiaestamorrendo.blogspot.com.br/

    ResponderExcluir
  3. "Desviando a conduta os olhos, as mãos e as vontades
    Criando imagens algemas e buracos"

    Teus poemas possuem uma beleza enigmática, movente; eu leio, e ao reler parece que estou lendo já outra coisa, água em movimento.

    Abraço!

    ResponderExcluir
  4. gente, que lindeza de poema! absolutamente direto ao ponto e muito inspirador. faz parte das coisas que merecem ser lidas. parabéns!

    ResponderExcluir
  5. Muito bom... Já li diversas vezes, e cada vez ele tem um significado diferente pra mim.

    ResponderExcluir
  6. O nada pode ser positivo e necessário, e aí ele se torna não mais um nada, se torna algo que te flui e te impulsiona para viver o tudo. Afinal, a coerência da vida está nos paradoxos que ela nos apresenta.

    Bjos!

    ResponderExcluir