sábado, 14 de maio de 2016

Pedras, flores, abraços, acenos. Me roube. - uma letra no lugar certo mudaria tudo, um gesto também

Você quer mesmo ser 
mais um dos homens 
que escarraram no meu coração?

Estou sedenta por inspiração
Se você se desfazer de mim mais uma vez
pode ser que eu cultive um jardim
Noutrora, apedrejaria sua casa

Você prefere as putas ou as santas?
Transito entre as duas divindades
Posso me transfigurar no que quiser
Se eu ainda lhe quiser

Ah, minha alva criatura
Por quê me põe tanto desatino?
Parece que pensa em mim no meio da noite
Porque acordo nas horas cinzas
e sinto vontade de sair para caminhar

Deixa-me descortinar suas cores
Mais à frente da brancura da sua tez
e seus olhos verdejantes
Deixa-me tê-lo 
na delicadeza e fúria que sou capaz

Não queira vagar sorrateiro por aí
apenas por saber que em mim tem guarida
Naquela noite, eu disse não estar apaixonada
Mas na noite de hoje, não sei mais

Sei que me quer bem
mesmo que não mais me queira
Queria que hoje você dormisse bem
Mas hoje você não dorme, hoje você é da Noite
Que ela lhe cuide então.

9 comentários:

  1. Teus poemas e teus enigmas são dignos da historia grega. Tão envolventes quanto teus cabelos e lábios de Helena,podem ser. Ah criatura! Nem imaginas o bom que é, tudo isso, imaginar ...
    ao ler teus poemas. Gosto da tua paixão, quando escreves.
    Boa semana

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  2. me encantava como escreves... abraço profundo!

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  3. Todos aqui já sabemos que isso é paixão. Dionísio se a lê, também já deve ter certeza. Nada e tudo precisa ser dito. Ele deve ter medo, eu teria. Uma mulher escrevendo sobre mim e para mim. Arde e afaga, entende?

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  4. Tem algo nos teus textos que cheira a fumaça de vela apagada. Você mostra o fogo, o calor; se derrete até não ter mais nada.
    Muuuito bom.

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    1. Quase consigo tocar nesse cheiro de vela apagada, de tão presente.

      Obrigada, pela descrição. É tão imperturbável.

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  5. Eu li e por fim me vi mentalmente cantando:

    "Havia mais que um desejo
    A força do beijo
    Por mais que vadia
    Não sacia mais
    Meus olhos lacrimejam teu corpo
    Exposto à mentira do calor da ira
    No afã de um desejo que não contraíra
    No amor, a tortura está por um triz".

    Esse tempo teu de poesia é sempre um encontrar de caminhos meus. Nunca canso de te dizer: Obrigada! (Pela sempre voz que às vezes me falta).

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    1. Esse encontro de lirismo é visceralmente recíproco, Déborah.

      E essa canção de Djavan?! Assim você me mata!

      "No amor, a tortura está por um triz
      Mas gente atura e até se mostra feliz
      Mesmo sem ter havido, havido
      Havia mais que um desejo"

      <3

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  6. Quanto mais seguimos passos, menos somos.

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