sábado, 19 de agosto de 2017

Meu bem, meu B.

Como se fosse possível
Como se fosse verdade
Nossas pernas enroscadas
Num ameno inverno de agosto
Enquanto viramos brasa 
Você me querendo até onde pode alcançar
Eu lhe querendo até me cansar 
Seu cheiro acasalando com o meu
As trilhas das minhas unhas nas suas costas
ornamentando os sinais da sua pele
Delicadamente sinalizando 
que eu caí de novo
Tropecei no seu discurso 
de homem ambicioso
Dei de cara com a sua cara
Sua respiração embalando a minha
Enquanto eu me tornava sua
No único momento que lhe sinto meu
Suas mãos buscando lugares secretos
Minha boca ansiando pelo gosto predileto
O sal da sua pele
Sua essência de homem 
confundindo-se com o aroma do seu perfume
Eu sou louca por você
Mas você não releva os meus dramas
E revela ser tão frio 
quando não está sob meus dedos
Anunciando que sua precisão de mim 
é somente epidérmica
Sendo que eu abri minhas pernas 
e minha vida para você, que não me lê
Que não se deixa ficar e não me deixa ir
Você que me toca e me assopra 
como quem beija uma flauta doce
Me enleando
Me tomando
Me desejando com força
Como se você um dia me olhasse
E enxergasse além 
da menina que ri e bebe e rola com você na cama.


5 comentários:

  1. Helen,

    Eu não sei o que te dizer. Nas últimas vezes tenho chegado aqui, em silêncio, só para absorver. Porque essa coisa que você faz é assim tão única e, porra, você faz tão bonito. Parece que qualquer palavra que a gente possa dizer estraga a maestria de toda essa arte.

    Eu não sei, acho que quando crescer quero muito escrever assim, que nem tu.

    ResponderExcluir
  2. Saudades daqui. De contemplar toda essa intensidade mesclada com delicadeza, tão exclusiva sua.

    Beijos Helen

    ResponderExcluir
  3. Te ler é sempre um privilégio e um desejo de cantar a tua essência de mulher, nessa tua energia que marca a poesia como regra.
    Penso que tu estabelece o gosto em minha boca, do café e da cerveja.
    Boa semana.

    ResponderExcluir