sexta-feira, 26 de dezembro de 2014

Matéria inanimada em corpo vivo

Desde que conheci o seu corpo,
não imagino mais ninguém me despindo

Mesmo que eu não saiba traduzir
suas risadas
de felicidade
e ironia

Mesmo que eu me irrite,
é um deleite te escutar

Abrindo a boca no meu pescoço
e brincando com a minha paciência

Você
nu
encostado na porta do banheiro
é profano
é celeste

Você
seria meu
se Deus quisesse

Meu cheiro impregnado na tua cama
te faz 
mais homem
e me faz menos verdade

Meu gosto na tua barba
me faz pedir piedade
Piedade por não saber
viver isso direito

Acho que preciso ir à Igreja
pois estou no ponto de confundir
intervenção divina com possessão diabólica

Você me nutre de impulsos,
como arrancar pedaços da sua pele
com os dentes
E depois desenhar com o dedo
no sangue que escorre
sob a tela das suas costas

Mas todos sabem 
que não sei desenhar

Dou-te então, 
meu cadáver prematuro
para você desenhar 
nosso romance geométrico.

(Sob uma forma milimetricamente calculada que possa dar certo)



terça-feira, 23 de dezembro de 2014

Para ver-me como mais um verme

Ele está no Uruguai agora, 
com o seu novo amor
Posando para fotografias 
em meio aos girassóis
Enquanto a vida gira
e me desenterneço  
Eu nem o conheço, 
mas escrevi sobre nós 
por incontáveis meses seguidos
É muito difícil definir
o que eu gostaria que fôssemos
Não o conheci num ônibus
e nem em um supermercado
Também não posso dizer 
que o inventei
Eu nunca tivera criatividade 
para desenhar um terremoto
daquela estrondosa magnitude 
Tudo o que eu quis para nós
se encontra dentro
dessa minha dificultosa atração nada remota
Há livros meus na casa dele,
talvez em gavetas abandonadas
Há aquele bilhete,
onde escrevi que
não poderia mais esperar
Pois, outros personagens 
me aguardam fora desse vendaval
Esses personagens por mais
ideológicos que sejam
não suprem minha necessidade
abismal]
de possuir em mim o maior de todos 
os encantamentos
Como eu disse no inicio,
ele está no Uruguai
com a família e ela,
esperando os festejos dezembrinos 
Parafraseando Adélia, 
cito que João está com com uma mulher 
que não sofreu por ele 
um terço do que eu sofri
Mas direi mais, 
ele está com uma mulher linda
e jamais será para ela o Jonathan de Adélia

Para sempre meu João

(Meu travesti poético)

domingo, 21 de dezembro de 2014

Este poema não é sobre João

Começo este poema dizendo
que não temos nada em comum
Mas toda esta simultaneidade
que nos abrange, repercute bem
Dos abraços desajeitados 
que se estendem até as birras unificadas,
Mitos e costumes e todas as expressões 
de linguagens]
Escolheram-no para mim,
pois, ele é a personificação da frase:
Escreva menos e viva mais.

Se me perguntassem agora,
''O que faz você suspirar?"

Diria, 
A preguiça
e ele.



quarta-feira, 17 de dezembro de 2014

Uma esperança mais triste ao fim do meu dia

   Eu vou parar de escrever sobre ele, não vai ser por rancor, isso é uma certeza consumada. Se ele não mais aparecer por aqui entre linhas e paixão ocasional, é porque percebi que tentar prender alguém dentro de uma ilusão fadada é um devaneio perigoso, até para mim. 

Essa estória não se difere dos outros romances intituláveis que a nossa História já presenciou. Mas eu quis o seu corpo soterrado na terra que gerou as vegetações mais bonitas, o seu corpo sob o meu, escondendo a minha escureza.
    Eu tentei ser o mais clara possível, causando inveja nos dias nublados. Lhe passando o recibo da minha loucura e assinando toda e qualquer tristeza. No final que não fora escrito, eu não fui nem eu direito. 

Eu fui o que essa paixão foi. Desajeitada sádica carnavalesca. 
Desfilando meu psicopatismo nas poesias e avenidas dessa vida partida. 



Título: Manuel Bandeira

sábado, 13 de dezembro de 2014

Qual é o meu problema?

Eu conheci alguém,
que cuida da minha dor na garganta

E me abraça
até o corpo doer em resposta

Ele é dono dos olhos mais bonitos
que já me olharam de volta

Eu conheci alguém
que beija
todos os cantos do meu rosto

E nunca quer que eu vá embora

Mas mesmo assim
eu não consigo

Arrumar um final 
satisfatório para este poema.

sábado, 6 de dezembro de 2014

Quase 7

Eu quero muito 
abrir um buraco 
no meu quintal 
para esconder 
de mim mesma 
as falhas todas 
que lembram-me
tal paixão burocrática
Todavia, a política
deste romance
me priva
À revelia das coisas
que não pedem entendimento,
eu quis sim, entender
Para agonizar em paz,
dentro da dignidade
que criei tendo uma caneta na mão
Fique sabendo,
meu coração
combina com buracos.

terça-feira, 2 de dezembro de 2014

Escrevi essa dor pra você me curar enquanto lia

O deslumbramento
ao ver seu nome
contido num poema meu
Fez você escrever o nome
de outro alguém na sua vida