sexta-feira, 4 de julho de 2014

Feito louca, alucinada e criança

Abre a fresta da janela,
senta na beirada da cama
E aprecia as nuvens
se liquefazendo lá fora
Chove como se Deus
também estivesse triste
Penso em suicídio 
todos os sessenta segundos
de cada minuto
Como salvação
Como conquista 
da verdadeira zona de conforto
Está tudo se desfragmentando,
pedindo pra eu virar pó
Minhas tristezas são irremediáveis,
sinto que viver é apenas isso
Eu já não suporto esse isso
Transformando catástrofes em poesia,
parece que já morri faz tempo
Mas estou aqui escrevendo 
meu obituário.



8 comentários:

  1. Nada é mais íntimo do que a dor.
    GK

    ResponderExcluir
  2. Céus, que.... que... sabe quando não dá para encontrar palavras? É uma prova de que existe pensamento sem linguagem rs. Sério, de verdade, essa sua poesia tocou fundo. Tocou no meu íntimo. Sempre escrevo sobre tristeza, sobre ''isso'', esse eterno ''isso'' que por vezes transformo em poesia.

    ResponderExcluir
  3. Suas poesias são tão lindas, você tem um estilo viciante! Ainda lembro da primeira que li aqui, gosto de lê-la até hoje, tava sentido falta do blog a última vez q acessei tava permitido só pra convidados.

    ResponderExcluir
  4. " Esta manhã, antes do alvorecer, subi numa colina para admirar o céu povoado,
    E disse à minha alma: Quando abarcarmos esses mundos e o conhecimento e o prazer que encerram, estaremos finalmente fartos e satisfeitos?
    E minha alma disse: Não, uma vez alcançados esses mundos prosseguiremos no caminho."
    Walt Whitman

    ResponderExcluir
  5. Fai meses que ás veces boto as horas sentíndome así... pero non moita poesía fun capaz de enxendrar. A túa é fermosa, coma sempre. Só espero que esa dor atope acougo nos teus versos.

    ResponderExcluir
  6. Música fantástica. Agora o fato é que há algo depois da dor, mas o caminho até lá é uma curva cega.

    ResponderExcluir