quarta-feira, 21 de dezembro de 2016

Um poema que perdeu tempo

Outro caso
Que levamos com descaso
Nosso medo de nos envolver
De acabarmos seduzidos
Você me deu prazer
Eu lhe dei prazer
Mas nosso Sol em Libra dramatizou tudo
Eu lhe toquei com
carinho
fome
exatidão
Você me tocou com
afeto
desejo
despretensão
Não fomos nada inocentes dentro dessa atração
Você gemendo nos meus ouvidos
Eu vou lembrar em outras camas que eu deitar
Eu batendo na sua porta às 5 da manhã
Você vai lembrar
enquanto tentar conhecer outras mulheres
As brigas
Palavras difusas
Você me querendo num dia
- E repetindo infindáveis vezes -
No outro fala pra eu não mais procura-lo
Acabou tudo
Que tudo?
Não tivemos nada
Suas camisas que sujei de batom
Meus cabelos decorando o chão da sua casa
Logo isso vai ser, nada
Você queria que eu escrevesse sobre isso,
só não sabia que ia ser o final.

9 comentários:

  1. Acho que esse teu poema foge de ti, agora tu escreve com razão e o poema perdeu a tua alma, isso é desconstituição ou ausência de calma?
    Digo isso porque além de tudo, eu penso que uma só existência é toda a razão dos teus poemas.
    Boas festase muita poesia ano que vem.
    Saudações!

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    1. Não sei responder sem me questionar o que vivi e o quanto mudei nos últimos três meses. Mas é meio confuso e mais real. Você notou que eu venho escrevendo pouquíssimo? Anseio viver mais. Esse poema perdeu tempo, mas eu ganhei vida nesses três meses. Esse poema retratou um caso que descobri no cinza das horas, mas que se dissipou antes do verão começar. Mas foi um privilégio.

      Obrigada, lhe desejo um novo ano lindo e poético.

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  2. Você é sempre você, isso é bom.
    Boas festas!

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  3. Adorei, em especial, o título, resume tudo o que vem depois, brilhantemente.

    Um caso novo, um caso a mais, que no seu modo singular de enxergar as coisas, torna-se uma poesia a mais, uma magia a mais.

    Um ótimo encerramento de ano e um 2017 ainda mais lírico, Helen. Beijoos!


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  4. Doídos os relacionamentos que não foram, perante à sociedade, relacionamentos. Talvez sejam esses os mais intensos, os que teriam mais sede de se relacionar, por saber que se durasse, seria Deus, Zeus, Afrodite projetando um milagre.

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  5. Liberdade, Helen. E quando ainda estamos presos demais e a estação ja mudou? ;/

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    1. As vezes continuamos parados na mesma estação por medo de começar tudo de novo, o novo amedronta. Talvez tudo isso não seja de verdade, a utopia está aí por nós.

      Saudade de você, Simone. Beijos.

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  6. Fico extremamente feliz que vc ainda escreve. Fiquei um tempo longe do blog, mas agora voltei haha

    Sobre a postagem... Me deu vontade de chorar. Estou vivendo isso. E não sei como sair. Mas sair do que? Não é um relacionamento. Vou dormir na casa dele dia 15. Sendo que 16 é o aniversário dele. Vou comprar um presente, que mal tem?

    Mas não sei. Não quero me envolver.
    afeto
    desejo
    despretensão.

    Não é amor.

    Saaaudades daqui!
    http://minhaformadeexpressao.blogspot.com.br/

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    1. Estou comentando a tempo, que bom!

      Lhe mando energias positivas, porque tudo o que é feito e pensado com afeto vale benção celestial.

      Me envie seu Facebook Nathalia, saudade!

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