domingo, 1 de maio de 2016

Diz, qual é o tom desse verde dos teus olhos pra eu desenhar

Agora é diferente
É como se eu precisasse de você
para além da poesia

Eu peço com o meu coração nos dedos
que se você estiver lendo isso
e sentir algo bonito
Me procure
Comova meus dias

Estamos cercados 
de pessoas mesquinhas
De pessoas que são só o que vemos

Você sofre a dor do mundo
E essa dor não sai no jornal
Eu sofro com a irrealidade que crio
e a minha dor é compactada em versos

Versos para você ler
e me admirar

Eu lembro das coisas que você me disse
mas você bebeu demais
Eu também, bebi tanto essa atração
até sentir vontade de escrever 
esse coma poético-alcoólico 

Não quero sensações fragmentadas
na casualidade
que você julga atraente

Se for me querer
Que seja enquanto eu ainda lhe quiser
Enquanto ainda me puser borboletas no estômago 
só de me olhar no meio da noite
quando nos esbarrarmos alheios por aí

Seja minha casualidade recorrente
Pra eu ser mais 
do que a mulher que lhe pôs em meras poesias.

Título: Ana - Mobem

10 comentários:

  1. "Eu lembro das coisas que você me disse
    mas você bebeu demais"

    :(

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  2. Tuas poesias não são meras, nada em ti pode ser meramente alguma coisa tu é toda a tua poesia são uma total alegria, tu completas a minha vida investida no ar que respiro de noite e de dia. Eu posso te descrever como todas as estações e ano após ano eu te amo como aquecer e morrer,congelar e reviver em tua condição de flor e essência.
    Te ler é minha religião é minha religião é nisso cabe mais que rezas e promessas.
    Uma boa semana.

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  3. Ele tem a falta. Dá ares de contorno ao seu vazio. Ele é o seu objeto (a), também conhecido como objeto causa do desejo. Você o construiu, sob medida, inconscientemente. Um adendo, se você o tiver por muito tempo ele se desfaz. Ele se alimenta de fantasia, de sua fantasia de completude. Ele só é, por não ser, e se for, se vai.

    Algumas pessoas gozam com a falta (normalmente os poetas). Porque a falta, o vazio, o furo, dá lugar a fantasia, ao delírio, a poesia, ao amor... que por sua vez costuram o insuportável em jogo no real, porque com o real não há diálogo.

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    1. "se você o tiver por muito tempo ele se desfaz. Ele se alimenta de fantasia, de sua fantasia de completude. Ele só é, por não ser, e se for, se vai. "

      Isso chega a ser abismal, de tão definitivo!
      Gosto quando você some daqui e regressa com comentários intrínsecos.

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  4. Este comentário foi removido por um administrador do blog.

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    1. Vi o link que você postou aqui, não deveria ter excluído. Talvez eu não consiga lhe entregar palavras tão fecundas como as que Dionísio e eu conseguimos lhe inspirar, mas eu fico extremamente envaidecida e grata.

      Seu lixo psíquico também é meu.

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  5. Parabéns pelas poesias, pelo seu espaço. Muito bom!

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    1. Sinta-se a vontade para postar seu link aqui novamente, quero que as pessoas leiam! É perturbador e lindo.

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