sexta-feira, 17 de janeiro de 2014

Banal se não fosse profético

   Sabe, pés rodopiando, mãos querendo alcançar esse céu de celofane. Os travestis famintos dessa cidade, as drogas que não aparecem na televisão. As tragédias moldando bons culpados, as doenças redimindo pecados. Aqueles degraus, as ruas largas. A contemplação do tempo, ultimas horas. 
   Eu sabia, mas não queria ter certeza. A raiva e eu, o sufoco e eu, o fado e eu. Você tinha que ver. Ver que tudo isso sou eu, abrigo ou céu aberto. Como você quisesse. Agora queria tanto que Caio estivesse aqui, para dançarmos sobre os canteiros, possuídos por alguma alegria maldita e ver o mundo florescer no nosso quintal. Sem entender porque os dias se desenrolam assim, existindo distância entre quem se quer bem. Será que você me entende?


5 comentários:

  1. Entendo sim.... As ruas, os becos escuros, a pressa das grandes cidades, os compromissos que nos escravizam e nos deixam submissos, essa semana que voou e levou um tanto de mim, quilômetros de vida que poderia ter sido. A vida é uma ansiedade só.

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  2. O céu de celofane e eu fui longe. Lindo <3

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  3. Porra, velho. Eu sempre venho e levo um sutil soco no estômago. E gosto.

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  4. "A raiva e eu, o sufoco e eu, o fado e eu". Tudo isso temos guardado por dentro e é difícil saber como colocar pra fora. Em que hora, que lugar, que não vem e se acumula e nos mutila.

    Bjos!
    PS: Adorei a pintura que ilustra o texto.

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