sábado, 8 de outubro de 2016

des.co.nhe.ci.do (particípio de desconhecer)

                         Pessoa cuja identidade se desconhece; estranho


   Inventam datas para tudo, não é mesmo? Já pode virar feriado nacional o dia que você me deu o último beijo embaixo da chuva naquele fim de noite? Ah, já é feriado, de Tiradentes. Cê lembra? Essas coisas corriqueiras também deveriam sair no jornal. 
   Eu acho que te amo agora, porque depois de tanto tempo sem nos falarmos, sem nos vermos, sem querer, eu tirei o dia para pensar em você e escrever isso. Juro que troquei a estação do rádio agora e está tocando aquela música de quando eu te toquei pela primeira vez no escuro da sua sala. Queria que você estivesse lendo isso e me perguntasse que música é... 
   É, não te esqueço. Você me cortou e jogou sal nas minhas feridas e mesmo assim eu escrevo. Não consegui me apaixonar por outra pessoa, a cidade me embrulha homens mais vulgares que você e eu acho graça. Só em você achei poesia.



















Imagem: Demi McCulloch

3 comentários:

  1. Quando você o beijou pela ultima vez no feriado de Tiradentes, eu senti seus poemas beirarem o êxtase e o precipício. Dionísio sempre ressurge, não é mesmo?!

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  2. Que música?


    #Faithfully

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