domingo, 15 de setembro de 2013

Paixão

I

Acho que não
te supero nessa vida
noutra também não

Dos enganos
que escrevi
esse é o mais turvo

Seu nome é
um poema
de duas sílabas

Seus efeitos
são sempre
superiores

Te vejo sentado
ao meu lado
acompanhando meus lábios
enquanto leio
silenciosamente
o que gostaria de ter escrito
pra ti

A cada
pausa
suspiro
olhares
desvios

Você me olha
mas não me enxerga
Quero lhe tocar
mas não consigo

Acordo do sonho
que não dormi

 II

Que posso lhe dizer?
Que todos os homens
dessa cidade
Não me inspiram
como você?

Que teu desmazelo
ainda é combustível
da minha esperança

Que te procuro
na praça que não é tua
Nas calçadas
que não te conhecem

Que te gosto,
com tamanho favoritismo
que até me entristece?

Te coloco de frente
as minhas janelas
me acenando com fascínio
me cuidando com afeto
e eu te desejando
com açúcar
Bem tal como Buarque,
o Chico

Não percebe
que só te escrevo por paixão,
menino?

quinta-feira, 5 de setembro de 2013

Parei com você

Se alguém pedisse para
eu parar com isso agora
eu parava na hora

A minha falta do que fazer
é puro sentimentalismo
e esse é agridoce

Ele precisa ir embora
daqui
de mim

Não saber distinguir
o real do imaginário
tornou-se um problema
dos caros

E ele sendo tão gentil
já penso logo em cobrir
os muros com cacos de vidros
para anunciar distancia

Ele é um santo remédio
para a loucura
mas na prateleira divina
foi colocado ao lado da rejeição

O que sinto transcendeu
todos os meus truques

Perguntar hoje se ele 
é personagem
ou não
Vira caso sério

Suas bocas comem
minhas mentiras
nada literárias

Mentir não é tão bom
quanto na semana passada

A verdade verdadeira
é que João quer ir
Mas eu não deixo

Quem vai ir sou eu


30/08/2013

segunda-feira, 2 de setembro de 2013

Não valeu o meu setembro

Domingo é dia de inventar 
mais arrependimentos

E quebrar o gelo
vai além de gritar
dentro do abismo

O que não te importa
é o que te incomoda

O que te incomoda
sou eu

No mais, tudo é
da boca pra fora

Ir direto ao ponto
é se afastar mais

Toda ternura
acaba sendo libidinosa

Qualquer tentativa
vira sacrifício

Emendar esperança
é forjar alivio

Eu endeusei demais você
esquecendo da tua escuridão

Vou te matar por aqui
pra nunca mais ter que escrever 
sobre essa solidão