quarta-feira, 17 de dezembro de 2014

Uma esperança mais triste ao fim do meu dia

   Eu vou parar de escrever sobre ele, não vai ser por rancor, isso é uma certeza consumada. Se ele não mais aparecer por aqui entre linhas e paixão ocasional, é porque percebi que tentar prender alguém dentro de uma ilusão fadada é um devaneio perigoso, até para mim. 

Essa estória não se difere dos outros romances intituláveis que a nossa História já presenciou. Mas eu quis o seu corpo soterrado na terra que gerou as vegetações mais bonitas, o seu corpo sob o meu, escondendo a minha escureza.
    Eu tentei ser o mais clara possível, causando inveja nos dias nublados. Lhe passando o recibo da minha loucura e assinando toda e qualquer tristeza. No final que não fora escrito, eu não fui nem eu direito. 

Eu fui o que essa paixão foi. Desajeitada sádica carnavalesca. 
Desfilando meu psicopatismo nas poesias e avenidas dessa vida partida. 



Título: Manuel Bandeira

10 comentários:

  1. Seus textos são sedutores e complexos, seu modo de escrever permite a elaboração de várias interpretações.

    Enxergo esse seu último texto como uma síntese da sua escrita, na qual você questiona os próprios motivos que te inspiram a escrever: Ele

    Excelente! espero que, com ou sem ele, continue nos brindando com esse desfile formidável de palavras e sentimentos.

    Beijos Helen

    ResponderExcluir
  2. Despir-nos do nosso João é tão difícil, diria até que sempre vai ter um pedacinho dele em algo que você escrever.
    Sabia que estava pensando, cá com meus botões, a mesma coisa essa semana.
    Despir-me do meu João e voltar à pele nua, mas ando tão desacostumada a me sentir...
    Teu texto bateu fundo mais uma vez aqui dentro, moça

    ResponderExcluir
  3. Este comentário foi removido pelo autor.

    ResponderExcluir
  4. Meus Deus do céu! Seus textos são uma avalanche, um tsunami arrastando tudo, são uma lindeza. A visão repentina de uma aurora boreal, o meteoro que caiu na Rússia o ano passado. Fenomenal poetisa Hellen.

    ResponderExcluir
  5. Hellen, tuas palavras são marcadas de sensibilidade. E força. Será que o João tem medo disso?

    Um beijo'o

    ResponderExcluir
  6. Penso que você não deveria, ponha-o nas entrelinhas .. afinal ex amor sem rancor, é algo que rima com hipotermia, dia, verão e alegria.
    Todas essas sombras não cabem no teu céu,capisce!

    ResponderExcluir
  7. Já no clima do ''bloco do eu sozinho''

    ResponderExcluir
  8. Como é difícil a alma entender que foi. Mas ela chega lá.

    ResponderExcluir